Dançar é uma daquelas coisas que já nasceram comigo. Sempre fez parte da minha vida celebrar com música, dança, festa. Na adolescência, iniciei meu processo de aprendizado formal e dos 13 aos 18, fiz aulas de ballet, jazz, dança afro. Além de me dar um preparo físico invejável, a dança também me levou a viajar para o Festival Internacional de Dança de Joinville (SC) aos 15 anos e me rendeu inúmeras apresentações em Brasília.
Desse curto período da minha vida, tirei inúmeras lições e experiências. Mas, desisti de dançar para estudar, viajar e seguir com outros projetos, já que o tempo dedicado era muito e eu teria que priorizar outras searas da vida, já com 18 anos.
Não fosse a pressão familiar, eu teria feito faculdade de dança na Bahia, à época, a única universidade que oferecia uma graduação em dança. O fato é que anos se passaram e eu nunca mais voltei às aulas.
Por um curto período, me aventurei pela dança do ventre, mas a logística da vida, novamente, me impediu de seguir com a diversão.
E aí, chegou 2017, e pelo facebook, vi um curso de verão aberto para iniciantes no horário perfeito. Há duas semanas, retomei as aulas e me pergunto porque passei tanto tempo me privando dessa alegria.
A nova rotina já me alertou para o modo como eu desprezo as coisas que são realmente importantes para mim, e agora sigo mais atenta às demais coisas que ignoro mas que no fundo, são o essencial.
Mostrando postagens com marcador contos de lições. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador contos de lições. Mostrar todas as postagens
12.1.17
13.5.13
Casamento: o que não é. E o que deveria ser.
(escrevi esse texto a pedido do meu primo Vinícius, para o casamento dele com a Mari. O pessoal gostou tanto que decidi publicar aqui também)
Boa noite a todos. Para quem não me conhece, eu sou a Fabiana, a prima mais velha do Vinícius.
Boa noite a todos. Para quem não me conhece, eu sou a Fabiana, a prima mais velha do Vinícius.
Eu
fico honrada de subir aqui pra falar pra vocês num dia tão especial
pra todos nós. Mas, eu não sei nada sobre casamento já que ainda
não me casei! Então, o que posso dizer com certeza é o que o
casamento não é ou pelo menos, não deveria ser.
O
casamento não é comparável a nada: não é como viajar para um
lugar nunca visitado. Não é assumir um novo emprego. Não é fazer
um novo amigo. Não é. Não pode ser. Porque se fosse igual a
qualquer outra coisa, seria bem mais simples de se fazer entender ou
explicar por que diabos as pessoas resolvem se casar.
Sei
de casais que fazem do casamento a solução financeira para a vida.
Somam os salários e apostam que dali pra frente, tudo na vida será
ao redor do acúmulo material. Não antecipam o tamanho do buraco
emocional que se cava quando a única meta na vida é o TER e não o
SER.
Também
conheço gente que junta as escovas de dentes porque chegaram a uma
idade cabalística – em geral, para as mulheres, são os malditos
30 anos. Aí, quando os anos passam e trazem todas as frustrações
de uma escolha feita por motivos errados, a tristeza que assola
aquele lar nunca supera as boas lembranças.
E
há pessoas que juram de pé junto que vão resolver todos os dias
solitários com uma outra pessoa ao lado pro resto da vida. Fazem
daquele parceiro um quase refém da felicidade ilimitada. O mártir
da alegria esfuziante. Estas pessoas se esquecem que somos sós.
Nascemos assim e morremos assim. O parceiro que escolhemos para a
vida não deve ser o responsável por uma descoberta tão íntima:
aquela que leva à felicidade plena e que é feita da paz espiritual.
Sim, é a paz de espírito que faz calar a solidão de sermos
humanos.
Deve
haver mil outros motivos para se explicar um casamento. Mas, o único
que me convence, é o amor: aquele que se constrói todo dia, num
tripé de confiança, admiração e respeito.
E
aí, quando se fala em amor, somos todos cientistas e práticos! Por
isso, ouso dizer que eu sei, por exemplo, que todo
casamento deve ser o ponto de chegada de um percurso bem sucedido do
amor. O percurso do casal, como parceiros, e o percurso subjetivo,
muito pessoal, que cada um teve que trilhar – sempre inspirados
pelo amor próprio e pelo amor mútuo.
E
uma relação construída no amor, traz a liberdade: que é o
estatuto mais sonhado, mais intrinsicamente atrelado a nós, seres
humanos. Sem amor, não há liberdade. Sem liberdade, não há
casamento.
A
Mari e o Vi estão livres. Livres porque escolheram o amor. Este amor
construído na admiração, no respeito e na confiança mútuos. Amor
que ao chegar até aqui, no altar de um casamento, demonstra que teve
fôlego para para tantos desencontros e reencontros, desilusões, e
reencantos. É a combinação de decisões, escolhas, caminhos
juntos. É quase um milagre divino!
E
fazendo parte desse momento, eu, você, a gente acaba se sentindo um
pouco mais livres também, seja lá qual for a nossa prisão. Ao ver
o Vi e Mari tão autênticos, tão apaixonados, nos sentimos um
pouquinho mais à vontade para ser o que somos: humanos e livres para
amar!
Mari
e Vi, vocês começam hoje a construção de um novo caminho: um
caminho cravejado de alegria, fé e liberdade. Um caminho a ser
trilhado com o único sentimento que transforma e constrói: o amor.
Lembrem-se
de confiar, respeitar e admirar a si próprios e um ao outro.
Lembrem-se que a paz na alma cala a solidão.
Mas
principalmente, lembrem-se que a liberdade de escolherem estar juntos
é a maior prova de amor que existe entre vocês!
Sejam
felizes, meus queridos, imensamente felizes!
Fabiana
Ferreira – maio 2013
12.3.13
De 75 a 100%
Em mais um mergulho na piscina, ganho novo fôlego com esse insight.
Com as minhas idas à natação, religiosamente, sem ironia, nadar virou um tipo de meditação. O processo é semelhante àquele de sentar em silêncio e contemplar o agora: eu nado os primeiros 15 minutos com a cabeça cheia de pessoas, coisas, eventos. Acho que depois de um tanto, o cansaço físico toma conta da mente. E finalmente, quase no final, nada disso importa e o movimento, a água, a respiração, tudo entra num único fluxo.
E ali mesmo, nadando e engolindo água, inventei a teoria dos 75%.
Nunca fui péssima aluna. Mas nunca fiz questão de ser a melhor. Então, sempre fui a aluna 75%.
Como bailarina, também estava sempre um pouco acima da média - mas longe de ser a primeira bailarina.
Nas aulas - tediosas - de piano, eu desisti: acho que na música, eu mal cheguei ao meu desempenho 75%...
No curso de inglês - que eu amava a cada ano mais - raramente passava dos 80% nas notas. É que eu sabia que dava pra passar, tava bom demais.
E nos concursos públicos, estar na média 75% me garantiu meu emprego atual. Mas, pelos meus cálculos, o emprego dos meus sonhos está, no mínimo, no patamar do desempenho 85%.
E ontem, tive essa súbita iluminação: sabendo da teoria dos 75%, se eu alcançar esse fluxo meditativo antes, ficará mais fácil chegar a um desempenho mais alto!
Fiz o teste: quando antes o professor me dava 400 metros de missão, eu nadava 300 no máximo. Aí, batia uma preguiça, um cansaço. Faltava só um tiquinho, mas eu deixava esse tiquinho pra lá. Ontem, decidi que era esse tiquinho que me daria o fluxo contínuo. 300 metros são o aquecimento. São os 100 metros restantes que dão exatemente o que preciso. Só que pra chegar lá, preciso inevitalmente fazer os 300 iniciais.
Descobri que racionalizando os 75% de cada tarefa dada, eu não preciso de estímulo para fazer tudo. Eu só preciso dessa força extra faltando 25% da tarefa!
