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11.1.17

Ansiedade, a vilã secreta

A conversão ao budismo foi uma decisão causada por um episódio intenso de ansiedade.
Havia sofrido um rompimento com um namorado de um ano. Ele era tudo pra mim, com quem eu queria me casar e ter filhos. Um belo dia, depois de um jantar, sem nenhuma palavra, ele me entregou a cópia das chaves que ele tinha da minha casa, e nunca mais falou comigo. Nunca mais. Não atendia meus telefonemas, ou quando muito, era monossilábico.
Após seis meses de insistência, decidi que era o suficiente: a rejeição dele tinha que ser um sinal claro para mim de que ele não queria mais ser meu namorado.
A conclusão e o rompimento eu tive que inventar já que ele nunca me comunicou o porquê da decisão dele.
A tristeza desse processo fermentou minha ansiedade: o que já era latente teve a oportunidade de aparecer com toda força, me dominar, controlar minha vida, meus pensamentos, minhas emoções.
Nesse período de limbo, enquanto eu tentava alternar táticas para 'resolver' a relação, entre ligações insistentes e silêncios por dias a fio, construí uma ansiedade que virou uma muleta para a caminhada que eu via pela frente: para mim, era uma questão de tempo para retomar o namoro. E com isso em mente, todos os meus pensamentos e ações eram voltados para esse fim. E a cada atitude mal sucedida, e que não me levava para esse resultado, mais ansiosa eu ficava.
A ansiedade que eu vivia me impedia de dormir bem, e por isso, eu estava em um constante estado de mal humor. Esse mal humor, a irritação e a agitação trocavam de lugar com um desânimo, uma preguiça de tudo e de todos.
Até claro, a gota d´água - algum dia, por algum motivo, depois de muitos comentários das amigas, dos familiares, algo em mim decidiu que esse método não estava funcionando e que então, eu deveria experimentar algo novo.
E fui meditar a convite de uma amiga.
Entendi com um insight incrível que aquilo que eu perseguia, o retorno da relação, nunca ia acontecer, e que por isso, não havia motivo para estar constantemente ansiosa. Senti um misto de alívio e decepção. Mas a prática me tirava da tristeza, me lembrava da desimportância da ansiedade e o principal - que eu não tenho praticamente nenhum controle sobre a minha vida, sobre a vida dos outros.
Nove anos passados, me encontro em uma situação semelhante emocionalmente: a ansiedade segue como vilã disfarçada de boa moça e me pega de surpresa por vezes dias a fio. Consigo identificar uma agitação no pensamento e nas ações, às vezes em minutos, às vezes demoro quase uma semana! Em geral, associo a situações não resolvidas, ou mal resolvidas, nas quais eu não tenho controle do resultado e antecipo uma resolução negativa. Também consigo observar a ansiedade ampliada nos períodos do meu ciclo menstrual em que as oscilações hormonais são mais gritantes.
Daí, respiro, medito, corto a cafeína, e deliberadamente vou fazer algo que me faça BEM - escrever aqui, por exemplo.
Essa mudança comportamental me traz uma perspectiva para olhar para a situação de uma maneira menos obsessiva, e reforça esse meu entendimento de que a ansiedade não me serve para nada, porque eu não controlo nada, logo, o melhor a fazer é seguir vivendo. Neste exato momento, tudo isso acaba de funcionar!

15.12.16

Resoluções e atitudes

Esse fim de ano, para mim, já terminou. 2017 começou entre quinta passada e hoje, em alguma suspiro meu.

Essa foi uma semana de silêncios intensos e algumas revelações. Das mais importantes, decidi meditar todos os dias.

Em uma semana, meditei cinco dias, com alguns intervalos para as confraternizações.
Criei uma pequena rotina em que tenho conseguido parar por 25 minutos quando chego em casa do trabalho.

A meditação tem uma função estranha para mim: ela me liberta da soneca das cinco da tarde - horário em que eu tenho um sono quase incontrolável - e também me dá insights, perspectivas e esperança. Esse misto de funções me é uma desculpa perfeito para praticar.

Aliás, quero corrigir: eu não faço meditação, eu tenho sempre a intenção de meditar - porque de fato, a mente em silêncio só existe contada em frames! Mas a intenção - sentar-me diante do Buda, acender a vela, o incenso, e seguir visualizando as imagens do Sutra da Terra Pura, isso sim, me estimula e traz esperança.

No processo da meditação, passo a maior parte dos 25 minutos, eu diria uns 20, fazendo uma força enorme para não fazer força nenhuma, parar de pensar, parar de sentir, parar de chorar (o caso de hoje). E a minha mente, em algum momento, desfalece e finalmente se entrega a esse processo - e se cala. É mais ou menos como aprender a boiar sobre as águas de uma piscina, ou no mar: não é bem a força que você faz que te ajuda. É talvez a força que você não faz!

A intenção no budismo é uma premissa muito recomendada. Toda ação tem que ter uma intenção, um valor atribuído - de preferência, a boa intenção, para gerar o bom carma. Meditar tem que ter intenção. Mas intenção não é sinônimo de técnica, força ou repetição. Porque se fosse, eu já era Buda.

