Vou perdendo tudo, aos poucos:
no segundo ano, os documentários passaram a ser editados de manhã
para mim, sobraram os programas fixos, institucionais
no terceiro ano, o Ernani mudou de horário
para mim, ficaram o descompasso, o fora de sinc, os calhaus
e quando dá tempo, as entrevistas
no quarto ano, começo ocupando o mesmo espaço físico que o novo editor
agora com mais uma hora diária
e herdando o melhor programa mas sem direção nenhuma
claro, somando todas as perdas dos anos anteriores...
Perco aqui, ganho em outras coisas
Quitei meu carro - com o salário daqui
Fiz outra graduação - com o salário daqui
Peguei o empréstimo da Caixa - com o salário daqui
E me vejo escrava de um salário que é só isso mesmo: um tapa buracos
Para construir uma escada que nem sei onde deveria chegar!
O que era pra ser provisório, ficou permanente sem eu nem perceber
É o preço de perder mais uma coisa: os culhões de chutar o balde, de ser topetuda, impulsiva
Perdi as garras, ganhei angústias de dívidas
De sapatos velhos, sala sem sofá, um dia de sete horas com nada instigante
Então, dada a sétima hora,
Chego na casa com coisas a fazer
Como o que tem - não recebi o salário de mês
Recuso educadamente o chopp na esquina - não recebi o salário do mês
Desligo rapidamente o celular - não paguei a conta do mês
Tomo banho de luz apagada - não quero enxergar os tantos pensamentos (ou não recebi o salário do mês?)
Deito na cama - que ainda falta 6 de 500 pra quitar - mas eu adoraria já ter trocado por uma que eu desenhei na minha cabeça e nunca virou realidade
Então durmo um sonho triste e pesado. Assim como todos os outros brasileiros.
30.3.07
27.3.07
Cores
O camaleão perdeu a cor
Todas as cores
E se tivesse escamas
Estaria soltando aquela pele furta-cor
Subiu no galho mais alto
E não virou de cor de árvore
Seus olhos 360 graus viram alto o azul anil
E não mudou de tom
Sentiu a brisa mais forte
Mas não sabe se é branca, creme, lilás
Também não quer saber
Só ouvir o zunido
Pelos furinhos na cabeça - pois não tem orelhas...
O camaleão em silêncio
Vê pequenos insetos fugirem
Ele não está disfarçado!
Como pegar a próxima presa?
Ele vira de lado com a cabeça inclinada
Parece que ri
Não há fome
Nem tonalidades de
É que já mudou tanto de cor
Já foi árvore, folha, chão molhado...
E agora
Não mais
O Camaleão não é mais invisível
Como quando teve tantas cores
É cor de carne e veias
É cru
É vivo
Pulsa
Exala
Transforma o que foi
No que é
Todas as cores
E se tivesse escamas
Estaria soltando aquela pele furta-cor
Subiu no galho mais alto
E não virou de cor de árvore
Seus olhos 360 graus viram alto o azul anil
E não mudou de tom
Sentiu a brisa mais forte
Mas não sabe se é branca, creme, lilás
Também não quer saber
Só ouvir o zunido
Pelos furinhos na cabeça - pois não tem orelhas...
O camaleão em silêncio
Vê pequenos insetos fugirem
Ele não está disfarçado!
Como pegar a próxima presa?
Ele vira de lado com a cabeça inclinada
Parece que ri
Não há fome
Nem tonalidades de
É que já mudou tanto de cor
Já foi árvore, folha, chão molhado...