Foi um truque infantil, mas funcionou lindamente. Ao contrário do que fiz a vida toda - de querer acabar logo todo projeto que me proponho - comecei ontem o caminho inverso: para toda missão aquática, pensei que eram os últimos minutos da natação que contavam para o que realmente preciso: chegar ao fluxo.
Assim foi feito: nadei 45 minutos redondos. Poucas paradas, sem roubar nenhum metrinho, mas também sem justificar que - ah, já tá bom esse tanto que nadei - não.
O bom é sentir o fluxo. E o fluxo só chega no final. Pelo menos até agora, é no final. Me aguardem.
Com as minhas idas à natação, religiosamente, sem ironia, nadar virou um tipo de meditação. O processo é semelhante àquele de sentar em silêncio e contemplar o agora: eu nado os primeiros 15 minutos com a cabeça cheia de pessoas, coisas, eventos. Acho que depois de um tanto, o cansaço físico toma conta da mente. E finalmente, quase no final, nada disso importa e o movimento, a água, a respiração, tudo entra num único fluxo.
E ali mesmo, nadando e engolindo água, inventei a teoria dos 75%.
Nunca fui péssima aluna. Mas nunca fiz questão de ser a melhor. Então, sempre fui a aluna 75%.
Como bailarina, também estava sempre um pouco acima da média - mas longe de ser a primeira bailarina.
Nas aulas - tediosas - de piano, eu desisti: acho que na música, eu mal cheguei ao meu desempenho 75%...
No curso de inglês - que eu amava a cada ano mais - raramente passava dos 80% nas notas. É que eu sabia que dava pra passar, tava bom demais.
E nos concursos públicos, estar na média 75% me garantiu meu emprego atual. Mas, pelos meus cálculos, o emprego dos meus sonhos está, no mínimo, no patamar do desempenho 85%.
E ontem, tive essa súbita iluminação: sabendo da teoria dos 75%, se eu alcançar esse fluxo meditativo antes, ficará mais fácil chegar a um desempenho mais alto!
Fiz o teste: quando antes o professor me dava 400 metros de missão, eu nadava 300 no máximo. Aí, batia uma preguiça, um cansaço. Faltava só um tiquinho, mas eu deixava esse tiquinho pra lá. Ontem, decidi que era esse tiquinho que me daria o fluxo contínuo. 300 metros são o aquecimento. São os 100 metros restantes que dão exatemente o que preciso. Só que pra chegar lá, preciso inevitalmente fazer os 300 iniciais.
Descobri que racionalizando os 75% de cada tarefa dada, eu não preciso de estímulo para fazer tudo. Eu só preciso dessa força extra faltando 25% da tarefa!
Foi um truque infantil, mas funcionou lindamente. Ao contrário do que fiz a vida toda - de querer acabar logo todo projeto que me proponho - comecei ontem o caminho inverso: para toda missão aquática, pensei que eram os últimos minutos da natação que contavam para o que realmente preciso: chegar ao fluxo.
Assim foi feito: nadei 45 minutos redondos. Poucas paradas, sem roubar nenhum metrinho, mas também sem justificar que - ah, já tá bom esse tanto que nadei - não.
O bom é sentir o fluxo. E o fluxo só chega no final. Pelo menos até agora, é no final. Me aguardem.
28.2.13
De cabeça pra baixo e dentro d´água
Aula 4 de natação. Nadei mil metros em intervalos diversos no período de 45 minutos.
Fui e voltei feliz da tarefa. A água tem sim algo mágico e meu corpo agradece lembrar-se de onde veio e pra quê existe: para vir à tona, para trazer vida, para se ver vivo.
Em inúmeros insights oxigenados e azuis, percebi que sempre sempre sempre consigo mais do que eu acho que posso.
Vide minha vida atual.
Vide meu desempenho aquático. Mil metros! Se me contassem isso semana passada, daria risos altos.
Agora, também! Só que de surpresa por me sentir capaz, e por à prova a dúvida que me ronda desde sempre: o que me proponho, nunca consigo chegar até o fim.
De novo, vide minha vida atual.
E de novo, vide minha aula de natação!
Depois do banho, debaixo das cobertas e de olhos fechados, sonhei muito:
Uma vida vindo à tona, um corpo vivo, a mente em silêncio.
Acordei com o sonho ainda claro, azul-piscina, músculos sentindo a possível virada:
Tem algo mágico na água, no ar, dentro de mim.
Vide minha vida.
Vide e vive!
Instead of resisting to changes, surrender. Let life be with you, not against you. If you think “My life will be upside down” don’t worry. How do you know down is not better than upside? (Rumi)
Fui e voltei feliz da tarefa. A água tem sim algo mágico e meu corpo agradece lembrar-se de onde veio e pra quê existe: para vir à tona, para trazer vida, para se ver vivo.
Em inúmeros insights oxigenados e azuis, percebi que sempre sempre sempre consigo mais do que eu acho que posso.
Vide minha vida atual.
Vide meu desempenho aquático. Mil metros! Se me contassem isso semana passada, daria risos altos.
Agora, também! Só que de surpresa por me sentir capaz, e por à prova a dúvida que me ronda desde sempre: o que me proponho, nunca consigo chegar até o fim.
De novo, vide minha vida atual.
E de novo, vide minha aula de natação!
Depois do banho, debaixo das cobertas e de olhos fechados, sonhei muito:
Uma vida vindo à tona, um corpo vivo, a mente em silêncio.
Acordei com o sonho ainda claro, azul-piscina, músculos sentindo a possível virada:
Tem algo mágico na água, no ar, dentro de mim.
Vide minha vida.
Vide e vive!
Instead of resisting to changes, surrender. Let life be with you, not against you. If you think “My life will be upside down” don’t worry. How do you know down is not better than upside? (Rumi)
26.2.13
Francês
Mais uma reviravolta e aqui estou eu.
Ainda limpando as palmas das mãos, acordei com uma bola na boca do estômago e um desejo intenso.
Um não, muitos. Vamos por partes, como diz Jack, o Estripador.
Guardei no meu inbox por meses a fio, o link para um curso de francês grátis.
Meses que não foram usados para mais nada, muito menos para começar o curso de francês.
Eis que hoje, fiz minha matrícula e minha primeira lição!
Ouvidos enferrujados e um tanto distraída - defeito que aliás, vem aumentando na minha personalidade tão detalhista e disciplinada - não terminei a lição por falta de um plug in (maldita teconologia!) mas já animei bem muito.
Nas intruções para o curso, há inúmeros links úteis e um deles é o Mixxer uma página que você se cadastra e faz amigos para conversar na língua desejada. Achei a ideia genial, me cadastrei.
Aprendi francês na escola primária, por uns quatro anos. Me lembro até hoje da primeira lição. Ouço francês com as orelhas derretendo de amor, adoro a cinematografia e conheci Paris. Mas, foi definitivamente o livro de Flaubert que me tomou de paixão: Madame Bovary me causou um impacto tão grande, que não terminei de ler.
A tradução indicada por um professor de literatura parece excelente, mas achei uma puta injustiça ler tudo aquilo em português. Fechei o livro e jurei para mim que esta é aquela obra merecedora da minha saída da ignorância.
Vou aprender francês para ler Madame Bovary no original! E ponto.
Ainda limpando as palmas das mãos, acordei com uma bola na boca do estômago e um desejo intenso.
Um não, muitos. Vamos por partes, como diz Jack, o Estripador.
Guardei no meu inbox por meses a fio, o link para um curso de francês grátis.
Meses que não foram usados para mais nada, muito menos para começar o curso de francês.
Eis que hoje, fiz minha matrícula e minha primeira lição!
Ouvidos enferrujados e um tanto distraída - defeito que aliás, vem aumentando na minha personalidade tão detalhista e disciplinada - não terminei a lição por falta de um plug in (maldita teconologia!) mas já animei bem muito.