O processo é como tudo na vida: em ondas, em fases, uma coisa assim, bem orgânica, como eu e você.
Hoje, voltei feliz para casa porque a meditação me esperava. Mas quando comecei a meditar, chorei muito, me distraí com as lágrimas, com o catarro que saía do nariz, e com o fato de que eu estava perdendo meu tempo precioso de meditar com a tristeza que sinto das tantas coisas que me rodeiam.

Acho que são esses momentos de insight que são tão preciosos e que levo para a vida afora: me perceber sofrendo enquanto é hora de dirimir o sofrimento! Isso
me pareceu uma perda de tempo! E de fato, o sofrimento se esvaiu quando eu concluí a perda de tempo que ele é! E, olha: minha mente ficou em silêncio por exatos 3 frames! Uma luz dourada desceu sobre a minha cabeça,  chegando até a minha garganta. Senti meu corpo muito presente e ouvi os ruídos lá fora, a música, e a quietude do meu coração. Essa breve experiência me emocionou profundamente e de novo, saí do estado meditativo para me envaidecer da minha própria conquista. Foi um misto de gratidão com orgulho e ó - acabou a mente quieta! Não importa, sei que é assim o meu caminho do silêncio porque eu o tenho trilhado há dez anos.

Mais dez anos passarão, talvez eu jamais consiga mais de 5 frames de silêncio em toda minha vida. Mas por agora, 2017 começa (já) com sentimentos, pensamentos e emoções como nuvens num céu de brisa leve: dissipando, a cada intenção de meditar, tudo de ruim que eu faço para mim e para o mundo; silenciando, mesmo que em conta gotas, todo carma ruim que trago comigo e cessando toda ação que vem de um lugar nefasto do meu ser.

Gashô e feliz ano novo.

12.3.13

De 75 a 100%

Em mais um mergulho na piscina, ganho novo fôlego com esse insight.
Com as minhas idas à natação, religiosamente, sem ironia, nadar virou um tipo de meditação. O processo é semelhante àquele de sentar em silêncio e contemplar o agora: eu nado os primeiros 15 minutos com a cabeça cheia de pessoas, coisas, eventos. Acho que depois de um tanto, o cansaço físico toma conta da mente. E finalmente, quase no final, nada disso importa e o movimento, a água, a respiração, tudo entra num único fluxo.

E ali mesmo, nadando e engolindo água, inventei a teoria dos 75%.

Nunca fui péssima aluna. Mas nunca fiz questão de ser a melhor. Então, sempre fui a aluna 75%. 
Como bailarina, também estava sempre um pouco acima da média - mas longe de ser a primeira bailarina.
Nas aulas - tediosas - de piano, eu desisti: acho que na música, eu mal cheguei ao meu desempenho 75%...
No curso de inglês - que eu amava a cada ano mais - raramente passava dos 80% nas notas. É que eu sabia que dava pra passar, tava bom demais.
E nos concursos públicos, estar na média 75% me garantiu meu emprego atual. Mas, pelos meus cálculos, o emprego dos meus sonhos está, no mínimo, no patamar do desempenho 85%.

E ontem, tive essa súbita iluminação: sabendo da teoria dos 75%, se eu alcançar esse fluxo meditativo antes, ficará mais fácil chegar a um desempenho mais alto!

Fiz o teste: quando antes o professor me dava 400 metros de missão, eu nadava 300 no máximo. Aí, batia uma preguiça, um cansaço. Faltava só um tiquinho, mas eu deixava esse tiquinho pra lá. Ontem, decidi que era esse tiquinho que me daria o fluxo contínuo. 300 metros são o aquecimento. São os 100 metros restantes que dão exatemente o que preciso. Só que pra chegar lá, preciso inevitalmente fazer os 300 iniciais.

Descobri que racionalizando os 75% de cada tarefa dada, eu não preciso de estímulo para fazer tudo. Eu só preciso dessa força extra faltando 25% da tarefa!

Foi um truque infantil, mas funcionou lindamente. Ao contrário do que fiz a vida toda - de querer acabar logo todo projeto que me proponho - comecei ontem o caminho inverso: para toda missão aquática, pensei que eram os últimos minutos da natação que contavam para o que realmente preciso: chegar ao fluxo.

Assim foi feito: nadei 45 minutos redondos. Poucas paradas, sem roubar nenhum metrinho, mas também sem justificar que - ah, já tá bom esse tanto que nadei - não.
O bom é sentir o fluxo. E o fluxo só chega no final. Pelo menos até agora, é no final. Me aguardem.

7.3.13

Avalanches programadas

Ouvi dizer que há um tipo de técnica na engenharia que se usa disso: na iminência de uma possível avalanche ou desabamento em certo local, uma equipe antecipa o evento. Calculam, projetam e finalmente, provocam uma avalanche que aconteceria acidentalmente. Isto evita o transtorno como elemento surpresa e possibilita um certo controle num fenômeno natural.

