Mostrando postagens com marcador de amor e de. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador de amor e de. Mostrar todas as postagens

11.1.17

Ansiedade, a vilã secreta

A conversão ao budismo foi uma decisão causada por um episódio intenso de ansiedade.
Havia sofrido um rompimento com um namorado de um ano. Ele era tudo pra mim, com quem eu queria me casar e ter filhos. Um belo dia, depois de um jantar, sem nenhuma palavra, ele me entregou a cópia das chaves que ele tinha da minha casa, e nunca mais falou comigo. Nunca mais. Não atendia meus telefonemas, ou quando muito, era monossilábico.
Após seis meses de insistência, decidi que era o suficiente: a rejeição dele tinha que ser um sinal claro para mim de que ele não queria mais ser meu namorado.
A conclusão e o rompimento eu tive que inventar já que ele nunca me comunicou o porquê da decisão dele.
A tristeza desse processo fermentou minha ansiedade: o que já era latente teve a oportunidade de aparecer com toda força, me dominar, controlar minha vida, meus pensamentos, minhas emoções.
Nesse período de limbo, enquanto eu tentava alternar táticas para 'resolver' a relação, entre ligações insistentes e silêncios por dias a fio, construí uma ansiedade que virou uma muleta para a caminhada que eu via pela frente: para mim, era uma questão de tempo para retomar o namoro. E com isso em mente, todos os meus pensamentos e ações eram voltados para esse fim. E a cada atitude mal sucedida, e que não me levava para esse resultado, mais ansiosa eu ficava.
A ansiedade que eu vivia me impedia de dormir bem, e por isso, eu estava em um constante estado de mal humor. Esse mal humor, a irritação e a agitação trocavam de lugar com um desânimo, uma preguiça de tudo e de todos.
Até claro, a gota d´água - algum dia, por algum motivo, depois de muitos comentários das amigas, dos familiares, algo em mim decidiu que esse método não estava funcionando e que então, eu deveria experimentar algo novo.
E fui meditar a convite de uma amiga.
Entendi com um insight incrível que aquilo que eu perseguia, o retorno da relação, nunca ia acontecer, e que por isso, não havia motivo para estar constantemente ansiosa. Senti um misto de alívio e decepção. Mas a prática me tirava da tristeza, me lembrava da desimportância da ansiedade e o principal - que eu não tenho praticamente nenhum controle sobre a minha vida, sobre a vida dos outros.
Nove anos passados, me encontro em uma situação semelhante emocionalmente: a ansiedade segue como vilã disfarçada de boa moça e me pega de surpresa por vezes dias a fio. Consigo identificar uma agitação no pensamento e nas ações, às vezes em minutos, às vezes demoro quase uma semana! Em geral, associo a situações não resolvidas, ou mal resolvidas, nas quais eu não tenho controle do resultado e antecipo uma resolução negativa. Também consigo observar a ansiedade ampliada nos períodos do meu ciclo menstrual em que as oscilações hormonais são mais gritantes.
Daí, respiro, medito, corto a cafeína, e deliberadamente vou fazer algo que me faça BEM - escrever aqui, por exemplo.
Essa mudança comportamental me traz uma perspectiva para olhar para a situação de uma maneira menos obsessiva, e reforça esse meu entendimento de que a ansiedade não me serve para nada, porque eu não controlo nada, logo, o melhor a fazer é seguir vivendo. Neste exato momento, tudo isso acaba de funcionar!

25.9.13

finalmente um chuva fina começa a cair

e dirijo devagar de volta pra casa, as ruas já esvaziadas do trânsito.
espirro.
sorrio.
e do nada, me dá um saudade louca de você.
acho que você gosta de chuva, como eu.

acho que se eu penso em você, é porque você precisa que seja assim.

ou será possível?
tanto tempo de silêncio 
que eu nem me lembro mais porquê você brigou comigo com tanta força.
o que me lembro - e guardo - são as palavras, as afinidades, as distâncias ficando cada vez menores...