Nas intruções para o curso, há inúmeros links úteis e um deles é o Mixxer uma página que você se cadastra e faz amigos para conversar na língua desejada. Achei a ideia genial, me cadastrei.
Aprendi francês na escola primária, por uns quatro anos. Me lembro até hoje da primeira lição. Ouço francês com as orelhas derretendo de amor, adoro a cinematografia e conheci Paris. Mas, foi definitivamente o livro de Flaubert que me tomou de paixão: Madame Bovary me causou um impacto tão grande, que não terminei de ler.
A tradução indicada por um professor de literatura parece excelente, mas achei uma puta injustiça ler tudo aquilo em português. Fechei o livro e jurei para mim que esta é aquela obra merecedora da minha saída da ignorância.
Vou aprender francês para ler Madame Bovary no original! E ponto.
16.2.12
Preencha a lacuna com a palavra adequada
questão 1.
preencha as lacunas com as palavras que completem os sentidos das orações:
a) eu adoro esse tipo de _________
b) na verdade, mesmo quando eu não sei qual ________ escrever, ainda assim, completo a oração.
c) é que eu odeio ver um espaço ________ assim, sem nada.
d) e assim fiz a vida toda: fui colando _______ nas bocas das pessoas que ficavam por demais em silêncio...
e) e inventando sentimentos nos ______ que batiam vazios nos peitos de quem cruzou meu caminho.
f) só que não é bem isso que faz sentido: completar o ______ do outro não o deixa inteiro, sabe?
g) além do mais, não sou ______ das palavras e dos sentimentos de ninguém!
h) só dos ____.
i) mas, todas as alternativas ficarão corretas
quando a sua palavra fizer você dono da sua oração: amém!
24.8.10
Setecentos e cinquenta mil inscritos
O problema do número não é a concorrência, mas a logística de um dia de prova com tanta gente!
Vamos começar um mantra!
que o meu local de prova seja:
arejado, com banheiro que tenha descarga, papel, água,
e mesa e cadeira que não belisquem as pernas da gente,
e gente que não coma com a boca aberta ou espirre em cima do seu cabelo;
e fiscais que sejam atenciosos
e não gritem com ninguém,
e que não esteja nem frio nem calor,
e que minha cadeira não fique no sol a manhã toda,
e nem tenha aranhas subindo pela sua perna e você achando que é porque não se depilou e tem um cabelinho fazendo cócegas na calça,
e claro, fora isso:
que tudo que eu sei,
eu me lembre,
e tudo que eu me lembre,
caia na prova,
que tudo que caia,
não seja anulado
e também
que eu passe entre os primeiros chamados
e os chamados sejam empossados
e os empossados entrem em exercício
e que o exercício comece em fevereiro de 2011!
amém!
Vamos começar um mantra!
que o meu local de prova seja:
arejado, com banheiro que tenha descarga, papel, água,
e mesa e cadeira que não belisquem as pernas da gente,
e gente que não coma com a boca aberta ou espirre em cima do seu cabelo;
e fiscais que sejam atenciosos
e não gritem com ninguém,
e que não esteja nem frio nem calor,
e que minha cadeira não fique no sol a manhã toda,
e nem tenha aranhas subindo pela sua perna e você achando que é porque não se depilou e tem um cabelinho fazendo cócegas na calça,
e claro, fora isso:
que tudo que eu sei,
eu me lembre,
e tudo que eu me lembre,
caia na prova,
que tudo que caia,
não seja anulado
e também
que eu passe entre os primeiros chamados
e os chamados sejam empossados
e os empossados entrem em exercício
e que o exercício comece em fevereiro de 2011!
amém!
12.7.10
Espiral
Uma semana já passou. E rápida!
Em retrospectiva, posso dizer que meu cronograma está impossível de ser cumprido.
E por outro lado, se não cumpri-lo, não conseguirei ver todo conteúdo até o dia da prova.
Tive um surto de ansiedade.
Daqueles que chamo de espirais:
Começo com um pensamento ruim e dele nascem inúmeros outros em cadeia,
de forma que vão me puxando para baixo num espiral circular para baixo!
Em anos de terapia, criei essa imagem e aprendi a domá-la.
A prática da meditação me ensinou a silenciar esses pesnsamentos visualizando a Terra da Paz do Buda.
E um pote de sorvete HagenDas de Macadâmia me deixou entorpecida de açúcar o suficiente para desligar do mundo e surfar na internet em busca de nada por algumas horas.
Independente das técnicas, foi um aviso:
Eu tenho que escolher como vou administrar minha ansiedade mais uma vez.
Ela pode me derrubar num espiral para baixo e me impedir de agir - congelando minhas boas ideias e atitudes, sabotando meus sonhos e planos.
E pode também se transformar em combustível: domando a ansiedade, me sinto forte para enfrentar qualquer outro desafio emocional.
Escolhi a última. Fiz um floral, mantenho as meditações, mas acabei logo com o pote de sorvete.
É que tudo bem controlar a ansiedade. Mas de preferência com a circunferência da cintura intacta. Ou quase. Ai.
E vamos à semana dois.
Em retrospectiva, posso dizer que meu cronograma está impossível de ser cumprido.
E por outro lado, se não cumpri-lo, não conseguirei ver todo conteúdo até o dia da prova.
Tive um surto de ansiedade.
Daqueles que chamo de espirais:
Começo com um pensamento ruim e dele nascem inúmeros outros em cadeia,
de forma que vão me puxando para baixo num espiral circular para baixo!
Em anos de terapia, criei essa imagem e aprendi a domá-la.
A prática da meditação me ensinou a silenciar esses pesnsamentos visualizando a Terra da Paz do Buda.
E um pote de sorvete HagenDas de Macadâmia me deixou entorpecida de açúcar o suficiente para desligar do mundo e surfar na internet em busca de nada por algumas horas.
Independente das técnicas, foi um aviso:
Eu tenho que escolher como vou administrar minha ansiedade mais uma vez.
Ela pode me derrubar num espiral para baixo e me impedir de agir - congelando minhas boas ideias e atitudes, sabotando meus sonhos e planos.
E pode também se transformar em combustível: domando a ansiedade, me sinto forte para enfrentar qualquer outro desafio emocional.
Escolhi a última. Fiz um floral, mantenho as meditações, mas acabei logo com o pote de sorvete.
É que tudo bem controlar a ansiedade. Mas de preferência com a circunferência da cintura intacta. Ou quase. Ai.
E vamos à semana dois.
9.7.10
Ventos e velas
No início dessa fase de estudos, me convenci de que só depende de mim.
É só ter disciplina, é só estar focada, é só aprender, memorizar, estudar, estudar, estudar.
Esse pragmatismo funciona, claro.
Mas, agora que a prova tem data e já inicio um estudo de revisão, me dou conta de que não
não depende só de mim.
Eu tenho que contar com uma certa sorte:
a sorte de estudar o que vai cair na prova
a sorte de me lembrar do que estudei
a sorte de estar saudável, descansada, enfim...
Além da sorte, preciso de confiança.
Confiar no caminho que escolhi, nos passos que dei até aqui.
Confiar que fiz tudo certo para chegar onde quero. Mas como contar com a confiança? De onde tiro isso?
Isso me atrapalhava o sono de ontem quando me lembrei de uma história budista que vou adaptar aqui:
Você está num mar belíssimo num barco a velas.
Seu barco é grande, confortável, do jeito que você sempre quis.
Há muitos lugares que você conhecer navegando por esse mar.
Mas, para seguir, você preisa de ventos. Ventos que acordem a velas do barco da sua vida.
Você pode ser um grande navegador. Seu barco a velas pode ser o melhor do mundo.
O mar pode ser convidativo.
Só que sem os ventos, nada acontece.
Os ventos são o Outro Poder, o Tariki.
