8.10.08

Mãe


Hoje é aniversário da minha mãe.
Espontânea, inteligente, linda.

Ela está com 62 e por tudo que já passou, até que segurou bem a onda.
É uma pessoa ímpar
Porque é agressivamente leal
Intuitiva
Careta
Doceira
Ledora curiosa de tudo sobre o ser humano
E incrivelmente doce e brava ao mesmo tempo

Me vejo com 62 anos quando olha pra ela
Imagem e semelhança
Aceito os defeitos herdados
Ansiedade
Dona da verdade
Ciumenta
Preguiçosa

E lamento as qualidades que não vieram no sangue
Paciência
Generosidade
Senso de profundidade, tamanho, localização

Hoje, comemoro com ela mais um ano de alegrias e tristezas naquela vida
O Enzo, a doença imunológica, o trabalho
Mas principalmente
Hoje celebro a alegria de ser parte da vida de mamãe
Conversar, fazer planos, falar mal da vida alheia, fazer as unhas
No auge na minha vida adulta,
Finalmente, reconheço nela uma grande amiga e mulher!

Beijinho, mãe!

5.10.08

Sobre ver o invisível

Eu amo arte.
O que ela pode representar para mim e os efeitos que me causa.

A surpresa que a arte traz - uma lembrança do humano em mim - de sentimento, sensação, emoção
me deixa compreender que faço parte do todo, do humano e do não humano.

Estar despreparada para o que vou ver, ouvir, sentir na arte - é estar no presente, viver o aqui e agora intensamente.

Olhos abertos, mente atenta - e a arte vai até o coração. Ilumina pela luz que sai das tintas, tranborda notas musicais, o escuro do teatro.

A arte é divina. E humana. É o caminho, o fio de contas, a flor que nasce na sala escura do cinema, na aquarela em branco.

Mas só agora, tudo isso faz sentido em palavras.
É que só esse ano, conheci a Adriana.
E vi nas suas telas, minha jornada no budismo até aqui.

O budismo virou arte, que virou vida, que virou budismo.
Que na verdade, sempre foi tudo.
E tudo sempre foi budismo.

Adriana, meu veículo para a arte-luz
E Budismo, meu veículo para a vida.

Beijão, querida. Obrigada.


ps - "O Budismo cabe em um copo d'água" - exposição individual de Adriana Marques - de 5 a 18 de outubro no Mezanino do Teatro Nacional, Brasília.

1.10.08

Pra semana

VIRGO [August 23–September 22] Talk back to those annoying voices inside your head, Virgo—I mean those nagging little chatterers who second-guess you 10 times a day, trying to undermine your faith in what you've started in recent weeks. And as you respond to their agitation, do so with poise and grace—not with defensiveness or bitter complaint, but with a quietly aggressive confidence that the intuitions you relied on to launch your new projects were basically sound. Those annoying little voices are trying to convince you to go back to square one, when in fact you're on the right track and merely need to do some tinkering.

29.9.08

Consumo

Ó mundo cruel!
Hoje comprei sapatos!
Não há nada mais deliciosamente revoltante que ceder às tentações do consumismo barato:
Entrar numa liquidação de sapatos e levar exatamente aqueles que menos se necessita!
Foi meu primeiro surto do ano...
Nada mal pois já estamos praticamente no mês 10!
Aquisições incríveis
Baratíssimas
E, espero, muito usáveis!

ps - tudo para celebrar secretamente algo muito secreto que manterei em segredo!

28.9.08

Rock'n'roll

No Arena, o rock'n'roll comeu solto
Era noite de música ao vivo
Tributo aos vovôs do rock - The Clash

Tudo ali, me lembrou a pessoa que fui
O jovens fumando e bebendo
Procurando por eles mesmos
E se achando entre amigos,
Na música
No chacoalhar da dança

Não estava deslocada
Mas definitivamente, ali não era meu habitat natural
Vi tudo com olhos antropológicos
Sem conseguir por muito tempo, entrar no momento

Ouvi a música
Bebi e dancei
Não foi nostálgico
Foi um alívio

A pessoa que eu fui está aqui
Dentro da mulher que hoje eu sou
E esta de hoje cabe todas de sempre
Mas exatamente agora
O ser que sou está só

27.9.08

Mais chuva!

Chuva no brejo

Moraes Moreira

Olha como a chuva cai
E molha a folha aqui na telha
Faz um som assim
Um barulhinho bom

Faz um som assim
Um barulhinho bom

Água nova
Vida veio ver-te
Voa passarinho
No teu canto canta
Antiga cantiga

No teu canto canta
antiga cantiga

25.9.08

Depois da chuva

Shhhhh, silêncio.
Não estão ouvindo nada?
A chuva passou, levou os raios e os trovões.
Deixou a terra, folhas e troncos ensopados.
Mas não...
Não há sequer uma cigarra cantando!

23.9.08

Deus é Fiel

Eu não ia escrever sobre isso, mas lendo o Estuário, me lembrei que sempre quero escrever sobre o assunto e acabo esquecendo.

Ando muito esquecida. Direto esqueço coisas, ligações a fazer, pessoas.
Ontem mesmo, esqueci meu ex! Totalmente!
Assim, me lembrei dele num momento e puft - caramba! Faz tempos que não penso na figura! Ah, minha memória...