sei lá. me deu uma saudadona de você.
talvez por estar melhor da gripe
talvez por estar menos calor
talvez por simplesmente estar mais eu hoje 
e isso tem tudo a ver com você.

ou será impossível?
depois de tantas conversas não mais, nunca mais, um sinal seu...
o que tenho - e mantenho - são as letras conexas, promessas convexas, uma amizade ficando maior, até...

ainda posso?
será que devo?
o que espero?
o que mereço?

o que devoro
o que imploro
o que devolvo
o que pergunto
o que preciso:
chover

15.9.13

silêncio em setembro

Devia ter cigarras berrando por todo lado.
Ouvi uma solitária hoje no por do sol.
Começou alto, calou-se rápido.

lavei as verduras e pus todas na geladeira
(penso se você gosta de saladas frias em dias de calor)
sorrio pro vazio

Achei que sua ausência era por raiva
asco
ou só a mais pura chateação
Escrevi muitas cartas
Mas para onde mandar?

Passei a duvidar
Nem relia mais as antigas
(mas guardei todas com cuidado)
Mas não deixei virar amargo
E só plantei afeto

Para cada pensamento 
Um beijo e abraço
E sonho de sorte

Era sempre só um afago
Toda intenção que saiu de mim
E com surpresa aceito o presente
De ter você de volta assim!

Sim, seria uma alegria
ver de volta seu nome aqui
cruzo os dedos numa figa
e espero te ver com olhos
e te ouvir com ouvidos
e  te abraçar com a pele
com o peito batendo duro
derretendo todo medo
todo gelo
todo tudo
pra sentir você sorrir!

14.9.13

você pode ver o céu agora?


tá mesclado de
cinza-e-água
 
céu ruído
batido
tambor
 
barulho
de raio-luz
faísca que trepida o chão
 
pode agora?
vê o céu
assim:
inclina a cabeça pra trás
o peito quase encontra
com a nuvem!
 
chove, agora...
a água beija com graça
a boca
o nariz
escorre no pulmão
 
cheio de ar
transforma água
na lágrima
solta
mesclada
de chuva
 
caída
no chão

12.9.13

eu sei, eu sei


mas é em vão:
me explicar.

pois se tenho palavra certa pra tudo
é porque me afogo no que sou:
rabisco

e quando conto as histórias
nem elas são verdadeiras
porque invento uma fada 
e é dela 
as mil falas 
despejadas

e dos zil dizeres
conselhos
enfim 
o todo que já declamei 
(eu sei)
chegaram nos seus ouvidos
poros
lentes de ler coração

só que não é isso:
não é letra
palavra
frase
oração

é só meu um medo
tranquilo 
pacato
que busca mil jeitos
de calar meu afeto
e dá forças pro inquieto

fala
palavra
escrita
dita
é ruína
ruído

barulho surdo
que atrapalha
engana
engasga
(o)
um muito calor
um tudo sublime
que só aparece
no calar do 
seu-olho-no-meu-olho
gritando assim
(que lá no fundo)
eu sinto ouvir: 
{aqui eu estou aqui}

10.9.13

delírios de um breve fim do mundo


deitada em lençóis quentes
é sua
a voz que ressoa
 
suor escorre
de leve
e sai
o vestido azul
 
os dedos (meus) que pesam
lembram dos seus (me esperam?)
 
pelas dobras
das coxas
dos seios
do tempo parado
 
respiro
sonhando
de olhos abertos
no branco
no nada
e em tudo que separa
 
sorrio
no escuro
e nada
(a)parece
invisível
 
infinito
segredo:
você ser
somente
dentro, fora, longe, perto
de mim
semente

9.9.13

o dia


saí correndo pra casa
tomei banho bem calma
 
tirei cada um dos cabides
me enchi de suor e loucura

ouvi música alta
andei nua de saltos
liguei o secador bem alto
passei o batom açucarado
 
troquei de roupa de novo
 
e de novo e de novo 
guardei tudo no armário
fechei a porta do quarto

olhei o display azul
acendi o incenso laranja
fechei a gaveta branca

e minutos depois eu cheguei
onde, no peito, já estava
 
você desse jeito
e eu desse outro
no fim tudo o mesmo
 
nos olhos, alento
na boca, silêncio
 
no fundo
tudo o mesmo

é que no peito, já
há tempos
estava
você
 
todo instante junto, separado,
de espera e despedida,
de encontro e falas
de mãos e alegrias
inspiração, afeto, aqui agora 
dedico a você