Aquele que sopra o Próprio Poder, o Jiriki - que é você, eu, cada um de nós. Esse poder que pode muito, mas não pode tudo. Porque precisa do Outro Poder, do que completa, do que impulsiona, do que faz mover o mundo. O Buda Amida.
Fechei os olhos sorrindo, respirando fundo e já sentindo o frescor e o sopro do mar: há ventos soprando na minha vida.
É possível seguir velejando porque o Outro Poder me leva para onde quero ir.
É só ter disciplina, é só estar focada, é só aprender, memorizar, estudar, estudar, estudar.
Esse pragmatismo funciona, claro.
Mas, agora que a prova tem data e já inicio um estudo de revisão, me dou conta de que não
não depende só de mim.
Eu tenho que contar com uma certa sorte:
a sorte de estudar o que vai cair na prova
a sorte de me lembrar do que estudei
a sorte de estar saudável, descansada, enfim...
Além da sorte, preciso de confiança.
Confiar no caminho que escolhi, nos passos que dei até aqui.
Confiar que fiz tudo certo para chegar onde quero. Mas como contar com a confiança? De onde tiro isso?
Isso me atrapalhava o sono de ontem quando me lembrei de uma história budista que vou adaptar aqui:
Você está num mar belíssimo num barco a velas.
Seu barco é grande, confortável, do jeito que você sempre quis.
Há muitos lugares que você conhecer navegando por esse mar.
Mas, para seguir, você preisa de ventos. Ventos que acordem a velas do barco da sua vida.
Você pode ser um grande navegador. Seu barco a velas pode ser o melhor do mundo.
O mar pode ser convidativo.
Só que sem os ventos, nada acontece.
Os ventos são o Outro Poder, o Tariki.
Aquele que sopra o Próprio Poder, o Jiriki - que é você, eu, cada um de nós. Esse poder que pode muito, mas não pode tudo. Porque precisa do Outro Poder, do que completa, do que impulsiona, do que faz mover o mundo. O Buda Amida.
Fechei os olhos sorrindo, respirando fundo e já sentindo o frescor e o sopro do mar: há ventos soprando na minha vida.
É possível seguir velejando porque o Outro Poder me leva para onde quero ir.
7.7.10
Emagrecimento
Estudar para concurso é como perder peso:
todo mundo sabe o que se tem que fazer, mas fica todo mundo procurando um atalho!
Não há corta caminho em nenhum dos dois:
para emagrecer, a maioria das pessoas precisa só de duas coisas - comer menos e queimar mais calorias. Ou seja, fechar a boca e mexer o corpo.
para estudar, é igual - estudar mais para saber mais.
Ah, mas tem um remedinho, tem uma pílula, tem um dica. Ok, você pode ACRESCENTAR isso na sua dieta. Mas a dieta tem que ser feita.
Ok, tem um professor ninja, um livro perfeito, lindo. Adicione isso a todas as horas de estudos. Mas sem as horas estudadas, difícil....
Han, han, conheço um vizinho, uma prima, um colega que emgraceu cem mil quilos em um mês tomando cerveja todo dia! Ele é a exceção.
Tem uma amiga de trabalho que não estudou nada, fez a prova e passou. Parabéns pra ela, não é meu caso - eu sou bem inteligente, mas ainda não sou vidente...(nem mentirosa desse tanto)
Emagrecer e passar no concurso que quero não tem caminho-de-rato. Pelo menos, não pra mim...rotina, disciplina, foco, concentração.
E especialmente: disposição, boa vontade, bom humor, ânimo, e aquela fissura boa de se fazer algo bem feito e conseguir o que ser quer.
Vamos ao dia três da dieta. Digo, dos estudos.
todo mundo sabe o que se tem que fazer, mas fica todo mundo procurando um atalho!
Não há corta caminho em nenhum dos dois:
para emagrecer, a maioria das pessoas precisa só de duas coisas - comer menos e queimar mais calorias. Ou seja, fechar a boca e mexer o corpo.
para estudar, é igual - estudar mais para saber mais.
Ah, mas tem um remedinho, tem uma pílula, tem um dica. Ok, você pode ACRESCENTAR isso na sua dieta. Mas a dieta tem que ser feita.
Ok, tem um professor ninja, um livro perfeito, lindo. Adicione isso a todas as horas de estudos. Mas sem as horas estudadas, difícil....
Han, han, conheço um vizinho, uma prima, um colega que emgraceu cem mil quilos em um mês tomando cerveja todo dia! Ele é a exceção.
Tem uma amiga de trabalho que não estudou nada, fez a prova e passou. Parabéns pra ela, não é meu caso - eu sou bem inteligente, mas ainda não sou vidente...(nem mentirosa desse tanto)
Emagrecer e passar no concurso que quero não tem caminho-de-rato. Pelo menos, não pra mim...rotina, disciplina, foco, concentração.
E especialmente: disposição, boa vontade, bom humor, ânimo, e aquela fissura boa de se fazer algo bem feito e conseguir o que ser quer.
Vamos ao dia três da dieta. Digo, dos estudos.
6.7.10
Aprendendo de mim
Sempre gostei de estudar.
Até hoje, aquele "oh" sai fácil quando finalmente compreendo um novo conceito, uma nova sequência de raciocínios.
Com esses meses de leituras, resumos e aulas, aprendi muito sobre mim também.
Meu corpo tem sido um bom livro:
A rotina diária foi adaptada a quem eu sou, e não o contrário.
Por exemplo, adotei um cochilo depois do almoço. Não tenho sono nesse horário. Mas meu corpo agradece a posição vertical e os olhos fechados. É um "log off/log on" entre o trabalho e os estudos. Em média, durmo 17 minutos. Ponho o despertador para tocar em vinte. Mas sempre acordo exatos três minutos antes.
Outra coisa: a cada 55 minutos, tenho que me levantar da cadeira. Nem preciso olhar no relógio, sei que uma hora passou. E aproveito para trocar de matéria. Meu cérebro fica entediado, disperso, preguiçoso - facilito a vida dele, mudo de assunto.
Demorou um pouco, mas prestando atenção no meu corpo está mais fácil ficar quieta, concentrada e feliz - e mais rápido parece o tempo passar!
Quando essa fase acabar, terei mais conhecimento sobre inúmeros assuntos. Mas principalmente, uma PhD de mim!
5.7.10
1 de 46
Hoje foi o dia um de quarenta e seis.
Admito: comecei os estudos em outubro de 2009 - uma revisão da língua portuguesa.
Depois estudei Lógica e Matrizes e Determinantes.
De novembro até o Reveillon, foi bem complicado criar um ritmo.
Disciplina é liberdade, e no meu caso, é passaporte para uma guinada financeira.
Explico: desde minha viagem à Turquia, voltei pensando que toda a edição que mora em mim, acabou. Ou pelo menos, preciso ter isso como diversão, e não profissão. Afinal, meu sonhos não cabem mais no meu salário.
Bem, tudo isso foi confirmado em junho, quando fui "demitida" por dois meses. Com as finanças totalmente descontraladas, em outubro me reergui e a primeira coisa que fiz com o dinheiro que sobrou do mês foi a matrícula do curso de português!
Chega de flashback!
O fato é que o edital do concurso público para o Ministério Público da União foi publicado na última sexta. E a prova, amigos, será dia 11 de setembro!
Tudo muito simbólico na minha vida, eu sei.
E por isso mesmo, estou confiante.
Tudo que tiver que ser, será.
Mas por via das dúvidas, farei tudo que me é possível fazer: me dedicar de coração.
É chegada a hora de tirar uma sabática do mundo:
entrar no meu "mode" obsessiva compulsiva e estudar quarenta e cinco dias sem sair de cima.
Depois tomo sol.
Depois, cerveja, sono, cinema.
Depois, depois.
Já fiz tudo isso muito.
Esse tempinho de nada passará rápido e é até bom pra dar saudade...(pros outros também, sabiam?)
Meus posts serão portanto, reflexo dessa bolha que entro hoje.