Tem horas que acho que já já cai uma avalanche na minha cabeça.
Em outros momentos, sinto o coração prestes a explodir, antecipando um desabamento incontrolável de emoções.
Até aqui, tudo sob controle. Sinceramente, neste exato momento, duvido muito que algum acidente acabe com a minha lucidez e presença de espírito.

Mas, admito que a imagem de antecipar uma avalanche é bem tentadora. Provocar o transbordamento de um rio de sentimentos tem um lado positivo: a sensação de um mínimo de controle, já que transbordou no momento que escolhi e posso me previnir de eventuais danos colaterais.
Vou escolher ouvir todas as músicas, ler todas as cartas, ver dois ou três filmes e passar horas aos prantos, num misto de tristeza, raiva, e também resignação e alívio - afinal, escolher viver tudo isso na hora certa demonstra uma maturidade que eu não tinha experimentado até aqui - essa coisa adulta de se saber sofrendo, sofrer, e ainda assim, estar no presente.
Sem subterfúgios, sem depressão e sem euforia. Só a dor. E ponto.

Estar no olho do furacão, ou a da avalanche, para seguir com a metáfora. Estar, mas não SER.
O que me resta é contemplar o que sinto e penso confiando sempre que os estragos causados serão menores do que os ganhos.
E de que uma hora, tudo vira outra coisa. Porque tudo acaba. E tudo começa.
Avalanche que vira estrada. Estrada que vira caminho. Caminho que vira luz.

para Irma.

28.2.13

De cabeça pra baixo e dentro d´água

Aula 4 de natação. Nadei mil metros em intervalos diversos no período de 45 minutos.
Fui e voltei feliz da tarefa. A água tem sim algo mágico e meu corpo agradece lembrar-se de onde veio e pra quê existe: para vir à tona, para trazer vida, para se ver vivo.

Em inúmeros insights oxigenados e azuis, percebi que sempre sempre sempre consigo mais do que eu acho que posso.
Vide minha vida atual.
Vide meu desempenho aquático. Mil metros! Se me contassem isso semana passada, daria risos altos.
Agora, também! Só que de surpresa por me sentir capaz, e por à prova a dúvida que me ronda desde sempre: o que me proponho, nunca consigo chegar até o fim.
De novo, vide minha vida atual.
E de novo, vide minha aula de natação!

Depois do banho, debaixo das cobertas e de olhos fechados, sonhei muito:
Uma vida vindo à tona, um corpo vivo, a mente em silêncio.

Acordei com o sonho ainda claro, azul-piscina, músculos sentindo a possível virada:

Tem algo mágico na água, no ar, dentro de mim.
Vide minha vida.
Vide e vive!

Instead of resisting to changes, surrender. Let life be with you, not against you. If you think “My life will be upside down” don’t worry. How do you know down is not better than upside? (Rumi)
 

13.5.12

48 horas sem celular, ou uma coisa de cada vez

Sexta à noite, percebi a ausência do meu aparelho celular na bolsa. Com pressa, imaginei tê-lo deixado dentro do carro. Na volta, olharei as ligações, falei alto.
Pessoas ansiosas a procurarem cadeiras, em uma competição velada por um espaço, aguardamos todos a chegada da palestrante.
E eis que sobe a escadaria, a Monja Coen. Faço uma reverência sorrindo e emocionada. Murmuro um boa noite e seja bem vinda.
Ela me olha através de mim com um sorriso desses que só quem já andou muito por essa trilha tem: o rosto dos santos, o rosto dos monges, o rosto humano na sua forma mais natural: a serenidade.
Nem sério, nem sorridente. O sorriso da Mona Lisa. O sorriso da alma.
O sino toca. Há silêncio. Estou lá fora, sem vê-la, e mal ouvindo suas palavras. Mas estar ali, só isso, já me acalanta. Tudo conectado nesse momento iluminado.

Mais tarde, caminho em silêncio até o carro, procuro com preguiça o aparelho. Está escuro, deixo isso pra lá. Vou dirigindo e pensando qual a real necessidade de se ter uma conexão imediata com quem não está presente, ao meu lado, aqui e agora. 
O que estou perdendo se me desconectar do que não está aqui?

Eu mesma criei o hábito e não sei mais viver sem ele:
o hábito de me certificar a todo instante, quem me ligou, que horas são, o que está anotado para fazer nas próximas horas.
A mania de nunca estar de fato fazendo uma coisa de cada vez; uma angústia de não estar vivendo 100% o que a vida oferece.
Respiro aliviada: uma coisa de cada vez é a única maneira de se viver tudo que a vida tem!
Penso seriamente em nunca mais ter um celular.
No dia seguinte, tento em vão bloquear minha linha até encontrar meu aparelho - que suspeito ter deixado no trabalho - mas nem isso me chateia tanto.
Ligo para mim mesma e o número toca sem resposta.
Desligo sorrindo.
Passei 48 horas vivendo aonde e com quem esteve comigo.
Um sábado quieto e um domingo em família.
Há tempos não me sentia tão presente e plena.
Desconectada, fiz uma coisa de cada vez.
Mas o melhor de tudo foi ter a sensação de não ter perdido nada.

ps.: Hoje é dia de N.S. de Fátima e dia das mães. Achei auspicioso tudo isso acontecer sob o manto protetor de tantas mulheres incríveis na minha vida!