7.9.13

de repente


e tudo ficou fácil:
os dias duros
as noites secas
 
estranhamente sutil
viver de pequenas certezas
que vêm do fundo do eu
transformam o sério em sorriso
viram do avesso os porquês
 
é tudo sim
rindo
e andando

e tudo dá coragem de bicho!
para olhar e seguir em frente
dá uma paz de monge
para colher os frutos com a calma que traz cada estação - de chuva e de sol

eu simplesmente sinto tudo assim
fácil, sublime, sutil
forte, certeiro, do fundo do coração
 

5.9.13

vamos, rápido! deixemos o tempo ser nosso aliado!


porque melhor aliado,
em uma história insólita
não há!

pois o tempo como amigo
nos dá também a calma
como a melhor das aias

que as horas que passam 
soprem os bons ventos
e a brisa que vem daí
entre leve no seu coração

tomara que os minutos daqui
cheguem aí com beijos meus 

e que todo segundo longe assim
sejam frames de um longa metragem
de você e de mim!

4.9.13

Janelas abertas


então,
só agora choveu
passou o dia quente e sem sol
de um sufocar tão insistente 
que cigarras berravam até estourar!

em vão
horas lentas
minutos lerdos
segundos sem fim

nem o escuro
o belo da lua
o quase vento
deixaram o ar mais leve (para entrar nos meus pulmões)

meu peito
estômago
olhos e boca
tudo letárgico
do calor
do suor
da falta que você me faz

e aí, choveu
- pouco
mas molhou
e calou os bichos
instigou os ventos
e das nuvens saíram
estrelas pequenas, distantes de mim
- longe
mas molhou
e nasceu uma lágrima
que brilhou meu rosto
pingou no vestido
desenhou no colo
um longo suspiro
doce 
- desses
difíceis 
de viver sem
- desses fáceis
de querer mais


13.5.13

Casamento: o que não é. E o que deveria ser.

(escrevi esse texto a pedido do meu primo Vinícius, para o casamento dele com a Mari. O pessoal gostou tanto que decidi publicar aqui também)

Boa noite a todos. Para quem não me conhece, eu sou a Fabiana, a prima mais velha do Vinícius.

Eu fico honrada de subir aqui pra falar pra vocês num dia tão especial pra todos nós. Mas, eu não sei nada sobre casamento já que ainda não me casei! Então, o que posso dizer com certeza é o que o casamento não é ou pelo menos, não deveria ser.

O casamento não é comparável a nada: não é como viajar para um lugar nunca visitado. Não é assumir um novo emprego. Não é fazer um novo amigo. Não é. Não pode ser. Porque se fosse igual a qualquer outra coisa, seria bem mais simples de se fazer entender ou explicar por que diabos as pessoas resolvem se casar.

Sei de casais que fazem do casamento a solução financeira para a vida. Somam os salários e apostam que dali pra frente, tudo na vida será ao redor do acúmulo material. Não antecipam o tamanho do buraco emocional que se cava quando a única meta na vida é o TER e não o SER.

Também conheço gente que junta as escovas de dentes porque chegaram a uma idade cabalística – em geral, para as mulheres, são os malditos 30 anos. Aí, quando os anos passam e trazem todas as frustrações de uma escolha feita por motivos errados, a tristeza que assola aquele lar nunca supera as boas lembranças.

E há pessoas que juram de pé junto que vão resolver todos os dias solitários com uma outra pessoa ao lado pro resto da vida. Fazem daquele parceiro um quase refém da felicidade ilimitada. O mártir da alegria esfuziante. Estas pessoas se esquecem que somos sós. Nascemos assim e morremos assim. O parceiro que escolhemos para a vida não deve ser o responsável por uma descoberta tão íntima: aquela que leva à felicidade plena e que é feita da paz espiritual. Sim, é a paz de espírito que faz calar a solidão de sermos humanos.