E agora
Não mais
O Camaleão não é mais invisível
Como quando teve tantas cores
É cor de carne e veias
É cru
É vivo
Pulsa
Exala
Transforma o que foi
No que é
26.3.07
Alívio
É bom saber que tudo está bem
Mesmo quando fui eu quem causou a questã
Um deleite sentir
Que ainda com a culpa toda minha
Existe um carinho e um bem querer
É um alívio saber
Que tem gente que ainda gosta de mim
Mesmo assim
Mesmo quando fui eu quem causou a questã
Um deleite sentir
Que ainda com a culpa toda minha
Existe um carinho e um bem querer
É um alívio saber
Que tem gente que ainda gosta de mim
Mesmo assim
Rindo
Risadas a toda
Na hora de ir dormir
Cócegas nas plantas dos pés
De sair lágrimas sem parar
Adolescentes
Crianças
Que se cuidam e
E no descuido
Tudo é
Mais infantil
Mais ingênuo
Mais frágil
Mais firme
Mais sério
Mais sereno
Mais moderno
Mais velho
Que esses quatro meses de vida
Na hora de ir dormir
Cócegas nas plantas dos pés
De sair lágrimas sem parar
Adolescentes
Crianças
Que se cuidam e
E no descuido
Tudo é
Mais infantil
Mais ingênuo
Mais frágil
Mais firme
Mais sério
Mais sereno
Mais moderno
Mais velho
Que esses quatro meses de vida
23.3.07
Observatório
Eu tô só olhando de longe
você e eu nesse mundo véi
Anotando os gostares
As diferenças
E colocando estrelinhas no itens a revisar
Te vejo numa distância segura
Pra entender o que tica
O que dispara
O que faz você respirar
além desse ar seco daqui
você e eu nesse mundo véi
Anotando os gostares
As diferenças
E colocando estrelinhas no itens a revisar
Te vejo numa distância segura
Pra entender o que tica
O que dispara
O que faz você respirar
além desse ar seco daqui
Encarnação de mim
Encarnado.
Do espírito, das víceras.
De carne e de sonho.
Vermelho de dentro de quem sou.
Toda, uma descoberta pequena
E não quero mais ser
Inventei outra
De passo curto, mas certo
Carma
Desencarna
E flui o alívio de não ser ela
Encarnar
Tomar posse de mim
Do físico, do químico, do transcendental
Eu sei tudo de amar
Sobre amar
Para amar
A mim
Do espírito, das víceras.
De carne e de sonho.
Vermelho de dentro de quem sou.
Toda, uma descoberta pequena
E não quero mais ser
Inventei outra
De passo curto, mas certo
Carma
Desencarna
E flui o alívio de não ser ela
Encarnar
Tomar posse de mim
Do físico, do químico, do transcendental
Eu sei tudo de amar
Sobre amar
Para amar
A mim
19.3.07
Virgo
People with a fraction of your savvy and resources may try to manipulate you into serving their aims. Politely ignore their pressure. This is a time when you should be enjoying your hard-earned goodies with pure relish, not worrying about them or defending them or trying to adjust them to fit anyone else's specifications.
Yes, sir.
Yes, sir.
16.3.07
Através de alguém
Eu fui convidada para o casamento de uma meia prima, mas não tenho certeza se foi de coração.
Vou porque tenho culpa de deixar a pessoa pagar a janta pra mais um, e esse um não ir.
Quero dizer, dois. Talvez por isso até a incerteza de não vir com amor - o convite, eu digo. Vou levar mais uma boca pra comer, era só o que faltava.
Aliás, tem me faltado convites.
Para o almoço de hoje, por exemplo.
Não me convidaram, mas sem querer, eu tava lá.
E no fundo, ninguém se importa. Se eu fui ou não.
E essa mesma prima torta não me convidou para o chá de panela. Não que eu adorasse ter ido, mas aí no dia seguinte, ficou assim estranho um almoço que todo mundo elogiava a farra, e eu no silêncio - me bateu uma coisa de que talvez ela tenha me convidado "através" da minha cunhada - e esta, esqueceu de me comunicar - será que ficou parecendo que eu fiz desfeita?
Até agora, não sei. Esqueço de esclarecer.