5.3.12

Ponte

Todo mundo já cruzou uma ponte na vida: a pé, de carro. No parquinho de areia.
Uma das minhas favoritas está no Parque da Chapada dos Veadeiros.
É feita de ripas de madeira e corda. Uma ponte daquelas moles, presas firmemente de um lado e do outro no solo. E só.
Olho o outro lado, que nem é tão distante assim, seguro firme nas cordas que servem de corrimão: ao dar meu primeiro passo, a ponte toda treme!
De susto, dou um passo pra trás.
Agora, a ponte está como uma minhoca.
Medo.
Nova tentativa.
Com dois passos à frente, o peso do meu corpo todo sobre as ripas criam um estranho equilíbrio, fica quase fácil dar o terceiro passo...
O ritmo das passadas faz ondas na superfície da ponte que agora balança pra valer!
Aperto as mãos nas cordas, mas eis que quanto mais me apego ao suporte, mais difícil fica de caminhar pra frente!
No limite de cair, percebo então que sou eu quem imponho o ritmo daquela ponte a balançar!
As ripas, as cordas, tudo obedece ao meu caminhar.
Para cada passo, uma onda até o lado oposto.
E fim.
Eu sou a dona dos meus passos.
E, se não escolho todos os caminhos por onde passarei, farei deles meus próprios:
com equilíbrio único, no meu ritmo, uma onda de cada vez.

Com muito amor para todos que atravessam comigo as inúmeras pontes da minha vida. Vocês sabem quem são.

6.11.11

Uma razão maior

Foi num desses dias que acordei azeda.
Saí da cama ainda com sono, o xampu não deu pra lavagem do cabelo, a calça não fechou direito na barriga. Essas coisas que chateiam.
E o pior: a faxineira usou o restinho do pó do café!
Parei na padaria pra tomar um expresso e seguir a vida.
O dia estava azul turquesa e verde esmeralda. Aqueles típicos depois da chuva.
- Bom dia! A senhora vai querer o quê?
- Oi. Um expresso, por favor.
- Um expresso saindo.
Sorri amarelo. Ninguém tem culpa do meu azedume. Mas eu também não tenho que ficar feliz porque o atendente é atencioso. Ou tenho?
- Prontinho! Um expresso! - me entregou com uma das mãos e olhou nos meus olhos. Os dele, sorriam:
- A senhora acredita que há coisas por um motivo maior? Uma razão maior que a nossa?
Segurei o pires com o café quente e olhei de volta nos olhos do senhor atrás do balcão. Um raio caiu na minha cabeça. Sem pensar, respondi:
- Sim.
E ele:
- Eu também! - virou de costas e tocou a fazer cafés, sucos, vitaminas.
Tomei aquele expresso como quem toma uma poção mágica. Fechei os olhos. Senti o cheiro forte, o amargo quente.
Sim, eu tenho certeza de que a maioria das coisas são por um motivo maior. Ou pelo menos, por razões que não as minhas.
Lá fora, o dia ainda magnífico, por exemplo.

20.6.11

Imperatriz

Com as mãos de um homem disfarçado de deus
reconheci no meu corpo o castelo que me prendia.

O ocre do barro moldou, tirando pedrinhas e cacos,
formou meus seios e pernas

E súbito, bateu - meu coração!

Era um súdito - eu, Imperatriz!

Construiu com leveza e força
na luz de um inspirar
Redondas, lisas, doídas formas
Castelo agridoce
vermelho-sangue-arterial
em veias viscosas mil!

Suave, silêncio, respiro, oh!
O amarelo cintila no ar!

Respirando redimida
Aceitei
As mãos de deus me moldavam
no castelo desse corpo que não fugi
me fez a princesa, a rainha
a Imperatriz dona de si!

Com os dedos que me tocavam
A força física veio dizer
Acorda, coração-rei!
Tantos destinos, um só caminho!

Daí, com um só gesto
Meu coração pulsou
Um músculo lívido, mole e cheio
Amor!

Eu sou a Imperatriz do meu corpo
Do meu peito e do meu amor!
Essas mãos, ar, templo
Tudo, meu!

Dona do que me rodeia a alma
Só aqui, tenho olhar feliz
O olho de dentro e o olho de fora

Eu mando
E agora
Sim, sou a Imperatriz!


12.3.11

Ciclone circulares ciclos

Estranhamente, tive uma severa TPM há dois dias.
Mas esse mês, senti uma irritação maior. Melhor: senti muita raiva mesmo. Um burburinho se apossou de mim. Uma agitação interna, uma convulsão inexplicada.
Porque nessa época do mês, sempre administro da melhor forma possível um surto de tristeza e melancolia. Daí, fico quieta, me isolo um pouco, entro pra dentro, por assim dizer...