Deve haver mil outros motivos para se explicar um casamento. Mas, o único que me convence, é o amor: aquele que se constrói todo dia, num tripé de confiança, admiração e respeito.

E aí, quando se fala em amor, somos todos cientistas e práticos! Por isso, ouso dizer que eu sei, por exemplo, que todo casamento deve ser o ponto de chegada de um percurso bem sucedido do amor. O percurso do casal, como parceiros, e o percurso subjetivo, muito pessoal, que cada um teve que trilhar – sempre inspirados pelo amor próprio e pelo amor mútuo.

E uma relação construída no amor, traz a liberdade: que é o estatuto mais sonhado, mais intrinsicamente atrelado a nós, seres humanos. Sem amor, não há liberdade. Sem liberdade, não há casamento.

A Mari e o Vi estão livres. Livres porque escolheram o amor. Este amor construído na admiração, no respeito e na confiança mútuos. Amor que ao chegar até aqui, no altar de um casamento, demonstra que teve fôlego para para tantos desencontros e reencontros, desilusões, e reencantos. É a combinação de decisões, escolhas, caminhos juntos. É quase um milagre divino!

E fazendo parte desse momento, eu, você, a gente acaba se sentindo um pouco mais livres também, seja lá qual for a nossa prisão. Ao ver o Vi e Mari tão autênticos, tão apaixonados, nos sentimos um pouquinho mais à vontade para ser o que somos: humanos e livres para amar!

Mari e Vi, vocês começam hoje a construção de um novo caminho: um caminho cravejado de alegria, fé e liberdade. Um caminho a ser trilhado com o único sentimento que transforma e constrói: o amor.

Lembrem-se de confiar, respeitar e admirar a si próprios e um ao outro. Lembrem-se que a paz na alma cala a solidão.

Mas principalmente, lembrem-se que a liberdade de escolherem estar juntos é a maior prova de amor que existe entre vocês!

Sejam felizes, meus queridos, imensamente felizes!

Fabiana Ferreira – maio 2013

7.3.13

Avalanches programadas

Ouvi dizer que há um tipo de técnica na engenharia que se usa disso: na iminência de uma possível avalanche ou desabamento em certo local, uma equipe antecipa o evento. Calculam, projetam e finalmente, provocam uma avalanche que aconteceria acidentalmente. Isto evita o transtorno como elemento surpresa e possibilita um certo controle num fenômeno natural.

Tem horas que acho que já já cai uma avalanche na minha cabeça.
Em outros momentos, sinto o coração prestes a explodir, antecipando um desabamento incontrolável de emoções.
Até aqui, tudo sob controle. Sinceramente, neste exato momento, duvido muito que algum acidente acabe com a minha lucidez e presença de espírito.

Mas, admito que a imagem de antecipar uma avalanche é bem tentadora. Provocar o transbordamento de um rio de sentimentos tem um lado positivo: a sensação de um mínimo de controle, já que transbordou no momento que escolhi e posso me previnir de eventuais danos colaterais.
Vou escolher ouvir todas as músicas, ler todas as cartas, ver dois ou três filmes e passar horas aos prantos, num misto de tristeza, raiva, e também resignação e alívio - afinal, escolher viver tudo isso na hora certa demonstra uma maturidade que eu não tinha experimentado até aqui - essa coisa adulta de se saber sofrendo, sofrer, e ainda assim, estar no presente.
Sem subterfúgios, sem depressão e sem euforia. Só a dor. E ponto.

Estar no olho do furacão, ou a da avalanche, para seguir com a metáfora. Estar, mas não SER.
O que me resta é contemplar o que sinto e penso confiando sempre que os estragos causados serão menores do que os ganhos.
E de que uma hora, tudo vira outra coisa. Porque tudo acaba. E tudo começa.
Avalanche que vira estrada. Estrada que vira caminho. Caminho que vira luz.

para Irma.

