13.7.10

Rotina

Hoje foi muito difícil acordar. Mais que o comum.
Tenho tido um sono pesadíssimo, apesar de demorar a cair no sono.
Os sonhos são sempre cheios de personagens - da vida real - e com muita ação.

A aula de ontem acabou dez e meia e cheguei em casa quase onze horas.
Há 350 pessoas na minha turma.
Imaginem uma sala de aula desse tamanho!

Essa rotina só está começando.

E já antecipo agosto sendo um loooooongo mês...





12.7.10

Espiral

Uma semana já passou. E rápida!
Em retrospectiva, posso dizer que meu cronograma está impossível de ser cumprido.
E por outro lado, se não cumpri-lo, não conseguirei ver todo conteúdo até o dia da prova.

Tive um surto de ansiedade.
Daqueles que chamo de espirais:
Começo com um pensamento ruim e dele nascem inúmeros outros em cadeia,
de forma que vão me puxando para baixo num espiral circular para baixo!

Em anos de terapia, criei essa imagem e aprendi a domá-la.
A prática da meditação me ensinou a silenciar esses pesnsamentos visualizando a Terra da Paz do Buda.
E um pote de sorvete HagenDas de Macadâmia me deixou entorpecida de açúcar o suficiente para desligar do mundo e surfar na internet em busca de nada por algumas horas.

Independente das técnicas, foi um aviso:
Eu tenho que escolher como vou administrar minha ansiedade mais uma vez.
Ela pode me derrubar num espiral para baixo e me impedir de agir - congelando minhas boas ideias e atitudes, sabotando meus sonhos e planos.
E pode também se transformar em combustível: domando a ansiedade, me sinto forte para enfrentar qualquer outro desafio emocional.

Escolhi a última. Fiz um floral, mantenho as meditações, mas acabei logo com o pote de sorvete.
É que tudo bem controlar a ansiedade. Mas de preferência com a circunferência da cintura intacta. Ou quase. Ai.

E vamos à semana dois.

9.7.10

Ventos e velas

No início dessa fase de estudos, me convenci de que só depende de mim.
É só ter disciplina, é só estar focada, é só aprender, memorizar, estudar, estudar, estudar.
Esse pragmatismo funciona, claro.

Mas, agora que a prova tem data e já inicio um estudo de revisão, me dou conta de que não
não depende só de mim.
Eu tenho que contar com uma certa sorte:
a sorte de estudar o que vai cair na prova
a sorte de me lembrar do que estudei
a sorte de estar saudável, descansada, enfim...

Além da sorte, preciso de confiança.
Confiar no caminho que escolhi, nos passos que dei até aqui.
Confiar que fiz tudo certo para chegar onde quero. Mas como contar com a confiança? De onde tiro isso?

Isso me atrapalhava o sono de ontem quando me lembrei de uma história budista que vou adaptar aqui:

Você está num mar belíssimo num barco a velas.
Seu barco é grande, confortável, do jeito que você sempre quis.
Há muitos lugares que você conhecer navegando por esse mar.
Mas, para seguir, você preisa de ventos. Ventos que acordem a velas do barco da sua vida.
Você pode ser um grande navegador. Seu barco a velas pode ser o melhor do mundo.
O mar pode ser convidativo.
Só que sem os ventos, nada acontece.
Os ventos são o Outro Poder, o Tariki.
Aquele que sopra o Próprio Poder, o Jiriki - que é você, eu, cada um de nós. Esse poder que pode muito, mas não pode tudo. Porque precisa do Outro Poder, do que completa, do que impulsiona, do que faz mover o mundo. O Buda Amida.

Fechei os olhos sorrindo, respirando fundo e já sentindo o frescor e o sopro do mar: há ventos soprando na minha vida.

É possível seguir velejando porque o Outro Poder me leva para onde quero ir.

7.7.10

Emagrecimento

Estudar para concurso é como perder peso:
todo mundo sabe o que se tem que fazer, mas fica todo mundo procurando um atalho!

Não há corta caminho em nenhum dos dois:
para emagrecer, a maioria das pessoas precisa só de duas coisas - comer menos e queimar mais calorias. Ou seja, fechar a boca e mexer o corpo.
para estudar, é igual - estudar mais para saber mais.

Ah, mas tem um remedinho, tem uma pílula, tem um dica. Ok, você pode ACRESCENTAR isso na sua dieta. Mas a dieta tem que ser feita.
Ok, tem um professor ninja, um livro perfeito, lindo. Adicione isso a todas as horas de estudos. Mas sem as horas estudadas, difícil....

Han, han, conheço um vizinho, uma prima, um colega que emgraceu cem mil quilos em um mês tomando cerveja todo dia! Ele é a exceção.
Tem uma amiga de trabalho que não estudou nada, fez a prova e passou. Parabéns pra ela, não é meu caso - eu sou bem inteligente, mas ainda não sou vidente...(nem mentirosa desse tanto)

Emagrecer e passar no concurso que quero não tem caminho-de-rato. Pelo menos, não pra mim...rotina, disciplina, foco, concentração.
E especialmente: disposição, boa vontade, bom humor, ânimo, e aquela fissura boa de se fazer algo bem feito e conseguir o que ser quer.