Prometo: ficarão abismados com a quantidade de mini-mundos podem existir em um momento assim!
Aguardem!
31.12.09
Último
Se a vida é um caminho com inúmeras bifurcações a serem escolhidas, 2009 foi o resumo dessa metáfora.
A cada mês do ano que passou, me deparei com escolhas a fazer - ou por aqui, ou por ali.
Agora, no último mês, no último post, me alegro de ter a certeza de sempre ter feito a melhor escolha. Sim, porque a melhor é sempre aquela que fazemos e ponto final!
Viajei para os lugares certos, na hora certa; conheci pessoas boas e más e escolhi me aproximar (ou me afastar) de ambas, também no momento certo; fiz uma escolha radical na profissão, que ainda não me trouxe frutos, mas nem por isso foi a decisão errada.
Amei e desamei. Engordei e emagreci.
Em especial, realizei o sonho de viajar para Istambul!
Minha sobrinha Sofia nasceu.
Meu avô morreu.
Meus amigos sobreviveram a todas as minhas intempéries. O mesmo para meu corpo.
Meu dinheiro diminuiu no bolso e aprendi muitas lições com isso. (em especial o fato de que não é legal ficar sem dormir por causa de dinheiro)
Meu amor aumentou por mim mesma. E em consequência, fiquei mais paciente para aprender a amar o próximo.
Este será o último post de 2009, que foi confuso, rápido, atribulado e emocionante.
O fim da década, o começo de muitos novos sonhos e desejos.
Há dez anos não passava a virada na minha cidade, Brasília.
Cá estou.
Uma forte sensação de fechar um ciclo, iniciar novos projetos - reforçar velhos objetivos - inventar novas estratégias.
Não tenho resoluções para 2010.
Espero somente ter a chance de escolher o melhor caminho, sempre.
E sei, essa chance eu sempre tive, e sempre terei.
Afinal, o melhor caminho é aquele que escolho.
Ops, outra encruzilhada - escolho esta, com o pé direito e o coração cheio de amor.
Feliz 2010!
Tin-tin!
22.10.09
Thomas X Cultura
As minhas tardes agora são na biblioteca.
Escolhi a da Casa Thomas Jefferson, uma escola de inglês que é pertinho de casa, não perco tempo no trânsito e fica aberta até tarde.
É pequena, bem iluminada, um tanto barulhenta e desorganizada. Para lembrar o jeito democrático do americano. Cada um cuida de si, tudo pode, as regras são maleáveis mas existem.
Foi também uma escolha emocional.
Dos 13 aos 17, passei minhas tardes naquele lugar.
Fui obrigada pelos meus pais a aprender a língua inglesa.
Ia para aula chorando todos os dias. Um ódio mortal daquela cultura Mickey Mouse.
O primeiro semestre foi muito difícil, mas passei com boas notas.
No segundo semestre, fiquei na turma da minha melhor amiga, me apaixonei por um amigo dela e consegui cantar uma música inteira dos Beatles. E entendi tudo.
Daí, decidi:
Eu era do time Thomas. Descontraída, sotaque califórnia. A minha cara de então.
E tinha o pessoal da Cultura Inglesa. Aquele sotaque horrível, aquelas pessoas super sérias. Argh!
Thomas 1 X Cultura 0
Aos 17, passei um ano nos Estados Unidos e um mês na Inglaterra e Europa. No primeiro, sofri horrores, saudades, isolamento, frio. No segundo, visitei lugares lindíssimos, conheci pessoas incríveis. E Londres pareceu bem melhor que minha pequena cidade no interior de Ohio.
EUA 1 x Inglaterra 1
Seis anos depois, fiz outra visita aos EUA. Dessa vez, de seis anos. A cidade escolhida foi Nova York. Me apaixonei pela cidade, pela minha profissão, pelo homem da minha vida (na época)
EUA 2 x Inglaterra 1.
Mas, 11 de setembro foi cruel, os EUA perdem um ponto - empate no jogo dos sotaques da língua.
E não é que de novo, seis anos se passam e vou novamente visitar Londres? Em 2008, meu Natal foi por lá. Visitei o sul do país, com suas praias gélidas e suas montanhas de neve e ainda por cima com os olhos escorrendo mel por um homem inglês. Tudo lindo.
EUA 1 X Inglaterra 2.
Faço essa tabelinha mental saindo da biblioteca da Thomas hoje.
Eu bem que tentei empatar o jogo novamente. Mas o ar condicionado quebrou e fazia 3 dias que eu estudava e suava na mesma proporção dentro da pequena e confortável sala de livros.
Hoje, Inglaterra venceu o jogo: peguei minha mochila e mudei de time.
Fui estudar na Cultura Inglesa. Simples, silenciosa, espaçosa. Para lembrar o lado civilizado do inglês. Cada um cuida de si, pode tudo o que não é proibido. As regras existem e nem precisam ser ditas. A minha cara de hoje.
Cheers, mate!
(sim, há uma interessante coincidência na minha vida: a cada seis anos, algo muito intenso aconteceu...mas não se apeguem a isso. Qualquer padrão vira padrão quando se quer ver um padrão...falaremos sobre isso num próximo capítulo!)
13.7.08
O hibridismo
No meu workshop de dança do ventre, aprendi um tanto sobre o Egito - o meu país de origem na outra vida.
É uma sensação muito boa me sentir totalmente ignorante sobre um assunto
Porque é um desconforto, mas ainda assim, fascinante -
Me dar conta de que ainda tenho tanto a aprender, sobre tantas coisas, me dá vontade de correr atrás do tempo perdido
E ao mesmo tempo, de respirar fundo o presente e tudo que a vida tem me dado de mãos beijadas.
Abraço tudo e levo pra debaixo das cobertas.
...
Novas pessoas têm entrado na minha vida - Atuar numa área diferente no trabalho, o Budismo, as aulas de Dança do Ventre.
Em todo lugar, me deparo com o hibridismo de cada um -
Uma dondoca com filhos de vários maridos; um desenhista businessman; uma bailarina doutora.
Sou assim também. Não me encaixo em segmento algum, sou híbrida demais.
Tenho experiências mistas e vivências paradoxais. Não tenho mais como ser rotulada.
Sou livre para ser quem sempre fui. Finalmente. Agora, me vejo como sou, sem qualquer cobrança pra caber que caixinhas pré rotuladas.
...
Quem me rodeia, me transforma, mas não me transtorna.
É uma sensação muito boa me sentir totalmente ignorante sobre um assunto
Porque é um desconforto, mas ainda assim, fascinante -
Me dar conta de que ainda tenho tanto a aprender, sobre tantas coisas, me dá vontade de correr atrás do tempo perdido
E ao mesmo tempo, de respirar fundo o presente e tudo que a vida tem me dado de mãos beijadas.
Abraço tudo e levo pra debaixo das cobertas.
...
Novas pessoas têm entrado na minha vida - Atuar numa área diferente no trabalho, o Budismo, as aulas de Dança do Ventre.
Em todo lugar, me deparo com o hibridismo de cada um -
Uma dondoca com filhos de vários maridos; um desenhista businessman; uma bailarina doutora.
Sou assim também. Não me encaixo em segmento algum, sou híbrida demais.
Tenho experiências mistas e vivências paradoxais. Não tenho mais como ser rotulada.
Sou livre para ser quem sempre fui. Finalmente. Agora, me vejo como sou, sem qualquer cobrança pra caber que caixinhas pré rotuladas.
...
Quem me rodeia, me transforma, mas não me transtorna.
26.6.08
Aula Um
As coisas são assim: vão ajuntando na minha cabeça até uma hora que não dá mais.
Minha homeopata disse que a minha energia estava muito parada no ventre.
Faz sentido - 18 horas sentadas não devem fazer bem mesmo.
Na virada do ano, três resoluções - que eu voltaria a dançar, que eu me casaria este ano, e uma última, que já esqueci
(Cris e Marcinha, vocês se lembram da minha última resolução? Ou foi cookie demais?)