Esse não, esse me tirou do prumo. Abalou minha estrutura: esperando a tristeza, veio a raiva.
Movimentos diferentes, ruíram minha confiança. Sem saber o que mais fazer, calei para ouvir. E o estrondo foi ruidoso.

Um tsunami chega num terremoto estrondoso e destrói a civilização mais moderna do mundo. De surpresa, superando todas as expectativas, varre o Japão e a confiança de todos nós de que a Terra é um lugar seguro para se estar.

Achei sinceramente que o movimento das ondas do mar chegaram nos mares internos do meu corpo. Senti aqui dentro a fúria incontrolável de estar fora de controle.
E como todo ser humano que habita esse planeta, virei pequena miniatura nas mãos da força natural das marés, das placas tectônicas. Nas mãos do meu próprio ciclo, fluxo vivo que insistimos em regrar, regular, reger.

Adequar o natural ao civilmente aceito: o ciclo da mulher, o ciclo das marés.
Seria este o maior ato humano de vaidade? Controlar?

De patins, percorri 12 quilômetros para só então entender:
a pretensão humana é tal que realmente pensamos que o Planeta foi desenhado para nós!
Que o ciclo da mulher veio para nos servir!

Um sorriso de canto de boca e percebo: sensações passadas, hora de reconstruir, recomeçar.
Para mim, banho, roupa, comida, cama.
Para o Japão, reengenharia, rearranjos, rezas.

Mas, para todos nós -
é (sempre) hora de repensar
o Homem não é máquina (nem a mulher!)
o Planeta não é máquina

Viver o agora é a única lembrança que levaremos desse corpo, desse mundo.
Há de se fazer o melhor de nós nascer a cada instante numa atitude
a favor do próximo
em prol do Planeta
com a certeza de que o seguinte instante melhor será.
E assim será.




9.7.10

Ventos e velas

No início dessa fase de estudos, me convenci de que só depende de mim.
É só ter disciplina, é só estar focada, é só aprender, memorizar, estudar, estudar, estudar.
Esse pragmatismo funciona, claro.

Mas, agora que a prova tem data e já inicio um estudo de revisão, me dou conta de que não
não depende só de mim.
Eu tenho que contar com uma certa sorte:
a sorte de estudar o que vai cair na prova
a sorte de me lembrar do que estudei
a sorte de estar saudável, descansada, enfim...

Além da sorte, preciso de confiança.
Confiar no caminho que escolhi, nos passos que dei até aqui.
Confiar que fiz tudo certo para chegar onde quero. Mas como contar com a confiança? De onde tiro isso?

Isso me atrapalhava o sono de ontem quando me lembrei de uma história budista que vou adaptar aqui:

Você está num mar belíssimo num barco a velas.
Seu barco é grande, confortável, do jeito que você sempre quis.
Há muitos lugares que você conhecer navegando por esse mar.
Mas, para seguir, você preisa de ventos. Ventos que acordem a velas do barco da sua vida.
Você pode ser um grande navegador. Seu barco a velas pode ser o melhor do mundo.
O mar pode ser convidativo.
Só que sem os ventos, nada acontece.
Os ventos são o Outro Poder, o Tariki.
Aquele que sopra o Próprio Poder, o Jiriki - que é você, eu, cada um de nós. Esse poder que pode muito, mas não pode tudo. Porque precisa do Outro Poder, do que completa, do que impulsiona, do que faz mover o mundo. O Buda Amida.

Fechei os olhos sorrindo, respirando fundo e já sentindo o frescor e o sopro do mar: há ventos soprando na minha vida.

É possível seguir velejando porque o Outro Poder me leva para onde quero ir.

20.5.10

Crescer na dor...será?

É indiscutível que a dor nos faz mais fortes.
O sofrimento traz perspectiva e novos parâmetros.
Com um pouco de inteligência, dá para usar o passado para evitar o pior no futuro.
Mas, será?

Sempre que vivo uma dor profunda, daquelas que acho que nunca vão acabar,
tudo que quero é que o mundo acabe. De preferência no escuro.
A desolação do sofrimento, a percepção de me sentir vulnerável e principalmente impotente, essas coisas não me deixam raciocinar nada.

Só quando passa - porque tudo passa - é que ganho fôlego, força e lucidez.
Daí, comecei a acreditar que não é bem a DOR que me faz crescer e sim, o fim dela.

Ver a vida depois da tempestade, recomeçar, me traz um alento e uma confiança em mim mesma. De que eu sou capaz de me reinventar, de aprender e tocar a vida. Mesmo cheia de cicatrizes e marcas.

Mas, o que é isso depois da tempestade?
O que me assola na bonança como um estalo?
Uma resposta que só aguardava a pergunta,
me tira da cama sorrindo, me faz dançar e cantar no chuveiro!

O que é?
Sem dúvida, não é a dor.
Com certeza, a dor é necessária para se chegar do outro lado do túnel,
Emergir do mergulho já sem fôlego para uma inspiração profunda!
Mas, não é a dor em si.