Enfim, eu ia escrever sobre outra coisa - que também me fugiu da memória - e como disse a Elisa Lucinda - o pior da memória é quando a gente perde as coisas: porque daí, temos que ficar procurando! O melhor mesmo é só esquecer e pronto. Esquecido está. No caso do escrito, eu perdi mesmo...mas uma hora dessas eu acho de novo.

Mas, bem. Quero falar desses adesivos que a gente vê nos carros, nas lojas, em tudo quanto é canto - DEUS É FIEL

Sei bem que o verbo SER é de ligação, mas - nesta oração específica, não me canso de perguntar - FIEL A QUEM?
Porque ser fiel, é mole. O problema é pra QUEM a gente dedica a tal fidelidade. Ou fidelização, como gostam as empresas aéreas, de telefonia celular, os bancos, tals.

Veja bem, eu não duvido da fidelidade. E nem de ninguém que afirme tal coisa sobre outra pessoa. Ou coisa. Ou ser.
Mas, por que diabos será que as pessoas gostam dessa afirmação? Esta, de que Deus é fiel?

Aos meus ouvidos, soa um pouco como ameaça...do tipo, Deus é fiel, e você?
Daí, já me dá uma certa irritação, porque, oras - faça logo um adesivo tipo:
E aí? Você já chifrou hoje? Melhor ainda: Você já ME chifrou hoje?
Pra que tanto rodeio? E ainda por Deus no meio?
Se a pessoa tá desconfiada, é melhor saber logo. Ou então, esquecer. Mas esquecer mesmo, como do dia do aniversário do chefe. Que nem tem jeito de voltar pra buscar...

Eu não acredito nisso, que Deus é fiel. Pelo menos pra mim, ele nunca prometeu nada...estou tranquila.
E agora que já escrevi tudo, me veio uma vaga lembrança de já ter um post aqui sobre Deus ser fiel ou não.
Quem mandou perder ao invés de esquecer?

22.9.08

Detestamentos da vida só

Na lista das piores coisas de morar sozinha:
1 - definitivamente a número um - ficar doente
Mesmo detestando ser cuidada, bajulada, mimada - é horrível eu mesma ter que levantar pra pegar o remédio
Eu mesma ter que abrir a gaveta e pegar qualquer meia pra esquentar os pés
Prepara o banho,
Esquentar o chá, por o mel, derramar na xícara, por na bandeja
Ir à farmácia queimando de febre
Lembrar dos horários de remédios mil

2 - definitivamente a número dois - fazer compras no mercado
Além de eu detestar mesmo fazer compras - mesmo quando eu dividia a casa com outras pessoas, essa detestação já existia -
Carregar o porta-malas - que já vive cheio de trecos: livros de estudo, de leitura, tapetinhos de Yoga, tênis pra malhar, chinelos Havaianas, meias sujas, limpas, médias - ainda tem que caber todos os saquinhos de mercado
Achar um jeito de tirar todos os saquinhos, segurá-los com uma das mãos enquanto a outra fecha o porta-malas do carro - porque colocar tudo no chão demoraria mais meia hora pra acertar os buraquinhos de mãos das sacolinhas de plástico - e ainda naquela posição super confortável de meio agachamento. Não! Eu economizo energia e paciência equilibrando todos os pesados em uma das mãos, enquanto a outra segura os mais leves - papel higiênico e absorventes, por exemplo - pra fechar a tampa do porta-malas;
Andar até a portaria de prédio com a chave em punho para abrir a porta que tem molas e não fica parada sozinha.
Aqui, eu tenho que por os saquinhos no chão. Já até consegui a façanha de abrir a porta sem mexer nos saquinhos já acomodados cortando a circulação dos dedos - mas em seguida, a sacolinha rasgou, espatifando o papaya no chão do prédio com aquele fedor de mamão (eu não gosto de mamão, mas comi por um tempo pra fazer cocô direitinho).
Ponho os saquinhos leves no chão, a chave já na manha, selecionada no chaveiro.
Daí, subir os dois lances de escadas.
Até um mês atrás, ficava dolorida dessa aventura semanal. Agora que estou puxando ferro muito seriamente, ainda não me afetou os músculos. Só o humor mesmo.
Abro a porta de casa e dá vontade de deixar os saquinhos ali, na porta mesmo. E ir comendo as coisas dali mesmo.
Mas claro - desensaco tudo, guardo na geladeira, no armário, lavo as verduras, as frutas, tiro tudo dos saquinhos, coloco em potinhos de plásticos com tampas verdes, todos combinando e com tamanhos diferentes - tá, sou TOC e daí?
O pior, o pior mesmo, é quando deixo por engano, saquinhos dentro do carro - é que às vezes compro coisinhas pra comer no trabalho, daí as compras nem saem do carro até o dia seguinte, na rampa do Congresso. Mas já esqueci sorvete, chocolate, manteiga - e a preguiça de descer e subir?
Sério, na maioria das vezes, prefiro encarar a meleca só no dia seguinte. Não aguento de má vontade!
Hoje, esqueci chocolates, absorventes, e Veja MultiUso.
Sem dúvida, o carro terá um cheiro particular amanhã cedo...

21.9.08

Budista

Das ilusões

Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!


Mario Quintana
(1906-1994)