Vamos ao dia três da dieta. Digo, dos estudos.

6.7.10

Aprendendo de mim

Sempre gostei de estudar.
Até hoje, aquele "oh" sai fácil quando finalmente compreendo um novo conceito, uma nova sequência de raciocínios.

Com esses meses de leituras, resumos e aulas, aprendi muito sobre mim também.
Meu corpo tem sido um bom livro:

A rotina diária foi adaptada a quem eu sou, e não o contrário.
Por exemplo, adotei um cochilo depois do almoço. Não tenho sono nesse horário. Mas meu corpo agradece a posição vertical e os olhos fechados. É um "log off/log on" entre o trabalho e os estudos. Em média, durmo 17 minutos. Ponho o despertador para tocar em vinte. Mas sempre acordo exatos três minutos antes.

Outra coisa: a cada 55 minutos, tenho que me levantar da cadeira. Nem preciso olhar no relógio, sei que uma hora passou. E aproveito para trocar de matéria. Meu cérebro fica entediado, disperso, preguiçoso - facilito a vida dele, mudo de assunto.

Demorou um pouco, mas prestando atenção no meu corpo está mais fácil ficar quieta, concentrada e feliz - e mais rápido parece o tempo passar!

Quando essa fase acabar, terei mais conhecimento sobre inúmeros assuntos. Mas principalmente, uma PhD de mim!




5.7.10

1 de 46

Hoje foi o dia um de quarenta e seis.
Admito: comecei os estudos em outubro de 2009 - uma revisão da língua portuguesa.
Depois estudei Lógica e Matrizes e Determinantes.
De novembro até o Reveillon, foi bem complicado criar um ritmo.
Disciplina é liberdade, e no meu caso, é passaporte para uma guinada financeira.

Explico: desde minha viagem à Turquia, voltei pensando que toda a edição que mora em mim, acabou. Ou pelo menos, preciso ter isso como diversão, e não profissão. Afinal, meu sonhos não cabem mais no meu salário.

Bem, tudo isso foi confirmado em junho, quando fui "demitida" por dois meses. Com as finanças totalmente descontraladas, em outubro me reergui e a primeira coisa que fiz com o dinheiro que sobrou do mês foi a matrícula do curso de português!

Chega de flashback!
O fato é que o edital do concurso público para o Ministério Público da União foi publicado na última sexta. E a prova, amigos, será dia 11 de setembro!
Tudo muito simbólico na minha vida, eu sei.

E por isso mesmo, estou confiante.
Tudo que tiver que ser, será.
Mas por via das dúvidas, farei tudo que me é possível fazer: me dedicar de coração.

É chegada a hora de tirar uma sabática do mundo:
entrar no meu "mode" obsessiva compulsiva e estudar quarenta e cinco dias sem sair de cima.

Depois tomo sol.
Depois, cerveja, sono, cinema.
Depois, depois.
Já fiz tudo isso muito.
Esse tempinho de nada passará rápido e é até bom pra dar saudade...(pros outros também, sabiam?)

Meus posts serão portanto, reflexo dessa bolha que entro hoje.
Prometo: ficarão abismados com a quantidade de mini-mundos podem existir em um momento assim!
Aguardem!








29.6.10

Árvores de totó

Estar com meu sobrinho Enzo tem sido um dos deleites da minha vida.
Encontro com o menino de quase três anos com a frequência que faço questão: todas as terças, quintas e domingo.
Estamos sempre rodeados de outros adultos e quase sempre, da pequena Sofia.
Mas acho um jeito de ficar com o Enzo, só com ele, pelo menos alguns minutos.

Domingo, cheguei mais cedo para o almoço e o encontrei vendo DVD.
Um dia lindo lá fora, desliguei o filminho e, pela mão, levei-o até a bicicleta.
Descemos os três.

Embaixo do prédio, ele corria na bike - ele fala bike - e eu ia atrás.
Depois, mudamos para motocicleta. E aí eu era carona. Com capacete e luvas - ele providenciou as minhas que sairam de dentro da mochila faz-de-conta.

Ao descermos da moto, ele foi fazer xixi na grama.
- Eu não preciso de ajuda, tia Biju - abaixaindo o short de Homem Aranha e a cueca de Elmo.
A umidade da urina deixou a grama brilhante e ele olhou pra mim:
- Vamos plantar uma árvore?

Plantamos. Muitas. Pé de amendoim. Pé de amora. Pé de abacaxi. Pé de mamão - esse é pra Sofia, tia Biju, porque eu não gosto de mamão.
E para finalizar o nosso pomar com chave de ouro.
- Agora, vamos plantar um pé de totó.
- Totó? E como é o gosto dessa fruta?
- E de abacaxi.
- Hmmm, e ele tem cara de que fruta?
- De manga.
- Ah, entendi. Totó tem gosto de abacaxi e cara de manga. Que delícia, Bíju!
- Han, han - ele afirma com a cabeça, os olhinhos fechados, tão certo de si, desse mundo mágico de pomares, motos, corridas de bicicleta!

Isso tudo em uns 15 minutos.
Valeu a semana toda.