Crescer na dor, não existe.
Quando ela termina, começa outra coisa,
Essa, sim!
Me faz grande por dentro, cheia de esperança, calor e luz!
As tantas dores só me ensinaram que nunca estou pronta para elas.

No fundo, o sofrimento não traz nada de novo.
Nem perspectiva ou novos parâmetros.
Sobreviver a ele, ressuscitar da dor, é que é!
Me dá ganas de viver e dançar!

Renascer das cinzas é o segredo da dor!


18.5.10

O lado bom

Como se não bastasse meu pai na UTI, no mesmo dia, bati o carro.
Quero dizer, bateram no meu carro.
Poderia dizer que eu estava sem dormir, com o corpo todo moído de tensão, os olhos molhados de lágrimas - mas eu estava PARADA, esperando minha vez de entrar na principal!

O solavanco que senti no pescoço, nem doeu na hora. Amassou a traseira, o porta-malas não abria.
Saí do carro tranquilamente, vi o Citroen C5 da senhora e só perguntei:
- A senhora se machucou?
- Não.
- A senhora está sozinha?
- Sim.
- Me desculpe, mas meu pai está na UTI do coração e eu não tenho a menor condição de discutir isso aqui com a senhora. Me dá seu número e eu ligo pra senhora mais tarde, talvez a semana que vem.
Se ela balbuciou algumas coisas, nem sei. Deixei a mulher sozinha, entre buzinas e xingamentos, atravancando o trânsito.

Entrei no carro. Tremendo, com ânsias de nervoso. Parei numa farmácia, tomei um relaxante muscular.
- Bati o carro, falei pra minha mãe.
- Meu Deus, e agora?
- Nada. Já tomei um relaxante; depois, faço fisio, ressonância, acupuntura. Depois.
- E o carro?
- Depois eu arrumo. A mulher falou que vai pagar - falou nada. Mas nem tinha ânimo pra entrar nessa discussão.
...
Minha mãe contou pro meu pai. Que me viu e foi logo perguntando:
- Amassou muito?
- Não.
- Anotou a placa?
- Han han - mentira. Nem me lembrei disso! - a mulher falou que vai pagar. - outra mentira. De novo. Mas é a mesma, daí só conta uma vez.
Meu irmão chegou:
- Antou a placa?
- Han han, a mulher vai pagar.
- Fez BO?
- Ainda não, faço hoje quando chegar em casa - que foi por volta das onze e meia da noite. Nem liguei o computador.
...
Passada uma semana, liguei para a senhora do Citroen. Ela me passou o telefone do marido que é quem resolve as coisas de carro. O marido disse para eu consertar o carro com quem fosse de confiança, que ligasse pra dizer o valor do orçamento. E pediu desculpas pelo infortúnio umas cinco vezes. E desejou melhoras ao meu pai umas dez.
...
Mais uma semana, ligo para o marido da senhora do Citroen.
600 reais.
- Como a senhora prefere fazer?
- O que for melhor para o senhor. Se o senhor quiser ir até a oficina e fazer o cheque para pegar a nota fiscal, podemos nos encontrar lá. Ou o senhor pode fazer um depósito para mim e eu repasso para o mecânico.
- Eu faço o depósito agora. E de novo, desculpe pelo infortúnio, melhoras a seu pai e tudo de bom.

Assim.
Dois minutos depois, o dinheiro estava na minha conta.
Fim.
...
Será que se eu fosse muito má, um homem bom teria batido no meu carro?
Não.
Será que se eu fosse uma filha horrível e não estivesse indo ver meu pai no hospital, meu carro estaria intacto?
Sim.
É isso: eu sou legal, pessoas legais cruzam o meu caminho. Nas piores situações.

De um jeito torto, todo dia o Universo me mostra que minha trilha é essa mesma: seguir sofrendo, aprendendo, mas com certeza absoluta que em tudo tem um lado bom. Se eu não vi ainda, já já acontece um acidente pra me mostrar bem de pertinho.

ps - já já já fiz ressonância, RPG, acupuntura. E não é (totalmente) mentira. Juro.



28.4.10

Xópin Cênter

Passei no Shopping Center para fazer minha carterinha estudantil - sim, eu sou estudante de verdade esse ano - e comprar um presente de aniversário.

Meu, como eu detesto shopping!
Realmente, tudo me deixa irritada:

Eu não gosto da luz dos shoppings: excesso de luz branca, tão diferente da luz do sol!
Uma luz que ofusca, que não cria sombras, nuances, texturas...
todo mundo fica sem contorno, figurinhas coladas num álbum.

Eu também não gosto do cheiro: um cheiro de comida se mistura com o do número incrível de pessoas: suvaco, perfume, creme...atchim! Aroma de hambúguer com lavanda, não dá!

Me incomoda muito também a poluição sonora: as pessoas parecem falar mais alto, porque há música tocando nos corredores!
E perto de cada porta de loja, outra música sai lá de dentro!
Os sons se misturam desorganizadamente, provocando uma ansiedade que nasce nas orelhas e entra para dentro da testa, bem aqui, no meio dos olhos.