E finalmente, na semana passada, soube que no século 17, eu era egípcia.
Achei que esperei tempo suficiente -
Agendei uma aula experimental
E tive medo
Da vergonha
Da idade
Do meu jeito esquisitinho de ser
Matei a aula experimental
Daí, reagendei - marquei no celular novo e tudo
Chegando lá, amarelei de novo
Só assisti a uma aula
Mas, na seguinte, não teve como fugir:
Dança do Ventre
A vergonha da minha barriga sumiu em 2 segundos
Com o primeiro longo compasso lindíssimo de música egípcia
Minha maior preocupação era imitar e aprender, imitar e aprender
Toda minha energia focada no umbigo
O centro do meu mundo
Acho que nunca olhei tanto pra minha barriga
Nunca notei as tantas combinações possíveis que se faz com um quadril
Mas, o mais incrível:
Eu não me senti uma idiota, velha, ignorante
Eu simplesmente senti meu ventre
Como centro de tudo aquilo - a música, os movimentos, o ar que enche e esvazia
Rapidamente, me senti em paz
Uma paz enérgica, cheia, ruidosa como os guizos dos lenços
Eu não me prometo nada
Mas ficou a vontade de voltar lá,
Pro centro do meu mundo
Meu ventre
Minha dança
Minha homeopata disse que a minha energia estava muito parada no ventre.
Faz sentido - 18 horas sentadas não devem fazer bem mesmo.
Na virada do ano, três resoluções - que eu voltaria a dançar, que eu me casaria este ano, e uma última, que já esqueci
(Cris e Marcinha, vocês se lembram da minha última resolução? Ou foi cookie demais?)
E finalmente, na semana passada, soube que no século 17, eu era egípcia.
Achei que esperei tempo suficiente -
Agendei uma aula experimental
E tive medo
Da vergonha
Da idade
Do meu jeito esquisitinho de ser
Matei a aula experimental
Daí, reagendei - marquei no celular novo e tudo
Chegando lá, amarelei de novo
Só assisti a uma aula
Mas, na seguinte, não teve como fugir:
Dança do Ventre
A vergonha da minha barriga sumiu em 2 segundos
Com o primeiro longo compasso lindíssimo de música egípcia
Minha maior preocupação era imitar e aprender, imitar e aprender
Toda minha energia focada no umbigo
O centro do meu mundo
Acho que nunca olhei tanto pra minha barriga
Nunca notei as tantas combinações possíveis que se faz com um quadril
Mas, o mais incrível:
Eu não me senti uma idiota, velha, ignorante
Eu simplesmente senti meu ventre
Como centro de tudo aquilo - a música, os movimentos, o ar que enche e esvazia
Rapidamente, me senti em paz
Uma paz enérgica, cheia, ruidosa como os guizos dos lenços
Eu não me prometo nada
Mas ficou a vontade de voltar lá,
Pro centro do meu mundo
Meu ventre
Minha dança
6.3.08
Lições de dança - parte I
Não tinha jeito. Lá em casa, se a gente escolhesse alguma coisa, tinha que ir até o fim. Não entendia muito bem o que isso significava, mas depois de 3 anos consecutivos implorando pra entrar na aula de jazz, meu pai me deu de presente, aos 12 anos, a matrícula da Academia Lúcia Toller.
Fiquei muito sem graça. Acho que foi a única surpresa da minha vida inteira.
As aulas eram três vezes por semana, no fim da tarde. Nos dias intercalados, tinha aulas de piano.
A minha primeira aula foi com uma amiga da escola. Ela já fazia ballet, mas era um alívio ver uma cara conhecida na sala.
Eu não tinha malha, meia-calça, sapatilha. Peguei um maiô da minha mãe, uma meia-calça social e cortei os pés. Fiz minha primeira aula descalça.
Ao chegar na sala, toda espelhada com barras de ferro em duas alturas rodeando toda a extensão das paredes, me dei conta - eu teria que me olhar no espelho.
Senti uma timidez profunda.
Vergonha do desenho do meu corpo, com seios de mulher e barriga saliente de menina.
Fiz a aula de camiseta, não tive coragem de ficar de maiô.
A aula seguia a dinâmica do ballet clássico - aquecimento na barra, barra, diagonal, centro, coreografia.
Os movimentos foram abaixando minha ansiedade e na hora da diagonal - que é quando aprendemos os saltos - me senti livre, feliz, voando.
Já não me lembrava da grossura das minhas coxas, da largura dos meus quadris. Já não me sentia feia, deslocada, baixinha, gordinha.
Eu dançava. E assim seria por muitos e muitos anos.
Na volta da academia, a pé, segui as rachaduras das calçadas causadas pelas imensas árvores que arborizam a Asa Sul. A força daquelas raízes empurravam o concreto, e de quebra nasciam gramas, florzinhas, saídas de formigueiros por entre as cavidades duras do chão.
Durante anos percorri o mesmo caminho, em diversas horas do dia, nos finais de semana, nas férias da escola.
As raízes quebravam o concreto, a dança moldava meu corpo.
Hoje vejo que foi dançando que me senti mulher - não foi o sutiã, nem as cólicas mensais, muito menos o primeiro beijo.
Dançar me acordou pra mim. E todos os anos seguintes percebia a cada aula, quem eu era e quem eu gostaria de ser.
Fiquei muito sem graça. Acho que foi a única surpresa da minha vida inteira.
As aulas eram três vezes por semana, no fim da tarde. Nos dias intercalados, tinha aulas de piano.
A minha primeira aula foi com uma amiga da escola. Ela já fazia ballet, mas era um alívio ver uma cara conhecida na sala.
Eu não tinha malha, meia-calça, sapatilha. Peguei um maiô da minha mãe, uma meia-calça social e cortei os pés. Fiz minha primeira aula descalça.
Ao chegar na sala, toda espelhada com barras de ferro em duas alturas rodeando toda a extensão das paredes, me dei conta - eu teria que me olhar no espelho.
Senti uma timidez profunda.
Vergonha do desenho do meu corpo, com seios de mulher e barriga saliente de menina.
Fiz a aula de camiseta, não tive coragem de ficar de maiô.
A aula seguia a dinâmica do ballet clássico - aquecimento na barra, barra, diagonal, centro, coreografia.
Os movimentos foram abaixando minha ansiedade e na hora da diagonal - que é quando aprendemos os saltos - me senti livre, feliz, voando.
Já não me lembrava da grossura das minhas coxas, da largura dos meus quadris. Já não me sentia feia, deslocada, baixinha, gordinha.
Eu dançava. E assim seria por muitos e muitos anos.
Na volta da academia, a pé, segui as rachaduras das calçadas causadas pelas imensas árvores que arborizam a Asa Sul. A força daquelas raízes empurravam o concreto, e de quebra nasciam gramas, florzinhas, saídas de formigueiros por entre as cavidades duras do chão.
Durante anos percorri o mesmo caminho, em diversas horas do dia, nos finais de semana, nas férias da escola.
As raízes quebravam o concreto, a dança moldava meu corpo.
Hoje vejo que foi dançando que me senti mulher - não foi o sutiã, nem as cólicas mensais, muito menos o primeiro beijo.
Dançar me acordou pra mim. E todos os anos seguintes percebia a cada aula, quem eu era e quem eu gostaria de ser.
5.3.08
Lições de piano - epílogo
O conservatório de música de Brasília ficava na 503 sul, bem na esquina.
Além de já usar sutiã, comecei a frequentar as aulas, duas vezes por semana, agora usando moddess aderente à calcinha.
As aulas de teoria eram numa sala minúscula e abafada, e eu sempre chegava atrasada. Era irresistível: eu dormia profundamente. Daqueles cochilos do pescoço cair pra frente e o lápis cair da mão. Nas provas, me saía bem o suficiente para passar raspando.