28.2.13

De cabeça pra baixo e dentro d´água

Aula 4 de natação. Nadei mil metros em intervalos diversos no período de 45 minutos.
Fui e voltei feliz da tarefa. A água tem sim algo mágico e meu corpo agradece lembrar-se de onde veio e pra quê existe: para vir à tona, para trazer vida, para se ver vivo.

Em inúmeros insights oxigenados e azuis, percebi que sempre sempre sempre consigo mais do que eu acho que posso.
Vide minha vida atual.
Vide meu desempenho aquático. Mil metros! Se me contassem isso semana passada, daria risos altos.
Agora, também! Só que de surpresa por me sentir capaz, e por à prova a dúvida que me ronda desde sempre: o que me proponho, nunca consigo chegar até o fim.
De novo, vide minha vida atual.
E de novo, vide minha aula de natação!

Depois do banho, debaixo das cobertas e de olhos fechados, sonhei muito:
Uma vida vindo à tona, um corpo vivo, a mente em silêncio.

Acordei com o sonho ainda claro, azul-piscina, músculos sentindo a possível virada:

Tem algo mágico na água, no ar, dentro de mim.
Vide minha vida.
Vide e vive!

Instead of resisting to changes, surrender. Let life be with you, not against you. If you think “My life will be upside down” don’t worry. How do you know down is not better than upside? (Rumi)
 

26.2.13

Francês

Mais uma reviravolta e aqui estou eu.
Ainda limpando as palmas das mãos, acordei com uma bola na boca do estômago e um desejo intenso.

Um não, muitos. Vamos por partes, como diz Jack, o Estripador.

Guardei no meu inbox por meses a fio, o link para um curso de francês grátis.
Meses que não foram usados para mais nada, muito menos para começar o curso de francês.
Eis que hoje, fiz minha matrícula e minha primeira lição!
Ouvidos enferrujados e um tanto distraída - defeito que aliás, vem aumentando na minha personalidade tão detalhista e disciplinada - não terminei a lição por falta de um plug in (maldita teconologia!) mas já animei bem muito.

Nas intruções para o curso, há inúmeros links úteis e um deles é o Mixxer uma página que você se cadastra e faz amigos para conversar na língua desejada. Achei a ideia genial, me cadastrei.

Aprendi francês na escola primária, por uns quatro anos. Me lembro até hoje da primeira lição. Ouço francês com as orelhas derretendo de amor, adoro a cinematografia e conheci Paris. Mas, foi definitivamente o livro de Flaubert que me tomou de paixão: Madame Bovary me causou um impacto tão grande, que não terminei de ler.
A tradução indicada por um professor de literatura parece excelente, mas achei uma puta injustiça ler tudo aquilo em português. Fechei o livro e jurei para mim que esta é aquela obra merecedora da minha saída da ignorância.

Vou aprender francês para ler Madame Bovary no original! E ponto.







3.11.12

A semente

Assim do nada, vem uma pergunta:
- Por que você não casa logo, tia Bijú?

Sim, se você tem um sobrinho de 5 anos, esteja sempre pronta para as perguntas mais surpreendentes.

- Eu vou me casar, Enzo. Mas pra casar, não dá pra ter pressa.
- Mas por que você fica demorando?
- É que o casamento Bijuzinho é igual à sementinha que você plantou no algodão.
- Aquela que eu coloquei num copinho?
- É. Você, colocou a sementinha no algodão, jogou água, colocou na janela perto do sol.
- É. E aí, nasceu uma folhinha!
- Nasceu, né? Mas não nasceu no mesmo dia! Você lembra que todo dia ia lá, olhava a sementinha...
- E não acontecia nada!
- É que a semente primeiro tem que ficar bem forte, com muita muita vontade de nascer, beber bastante água, tomar muito sol...
- E só depois que ela vai nascer?
- Isso, só depois...mas um dia, Bijúzinho, a semente nasce e aparece uma folhinha linda, verde e forte!
- Meu feijãozinho nasceu com duas folhinhas, tia Bijú!
- Que lindo, Enzo! É assim o casamento: como a sementinha no algodão, a gente planta o amor, rega, põe na luz e fica torcendo pra sair uma folhinha que se chama casamento!
- E demora, tia Bijú?
- Demora, Enzito, mas é bom que demore...porque nasce forte e lindo lindo!
(Claro, não confessei. Mas há amores que mal precisam ser plantados: diferente do casamento, o fruto do amor de tia, mal cai na terra, e a semente já vem brotando forte, plena, invencível)