E os olhos, só enxergam nos largos corredores, as vitrines - cheias de coisas diferentes, que no fundo são todas iguais: é o que chamam de moda.
Essa moda que quase nunca combina comigo (combina com alguém?); e se combina, eu não tenho a menor vontade de usar...
estou sempre no antepasso da moda shopping center: quando o bico é fino, procuro tamancos; se a moda está bege, quero o roxo batata;
e quando todo mundo cansou do pink, caí de amores!

E até a livraria, ah, uma livraria!
Nem ali eu fico sossegada - a pessoinha dentro de mim pedindo peloamordobuda vamos sair daqui.
Compro a lembrancinha de presente de aniversário e sumo dali.

Dor de cabeça. Ansiosa. Quase triste.
Será que é por isso que as pessoas compram por impulso nos shoppings?
Sou só eu?
Na esperança de silenciarem tanto desconforto, usam o cartão de crédito no que acreditam precisar urgentemente: hoje, eu vi uma bolsa que tenho que ter.
Custa quase 400 reais. Quase dez cestas básicas. Um bolsa vazia.

Saí da loja, saí do shopping. Era hora da minha meditação no Templo.

Aqui, longe da bolsa e da meditação, não preciso de nenhum dos dois.

Mas voltarei à meditação.
Já ao shopping, não voltarei tão cedo!

24.4.10

Fé e religião

Comecei minha vida religiosa muito cedo.
Fui batizada antes de completar um ano.
Aos dez, fiz minha primeira comunhão num colégio Católico.
Nesse dia, tive um desentendimento com o padre. Estava de mini-saia e ele achou ruim eu chegar na casa de Deus vestida daquela maneira. E eu achei péssimo ele falar mal da minha melhor mini-saia pra ir visitar a casa de Deus. Enfim.
Confissões feitas e comunhão recebida, nunca voltei à igreja para ser Crismada. E com o andar dessa carruagem, acho bem provável nunca subir ao altar na cerimônia do Casamento.

Anos depois, em 2008, me converti ao Budismo depois de frequentar o Templo por um ano.
É pouco tempo, eu sei.
E uma decisão muito séria. Pelo menos para mim, é.

Acho difícil explicar o que me aconteceu, mas é mais ou menos quando a gente chega em casa de uma longa viagem: o passeio foi incrível, mas voltar para a nossa casa, nossa cama e lençóis é a melhor sensação de todas!

É claro que não dá pra saber se daqui a trinta anos, serei umbandista, espírita ou me converter a outra religião - e até voltar para o Catolicismo.

Mas acho estranhíssimo a postura de se mudar de religião a cada um, dois anos porque brigou com alguém da igreja ou da comunidade; porque discorda do jeito que as coisas funcionam na administração do centro ou do templo...

A única explicação que tenho é: ter uma religião é a parte mais fácil da fé.
O difícil é praticá-la na sua comunidade, com as pessoas mais distintas possíveis de você;
o complicado mesmo é aplicar aquilo que é lindo nos livros, sutras, bíblias e alcorões, no cotidiano dos templos, igrejas, centros...

No Templo Budista, tenho muitos colegas.
Fiz um, dois amigos. E ainda assim, pessoas que sequer conhecem minha casa!
A maioria dos budistas que conheço tem muito pouco em comum comigo - são pessoas mais velhas, com mais poder aquisitivo, casados e com filhos grandes.

Nas atividades do Templo, como voluntária, tenho que lidar com gente de todo tipo, budistas ou não, que desafiam minha capacidade de ser bem educada - que dizer de ser budista!

Confesso que em muitas situações, me irritei, praguejei e até falei mal das pessoas.
E em outras, simplesmente desisti de estar presente, exausta da demanda que o ser humano impõe quando quer ser chato de galochas - como diria Emília, a mais inteligente das bonecas de trapo.
Nunca entrei em um embate, deixei esse estilo na adolescência e aprendi que uma boa briga se ganha de outras formas. Também porque, com o Budismo, entendi que o silêncio é meu melhor amigo nas horas em que tudo que quero fazer é soltar os cachorros e cuspir marimbondos.
O peso da minha mudez já moveu opiniões. Inclusive as minhas próprias.

Mas, mesmo sem grandes amigos no Templo, mesmo sem muita paciência para conhecer pessoas tão diferentes, mesmo com pouca habilidade para lidar com gente rude, estranha, até agora, eu não desisti da minha fé.
Eu confio sinceramente que aonde estou e no quê acredito não estão ligados intrinsicamente ao fato de o Templo ser ou não meu lugar de amizades e afetos...

E tenho certeza absoluta que é exatamente este o meu caminho budista:
Cheio de gente diferente; gente mesquinha, vaidosa, covarde, metida; gente como eu - com defeitos - que busca a luz do Buda no próximo - quando talvez devêssemos estar emanando a luz do Buda PARA O PRÓXIMO.