As aulas práticas eram no andar de cima, as pernas pareciam pesar mil quilos para chegar até lá. A professora era gordinha, baixinha, simpática. Estudava as peças dificílimas e em cada prova, passava de raspão. Ela me elogiava mas exigia mais dedicação.
E eu não queria me dedicar: além do piano, fazia também aulas de inglês e finalmente começava as aulas de dança que estavam consumindo meu coração de paixão.
Eu tinha que arranjar um jeito de convencer meus pais que música não era pra mim, mas que a culpa não era minha. E assim fiz:
Eis que chegou a fase da prova final - eu deveria me apresentar num pequeno recital de piano para uma banca de professores que me aprovariam para o Técnico - que é tipo um segundo grau para os músicos, hora de começar a pensar qual instrumento você quer ter quando crescer, tal.
Estudei o quanto eu consegui. A prova teórica veio primeiro. Eu mal consegui ficar acordada para terminar. E não passei.
O dia do recital chegou e estava nervosa. Além da peça que ensaiei muito, tinha que tocar dois ou três exercícios de escalas.
Era uma sala maior de todas, as professoras me olhavam com silêncio e carinho.
Mas eu não merecia. Errei inúmeras vezes, recomecei duas ou três.
E quanto mais eu tocava, menos eu enxergava a partitura, o teclado.
Estava surda, suada, e com o choro preso nos lábios.
Ao final, o olhar de piedade de todos já me dava a nota - saí da sala para chorar lá na W3.
Se eu soubesse que a metade era TPM... Mas eu tinha feito 13 anos, o elástico do sutiã apertava, a dor no pé da barriga era uma novidade grande demais, e aquela reprovação me fez a pior nova mulher do planeta!
A professora me explicou que meus dedos eram muito pequenos, que eu precisaria de mais um ano de prática para fazer a nova prova e que aí, quem sabe com dedos crescidos, passaria para o Técnico.
Voltei pra casa com a desculpa na ponta da língua:
- a professora falou que meus dedos são pequenos e como o médico disse que eu não vou mais crescer porque já fiquei menstruada, então minha carreira de pianista se encerra aqui. Eu não alcanço uma oitava com os dedos de cada mão. Não posso mais estudar piano.
Abandonei a música. Nunca fui me despedir da professora, nunca mais passei na frente do Conservatório.
E nunca mais o piano de casa tocou nas tardes quentes dos dias de escola.
Passados tantos anos, ele me olha com dor de desafinado, humilhado, incompreendido. Tipo eu quando saí daquela sala de recital.
O piano da sala e eu nos amamos sem nunca mais nos tocarmos.
Além de já usar sutiã, comecei a frequentar as aulas, duas vezes por semana, agora usando moddess aderente à calcinha.
As aulas de teoria eram numa sala minúscula e abafada, e eu sempre chegava atrasada. Era irresistível: eu dormia profundamente. Daqueles cochilos do pescoço cair pra frente e o lápis cair da mão. Nas provas, me saía bem o suficiente para passar raspando.
As aulas práticas eram no andar de cima, as pernas pareciam pesar mil quilos para chegar até lá. A professora era gordinha, baixinha, simpática. Estudava as peças dificílimas e em cada prova, passava de raspão. Ela me elogiava mas exigia mais dedicação.
E eu não queria me dedicar: além do piano, fazia também aulas de inglês e finalmente começava as aulas de dança que estavam consumindo meu coração de paixão.
Eu tinha que arranjar um jeito de convencer meus pais que música não era pra mim, mas que a culpa não era minha. E assim fiz:
Eis que chegou a fase da prova final - eu deveria me apresentar num pequeno recital de piano para uma banca de professores que me aprovariam para o Técnico - que é tipo um segundo grau para os músicos, hora de começar a pensar qual instrumento você quer ter quando crescer, tal.
Estudei o quanto eu consegui. A prova teórica veio primeiro. Eu mal consegui ficar acordada para terminar. E não passei.
O dia do recital chegou e estava nervosa. Além da peça que ensaiei muito, tinha que tocar dois ou três exercícios de escalas.
Era uma sala maior de todas, as professoras me olhavam com silêncio e carinho.
Mas eu não merecia. Errei inúmeras vezes, recomecei duas ou três.
E quanto mais eu tocava, menos eu enxergava a partitura, o teclado.
Estava surda, suada, e com o choro preso nos lábios.
Ao final, o olhar de piedade de todos já me dava a nota - saí da sala para chorar lá na W3.
Se eu soubesse que a metade era TPM... Mas eu tinha feito 13 anos, o elástico do sutiã apertava, a dor no pé da barriga era uma novidade grande demais, e aquela reprovação me fez a pior nova mulher do planeta!
A professora me explicou que meus dedos eram muito pequenos, que eu precisaria de mais um ano de prática para fazer a nova prova e que aí, quem sabe com dedos crescidos, passaria para o Técnico.
Voltei pra casa com a desculpa na ponta da língua:
- a professora falou que meus dedos são pequenos e como o médico disse que eu não vou mais crescer porque já fiquei menstruada, então minha carreira de pianista se encerra aqui. Eu não alcanço uma oitava com os dedos de cada mão. Não posso mais estudar piano.
Abandonei a música. Nunca fui me despedir da professora, nunca mais passei na frente do Conservatório.
E nunca mais o piano de casa tocou nas tardes quentes dos dias de escola.
Passados tantos anos, ele me olha com dor de desafinado, humilhado, incompreendido. Tipo eu quando saí daquela sala de recital.
O piano da sala e eu nos amamos sem nunca mais nos tocarmos.
4.3.08
Lições de piano - parte III
Na verdade, na verdade, a Dona Rosália foi a mulher que fez meu primeiro teste e me encaminhou para as aulas com a Regina. Agora, ela mudara para ainda mais longe - mas ensinava crianças de todas as idades, inclusive meninas de sutiã.
Recebia dois a três alunos por vez, enquanto um fazia a prática, os outros dois faziam teoria.
Não fiz amizade com ninguém, era imperativo manter meu mau humor. Eu ia a pé, depois do almoço, no sol de escaldar. Continuava detestando as aulas e amando praticar em casa. Não havia nenhum motivo aparente para ter amigos.
Mesmo assim, Dona Rosália era uma vovó carinhosa, distraída e engraçada sem querer. Fazíamos aulas na área de serviço e no quarto de empregada da casa dela. Eu nunca entendi como aquele piano entrou naquele quartinho...
O que eu mais me lembro da Dona Rosália era mesmo o cheiro de vovó, os olhos azuis, a voz fanha cantando as notas. Contava sempre um caso sobre alguém talentoso mas preguiçoso, enfatizava a importância da prática fora das aulas e elogiava minha postura correta, as mãos ágeias mas pequenas demais...
Ela ria sempre, elogiava todos sempre, mas nunca sentou-se ao piano para tocar.
Na chegada da adolescência, ela era o último resquício da minha infância.
E sabendo disso, me deu um novo endereço num papel. Era hora de estudar música num conservatório. Eu já estava moça, precisava aprender teoria pra valer. Aulas informais eram para crianças, eu deveria conversar com meus pais e convencê-los de pagar um conservatório. Andei no sol pensando se eu já estava convencida da idéia. A resposta era óbvia - não.
Eu não tinha a menor vontade de estudar música clássica num conservatório. Mas não sabia dizer não aos meus pais. Assim que soubessem que a Dona Rosália não me daria mais aulas, eu teria que estudar no conservatório.
Faria 12 anos em breve.
E pensei que a única manobra inteligente seria negociar a música pela dança. Só ficaria no piano se finalmente pudesse dançar jazz.
O zunido das cigarras começava.
As tardes ao piano de casa ficavam mais longas, mais quentes, menos divertidas.