28.6.10

Hoje tem jogo

Essa Copa do Mundo tá sem sal.
Não, não entendo nada de futebol e só vejo jogos de quatro em quatro anos.
Mas nesta, tá faltando de tudo um pouco:
a maioria do nosso time não joga no Brasil, nosso técnico é sisudo e introspecto, o Galvão Bueno é (continua) insuportável...

E fora isso, tem o fato de estarmos no século 21.
É gente, porque em 82, a única coisa que se fazia era ver o jogo.
Hoje, além de assistir a partida, o noticiário tem links ao vivo a cada dois segundos. Temos a internet, pessoal!

A possibilidade de se mandar uma equipe, gravar, editar e mandar a matéria pro jornal supera todas as diferenças de fuso-horário!
Impressões e comentários que vão de leigos-fanáticos a profissionais-ex-jogadores borbulham por todo lugar!

Essa super valorização, tira o valor do jogo em si.
De tanto se falar na partida, a partida perde sua aura mágica.
De tanto replay, todo mundo começa a achar o gol uma coisa básica...tipo, é só isso?
E o pior: na hora de realmente se comemorar o fim daquele jogo, todo mundo já está meio saturado, não há buzinaço, samba na esquina do bar: pra quê? É só ficar em frente à telinha e assistir a comemoração dos outros: na Bahia, no Rio, tals...

Eu confesso, ainda não entrei na onda.
Acho que nem vou entrar.
Se mais nova eu não curtia tanto assim, agora talvez seja tarde demais!
Tudo bem, não deixei de ir aos sambas e batucadas ao final de cada jogo.
E me pego repetindo os comentários que ouvi na TV só pra não ficar de fora...
Mas, no fundo, tanto faz - aliás, hoje eu nem verei o jogo. Tenho mais o que fazer. Mesmo.

Confesso, tem um lado meu torcendo pro Brasil sair logo da Copa e minha vida voltar ao normal.
Mas um outro lado do meu serzinho acha lindo demais ver um país inteiro paradinho, quietinho, um silêncio profundo na hora do jogo.

Não torço pro time. Torço pro Brasil. E se esse povo sensacional ama tanto o futebol, que assim seja: boa sorte, seleção! E que venha o Hexa!

22.6.10

Férias

Sabe a tampa do liquidificador? Tem aquela mini-tampa transparente, no meio, que encaixa, não tem?
Então, toda manhã acordo atrasada graças ao modo soneca do relógio.
Pulo rápido da cama, mas com preguiça monstra.
Do chuveiro, geral no quarto, roupa e cozinha: bato uma vitamina no liquidificador.
Linhaça, pera, suco de amora, quinua ...
glupt pra dentro e puft pro trabalho.

Nada diferente hoje.
Mas cadê a tampinha da tampa?
Ontem mesmo estava ali, eu lavei, deixei na pia...
Com a pressa, tampo o espaço vazio com a mão e ligo o aparelho:
PLUNCT, PLACT!!!

Desligo - peras não fazem tanto ruído!
Despejo o suco lentamente no copo - tlóc!
Sim, a tampinha quase virou vitamina de amora.
Bebi a coisa. Antes, porém, passei o líquido pela peneira - e nela ficaram muitos pedacinhos de plástico de tampinha de tampa de liquidificador...

A vitamina ficou ótima. Mas, definitivamente eu preciso de férias.

17.6.10

Partidas e chegadas

Despedir-se de alguém é sempre doído, nunca estamos prontos.
Ainda não dei um adeus definitivo a ninguém que amo de verdade, estão todos ao alcance do meu abraço.

Não acredito que as experiências que acumulei até aqui com decepções e tristezas, com partidas e finais infelizes sejam necessariamente uma prévia do que virá com a morte de um ente amado.

Ainda não sobrevivi à morte de um amado, mas já superei inúmeros grandes amores, longas amizades, decepções surpreendentes. Dói diferente, sem dúvida. Mas dói.
No entanto, estas dores da vida nos preparam para as próximas que serão semelhantes. Apesar de sentir com força e intensidade, sigo a vida mais serena, mais igual, mais como se nada tivesse me acontecido.
Isso é bom? Ou só sinal da idade?

Com a morte, duvido. Não sei se morrer alguém nos prepara para a ida de um próximo. Com a morte dos meus avós pelo menos, uma despedida foi sempre diferente (e doída) da outra.

E tenho certeza que é por isso que a vida me poupou, até agora, dessa tragédia que é perder alguém pra valer. Eu não tenho forças para pensar nisso.
Sim, morro de medo da morte. Da minha nem tanto. Mas assistir quem tanto amo sair desse meu mundo é insuportável!

A única coisa que me parece absoluta é que a morte chega. E quando ela chega, há de ser uma hora terrível de lágrimas e luto. Mas, ao chegar, é imprescindível vivê-la. Com toda a intensidade e tempo que ela demanda. (e cada um tem seu jeito e sua forma).

Olhar a dor da morte na hora que ela chega é um ato de fé na vida e de coragem no amor que permeia o momento.
Não tem receita, não tem remédio. Só vivendo pra ver.

com amor, para lucyana.