Nesse caminho, não há retrocesso, disse o monge Sato.
Eu não desvirei católica para virar budista.
E não sei como será meu caminho de fé para os próximos 30 anos.
Mas sou uma pessoa melhor do que eu era antes porque tenho uma fé aplicada a uma religião.
E esse compromisso - do que eu quero da religião que escolhi e das coisas que acredito - me dão forças para eu seguir aprendendo e conhecendo pessoas de todos os jeitos e maneiras.

para o meu amigo-budista, Bruno.


28.1.10

Resposta

Numa tentativa de consolar uma amiga, mandei uma carta perguntando como ela estava segurando a onda, já que passa por um momento bem difícil.
E foi ela quem me consolou com a resposta abaixo:

"(...) Quanto a onda grande, acho que quando passamos dos quarenta praticamente só encontramos ondas enormes, cada vez maiores.
Mas assim como dentro do avião não temos nada a fazer a não ser confiar no piloto, nas grandes tempestades podemos confiar profundamente que sob essas ondas enormes encontra-se um mar profundo e sereno.
Acho linda essa metáfora da mente confiante.
Mente pura, sincera, profunda e verdadeira.
Não a minha, mas a Mente do Buda que veio a mim surpreendendo-me nesse momento."

30.11.09

Mestres e Lições

"O Hachi (palinhos japoneses) foram inventados para imitar o bico do pássaro que come sementes.
Eles funcionam assim: um sozinho, não alimenta. Só os dois juntos. Mas ainda assim, às vezes também não dá certo. É preciso encontrar o ritmo, ter paciência, um ajudar o outro. É assim na vida a dois. Precisa se acertar o passo, esperar o outro, e então se alimentar de felicidades todos os dias". (Monge Haritani no casamento da Verônica e do Paulo)

...

"O passado é história, o futuro é mistério e o presente é uma dádiva. Por isso é chamado assim: PRESENTE". (Mestre Shifu no desenho "Kung Fu Panda")

...

"Tudo pode acontecer. Inclusive, NADA"
(Mãe da Tati)

23.10.09

Ensinamento

“Estudar o caminho do Buda é estudar a si mesmo.
Estudar a si mesmo é esquecer-se de si mesmo.
Esquecer-se de si mesmo é iluminar-se por tudo o que há no mundo.
Iluminar-se por tudo é tornar-se senhor de seu próprio corpo e de sua própria mente.”
(Dogen)

Eu ainda estou no primeiro verso.
E acho que fico nele até o fim dessa vida fácil, fácil...
Aff, que difícil!

21.10.09

Cirurgia auricular

Sonhei que havia feito uma cirurgia séria nos ouvidos.
Acordava depois de dormir por 18 horas, e minha mãe cuidadosamente fazia furos de brinco de diamantes nas minhas novas orelhas. Eram diamantes grandes e lindíssimos.

Entendi tudo: é hora de acordar, de estar desperta e atenta.
É o momento de aprender a ouvir.
Minha mãe, que sou eu mesma mais sábia, me mostra que as palavras são preciosas como uma pedra rara; enfeitam, mas também pesam.

15.10.09

Eu não faço a minha parte

Hoje, muitos blogs combinaram de escrever sobre aquecimento global.

Mas, eu não tenho nada a dizer.
Como todo mundo, amo a natureza.
Como todo mundo, reciclo o lixo, economizo saco plástico do mercado.
Como todo mundo, tenho um carro e ando raramente a pé ou uso o transporte público.
Como todo mundo, minha justificativa é que a culpa é do governo.
O que faço na minha rotina não contribui em nada para desacelerar as burrices humanas feitas até aqui com o meio ambiente.

Tudo bem, não frequento shoppings.
E há tempos não compro nada.
Tudo bem que decidi não trocar meu carro porque o Planeta não precisa de mais um carro zero na rua e um velho vendido a preço de banana. (e também porque eu não tenho dinheiro)

E mandei o meu carro velho para a oficina depois de 9 anos sem nunca ter trocado nada - e vou gastar uma pequena furtuna, mas acho que vou poluir menos com um carro mais regulado. Isso me consola.

O fato é - as pessoas não mudam.
Ou melhor, elas só mudam quando elas querem.
E ainda assim, é um suplício ser diferente.
O que fazer para mudar o jeito de ser, de pensar, de agir de alguém?
Não sei. Não mesmo.

Eu não mudo!
Eu não consigo mudar meu jeito de ser mal humorada de manhã!
Mudar minha rotina, então...
E olha que eu sou movida a desafios, adepta a mudanças só pra incomodar, tals.

Não, eu não faço minha parte.
Não faço porque é chato mudar, é difícil lembrar de ser diferente, é complicado reestruturar a rotina tão bem estabelecida...
E sei que o Planeta vai virar um inferno para se viver.
E penso nos meus sobrinhos que terão que aguentar chuvas e calor desmedidos por todo esse comodismo que das gerações anteriores.
Daí, penso se quero mesmo ter filhos para viver no Planeta que vou deixar como legado.
E é só nessa hora, que eu tenho vontade de mudar.