E um outro evento, hoje à noite. Que não fui formalmente convidada, mas deduzo que "através" dos meus pais, é pra eu ir também. O pior - se eu não for, podem achar que sou eu que estou de má vontade. Nem fui à missa da formatura! Imagina! (eu fiquei sabendo uma hora antes o local da cerimônia, "através" do meu pai)
Um casal de primos de fora que estão por aqui, combinam de sair com o meu irmão, e este me diz que ligará para me dizer onde estarão. Mas não liga.
Talvez, não tenham saído. Ou, ficaram esperando um "através" pra me ligar.
Achei que eu não me importava.
Mas me importo. Não com os eventos, com as ausências de convites!
Me incomoda o "através", o intermediador, a pessoa do meio - entre a pessoa que não se lembra de me convidar e eu. E tudo que ocorre no meio.
A Cláudia perdeu um amigo para a noiva dele.
Eu perdi uma grande amiga para a loucura dela.
Não sinto saudades de família.
Mas prefiria ser tratada por inteira, que me olhassem nos olhos, me dirigissem a palavra do convite.
Ou não.
Através é que não dá.
Vou porque tenho culpa de deixar a pessoa pagar a janta pra mais um, e esse um não ir.
Quero dizer, dois. Talvez por isso até a incerteza de não vir com amor - o convite, eu digo. Vou levar mais uma boca pra comer, era só o que faltava.
Aliás, tem me faltado convites.
Para o almoço de hoje, por exemplo.
Não me convidaram, mas sem querer, eu tava lá.
E no fundo, ninguém se importa. Se eu fui ou não.
E essa mesma prima torta não me convidou para o chá de panela. Não que eu adorasse ter ido, mas aí no dia seguinte, ficou assim estranho um almoço que todo mundo elogiava a farra, e eu no silêncio - me bateu uma coisa de que talvez ela tenha me convidado "através" da minha cunhada - e esta, esqueceu de me comunicar - será que ficou parecendo que eu fiz desfeita?
Até agora, não sei. Esqueço de esclarecer.
E um outro evento, hoje à noite. Que não fui formalmente convidada, mas deduzo que "através" dos meus pais, é pra eu ir também. O pior - se eu não for, podem achar que sou eu que estou de má vontade. Nem fui à missa da formatura! Imagina! (eu fiquei sabendo uma hora antes o local da cerimônia, "através" do meu pai)
Um casal de primos de fora que estão por aqui, combinam de sair com o meu irmão, e este me diz que ligará para me dizer onde estarão. Mas não liga.
Talvez, não tenham saído. Ou, ficaram esperando um "através" pra me ligar.
Achei que eu não me importava.
Mas me importo. Não com os eventos, com as ausências de convites!
Me incomoda o "através", o intermediador, a pessoa do meio - entre a pessoa que não se lembra de me convidar e eu. E tudo que ocorre no meio.
A Cláudia perdeu um amigo para a noiva dele.
Eu perdi uma grande amiga para a loucura dela.
Não sinto saudades de família.
Mas prefiria ser tratada por inteira, que me olhassem nos olhos, me dirigissem a palavra do convite.
Ou não.
Através é que não dá.
15.3.07
14.3.07
Inércia
Hoje bateu um desânimo.
Uma vontade de jogar tudo na última gaveta da estante.
Deixa lá, junto com clips enferrujado, 3x4 velhas, cartão de visita do gerente do banco.
Não tive vontade de sair da cama. Mas saí.
Não quis fazer as unhas. Mas fiz.
Não tô com vontade de escrever. Mas tô aqui.
E se eu parar de insistir? O que será que acontece?
Uma vontade de jogar tudo na última gaveta da estante.
Deixa lá, junto com clips enferrujado, 3x4 velhas, cartão de visita do gerente do banco.
Não tive vontade de sair da cama. Mas saí.
Não quis fazer as unhas. Mas fiz.
Não tô com vontade de escrever. Mas tô aqui.
E se eu parar de insistir? O que será que acontece?
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