19.10.12

Os homens precisam de outros homens

Lamento dizer, mas o que os homens precisam é de um outro homem.
Aquele amigo de verdade, sabe?
Eles podem jogar bola juntos, ou videogame. Ou assistir ao futebol tomando cerveja, tudo bem.
Mas os homens andam seriamente precisando ir além - precisam ser amigos uns dos outros.

A amizade masculina, tão diferente daquela entre duas mulheres, é sempre superficial, repleta de atividades. E quase invejo isso, não fosse o que me parece uma certa omissão. Os amigos homens dos homens se isentam de opinar, ouvir e, muitas vezes, dar aquele puxão de orelha, tão tão importante nas relações de amizade de verdade. Porque amigo mesmo, é aquela pessoa que te ama tanto que não consegue te ver entrando numa fria e ficar em silêncio.

Sinto que as mulheres só não se perderam mais nessas tantas revoluções do fim do século 21 porque conseguiram de alguma forma criar redes de gênero - mulheres que ajudam, escutam, brigam, amam outras mulheres.
Os homens ainda engatinham: perdidos nos variados papéis que ambos os gêneros precisam reinventar, parecem esquecer do principal: estão todos passando por situações muito semelhantes. E dividir, é como somar nesses casos.

Penso sempre nas comédicas românticas americanas, que usam estereótipos de gênero muito bem: o mocinho está atrás da mocinha; pisa na bola; a mocinha vai embora; entra em cena, o melhor amigo do mocinho - que o convence de correr atrás da mocinha, de não desistir, de fugir do orgulho e ir em frente; o mocinho ouve com atenção, se enche de coragem, reencontra a mocinha; a mocinha reconhece o esforço e dá a ele uma outra chance.

No mundo real, onde estãos os melhores amigos do personagem principal?

2.9.12

Quarenta, enfim!

Acabo de fazer 40 anos no último 29 de agosto.
Foi meu aniversário mais feliz de muitos!
Mais pelo alívio de finalmente acabar com a expectativa da chegada da nova década, que por um outro motivo qualquer.

Muitos beijos, abraços e desejos de felicidades por pessoas queridas que moram no meu coração há tempos. Outras, chegaram agora, e já ocupam um espacinho considerável!

Muita gente me fala que continuo com a mesma carinha de sempre, que não envelheço, tals.
Fico intrigada porque, apesar de pequena, sinto o envelhecimento em cada parte do corpo, da alma e da mente. Claro, me incomoda, mas não lamento.
E sinceramente, não acho nada ruim envelhecer: finalmente tenho cabelos brancos, finalmente, tenho menos energia física, o cansaço natural me faz dormir melhor, por menos horas. São muitas as alegrias do começo da velhice, garanto!

Mas, claro, tudo isso é graças a minha cabeça boa - terapeutizada, meditada, estudada, enfim - minha cabeça nunca pensou na velhice como algo terrível ou avassalador. Aliás, estive sempre um tanto ansiosa para ter no corpo a idade que tenho na mente. E ao que parece, 40 anos é essa medida exata!

Fiz quase tudo que quis.
Amei muito mais do que pensei.
Arrependimentos, muitos - e só me faz mais serena do quanto sou mesmo um ser humano normal.
Sonhos, diversos e muito melhores dos que tive aos 20, 30.
Defeitos, horríveis, incorrigíveis. Estes últimos, por fim, decidi parar de mudar. Tenho coisas péssimas sobre mim. Ponto final.

Talvez uma coisa que eu possa dizer com certeza, além da boa genética, que me mantém nova, viva é que eu nunca, jamais, me imaginei ser outra pessoa que não eu mesma.
Eu não me lembro de nunca querer ter sido um outro alguém, de estar na pele de uma outra pessoa, que eu julgasse melhor. Claro, me inspirei em inúmeras pessoas. Mas nunca quis trocar de lugar com ninguém.

No pior da minha vida, nunca pensei em desistir de ser quem sou. Acho que é isso que chamam de amor próprio. Essa honra de vestir minha pele e não abrir mão de jeito nenhum do ser humano que sou.
Porque só eu sei, lá no fundo, como é bom ser eu! Desse jeitinho mesmo. Mais uns quarenta anos, se tudo der certo!

5.3.12

Ponte

Todo mundo já cruzou uma ponte na vida: a pé, de carro. No parquinho de areia.
Uma das minhas favoritas está no Parque da Chapada dos Veadeiros.
É feita de ripas de madeira e corda. Uma ponte daquelas moles, presas firmemente de um lado e do outro no solo. E só.
Olho o outro lado, que nem é tão distante assim, seguro firme nas cordas que servem de corrimão: ao dar meu primeiro passo, a ponte toda treme!
De susto, dou um passo pra trás.
Agora, a ponte está como uma minhoca.
Medo.
Nova tentativa.
Com dois passos à frente, o peso do meu corpo todo sobre as ripas criam um estranho equilíbrio, fica quase fácil dar o terceiro passo...
O ritmo das passadas faz ondas na superfície da ponte que agora balança pra valer!
Aperto as mãos nas cordas, mas eis que quanto mais me apego ao suporte, mais difícil fica de caminhar pra frente!
No limite de cair, percebo então que sou eu quem imponho o ritmo daquela ponte a balançar!
As ripas, as cordas, tudo obedece ao meu caminhar.
Para cada passo, uma onda até o lado oposto.
E fim.
Eu sou a dona dos meus passos.
E, se não escolho todos os caminhos por onde passarei, farei deles meus próprios:
com equilíbrio único, no meu ritmo, uma onda de cada vez.

Com muito amor para todos que atravessam comigo as inúmeras pontes da minha vida. Vocês sabem quem são.

31.12.11

2012 desarmado sorrindo

Certa feita, recebi um conselho que sigo sempre que me lembro:
um desconhecido ao saber da minha mudança para Nova York me disse:
"Smile. No matter how new yorkers treat you, give them back a good old smile".
Funcionou. Para todos os mal entendidos, grosserias e chatices da Grande Maçã, aplicava o golpe do velho e bom sorriso.

É que o sorriso desarma. Desmonta a armadura de medos e preconceitos.
Sorrir para alguém em silêncio é como um espelho de almas: da sua e do outro.

Não sou diferente: estou calejada, doída da vida.
Mas, ah! Quando alguém sorri para mim - como manter a guarda alta?

Acho que o sorriso assim, grátis, sem muito porquê, ficou raro porque estamos todos armados até os dentes: literalmente, esperando o próximo ataque que vai nos levar ao chão.
Um coração partido, uma resposta atravessada, não interessa o tamanho da dor - estamos todos cansados de doer!

Devemos, portanto, tirar proveito dessa canseira toda:
Vamos abaixar a guarda.
Descansar os braços, abrir o peito num grande suspiro: sorrir!
Não é igual a esquecer a dor.
Não, não é igual ser bonzinho.
Não é fazer de conta que

O sorriso que desarma é aquele que sabemos que é letal: mata o azedume, o rabugento, o implicante. Ele supera, domina, encanta num passe de mágica!
Você sabe muito bem de qual sorriso eu estou falando...

É o sorriso de sol no picolé supergelado!
É a nuvem que resfresca o ardido do meio dia no sol!
É o telefone tocar com aquela pessoa na linha!
Isso, é esse o sorriso.

Façamos de 2012 o ano desarmado por sorrisos.
Vai ser lindo.
(um sorriso em silêncio pra você!)










17.12.11

tá bom, tá bom!

tá noite
tá molhado
táqui

tá quieto
tá frio
tá sujo ali

tá longe
tá surdo
tá sério o pensar

tá certo
tá pronto
tá feito o meu jeito de amar