Entendi que eu não queria ser pianista e que para tocar bem de verdade, eu deveria fazer escolhas - mais piano, mais teoria, mais conservatório. Eu não cabia no mundo da música. Ele era restrito demais para as minhas camisetas cortadas, meus anéis da feira hippie, meu cabelo repicado.
Só que tive medo de ser abondonada por este mundo mágico e nunca mais encontrar outro mundo que me acolhesse igual.
Senti um ódio profundo de mim.
Decidi nunca mais tocar bem o suficiente. Seria mais fácil largar a música se eu não tocasse bem.
Entrei em casa, tirei os sapatos e senti os tacos frios nos pés suados.
Agora, era por o plano em ação
Recebia dois a três alunos por vez, enquanto um fazia a prática, os outros dois faziam teoria.
Não fiz amizade com ninguém, era imperativo manter meu mau humor. Eu ia a pé, depois do almoço, no sol de escaldar. Continuava detestando as aulas e amando praticar em casa. Não havia nenhum motivo aparente para ter amigos.
Mesmo assim, Dona Rosália era uma vovó carinhosa, distraída e engraçada sem querer. Fazíamos aulas na área de serviço e no quarto de empregada da casa dela. Eu nunca entendi como aquele piano entrou naquele quartinho...
O que eu mais me lembro da Dona Rosália era mesmo o cheiro de vovó, os olhos azuis, a voz fanha cantando as notas. Contava sempre um caso sobre alguém talentoso mas preguiçoso, enfatizava a importância da prática fora das aulas e elogiava minha postura correta, as mãos ágeias mas pequenas demais...
Ela ria sempre, elogiava todos sempre, mas nunca sentou-se ao piano para tocar.
Na chegada da adolescência, ela era o último resquício da minha infância.
E sabendo disso, me deu um novo endereço num papel. Era hora de estudar música num conservatório. Eu já estava moça, precisava aprender teoria pra valer. Aulas informais eram para crianças, eu deveria conversar com meus pais e convencê-los de pagar um conservatório. Andei no sol pensando se eu já estava convencida da idéia. A resposta era óbvia - não.
Eu não tinha a menor vontade de estudar música clássica num conservatório. Mas não sabia dizer não aos meus pais. Assim que soubessem que a Dona Rosália não me daria mais aulas, eu teria que estudar no conservatório.
Faria 12 anos em breve.
E pensei que a única manobra inteligente seria negociar a música pela dança. Só ficaria no piano se finalmente pudesse dançar jazz.
O zunido das cigarras começava.
As tardes ao piano de casa ficavam mais longas, mais quentes, menos divertidas.
Entendi que eu não queria ser pianista e que para tocar bem de verdade, eu deveria fazer escolhas - mais piano, mais teoria, mais conservatório. Eu não cabia no mundo da música. Ele era restrito demais para as minhas camisetas cortadas, meus anéis da feira hippie, meu cabelo repicado.
Só que tive medo de ser abondonada por este mundo mágico e nunca mais encontrar outro mundo que me acolhesse igual.
Senti um ódio profundo de mim.
Decidi nunca mais tocar bem o suficiente. Seria mais fácil largar a música se eu não tocasse bem.
Entrei em casa, tirei os sapatos e senti os tacos frios nos pés suados.
Agora, era por o plano em ação
3.3.08
Lições de piano - parte II
E lá vou eu para a casa da Valéria, a nova professora de piano.
Meu mau humor aumentou porque a casa dela era mais longe, o sol era mais forte, e a preguiça maior - estava entrando na adolescência, aquele sooono depois do almoço era totalmente incompatível com qualquer atividade intelectual.
Mas piano não era atividade, era chatice.
Então, lá vou eu, bocejando pela estrada a fora.
Toco a campainha fanha. Péeee.
Valéria abre a porta.
Ela era morena jambo, uns cabelos cacheados até os ombros.
Vestia uma blusa amarelo ovo que eu achei lindademorrer, calça jeans, sem sapatos.
Tinha um sorriso lindo e me deu beijo na bochecha.
O apartamento era iluminado graças à varanda larga, com cortinas fininhas nas paredes. O vento quente com cheiro do fim das chuvas entrava junto com a luz.
O piano ficava contra a parede do fim da sala de modo que se eu olhasse sobre o ombro direito via o Eixo Rodoviário, o Eixão da Asa Sul.
As aulas tinham a mesma rotina, mas Valéria era diferente da Regina.
Ela sorria. Ela me elogiava. E o melhor de tudo: ela tocava piano pra mim!
Todo fim de aula, a peça que eu pedisse - Bach, Bethoven, Chopin, Strauss, qualquer um da pilha de livros, partituras! Escolhia a que tinha mais risquinhos nas pautas, com o tempo mais rápido, com as notas mais estacatas!
E Valéria me ensinou como a música pode ser divertida.
Eu me apaixonei tanto por ela e ela por mim, que o piano virou a melhor hora do dia.
Voltava para casa e tocava insistentemente. Queria ter certeza que a Valéria iria gostar da lição. Chegava contando histórias da escola, solfejava me achando a melhor cantora do planeta.
Meu ouvido, minha sensibilidade, meu amor pelo instrumento, tudo cresceu rapidamente num curto espaço de tempo. Foi também quando comecei a usar sutiã.
Valéria não foi minha professora de piano por muito tempo. Acho que de tanto me dedicar, um dia ela me deu um papelzinho com o endereço e o telefone - de novo - de uma nova professora.
- Você já está muito adiantada, não tenho mais como ensinar você.
Beijou minha outra bochecha e me deu um abraço bem apertado e cheio de sorrisos.
Era minha hora de conhecer a Mãe de Todas as Professoras: a Dona Rosália.
Meu mau humor aumentou porque a casa dela era mais longe, o sol era mais forte, e a preguiça maior - estava entrando na adolescência, aquele sooono depois do almoço era totalmente incompatível com qualquer atividade intelectual.
Mas piano não era atividade, era chatice.
Então, lá vou eu, bocejando pela estrada a fora.
Toco a campainha fanha. Péeee.
Valéria abre a porta.
Ela era morena jambo, uns cabelos cacheados até os ombros.
Vestia uma blusa amarelo ovo que eu achei lindademorrer, calça jeans, sem sapatos.
Tinha um sorriso lindo e me deu beijo na bochecha.
O apartamento era iluminado graças à varanda larga, com cortinas fininhas nas paredes. O vento quente com cheiro do fim das chuvas entrava junto com a luz.
O piano ficava contra a parede do fim da sala de modo que se eu olhasse sobre o ombro direito via o Eixo Rodoviário, o Eixão da Asa Sul.
As aulas tinham a mesma rotina, mas Valéria era diferente da Regina.
Ela sorria. Ela me elogiava. E o melhor de tudo: ela tocava piano pra mim!
Todo fim de aula, a peça que eu pedisse - Bach, Bethoven, Chopin, Strauss, qualquer um da pilha de livros, partituras! Escolhia a que tinha mais risquinhos nas pautas, com o tempo mais rápido, com as notas mais estacatas!
E Valéria me ensinou como a música pode ser divertida.
Eu me apaixonei tanto por ela e ela por mim, que o piano virou a melhor hora do dia.
Voltava para casa e tocava insistentemente. Queria ter certeza que a Valéria iria gostar da lição. Chegava contando histórias da escola, solfejava me achando a melhor cantora do planeta.
Meu ouvido, minha sensibilidade, meu amor pelo instrumento, tudo cresceu rapidamente num curto espaço de tempo. Foi também quando comecei a usar sutiã.
Valéria não foi minha professora de piano por muito tempo. Acho que de tanto me dedicar, um dia ela me deu um papelzinho com o endereço e o telefone - de novo - de uma nova professora.
- Você já está muito adiantada, não tenho mais como ensinar você.
Beijou minha outra bochecha e me deu um abraço bem apertado e cheio de sorrisos.
Era minha hora de conhecer a Mãe de Todas as Professoras: a Dona Rosália.
Assinar:
Postagens (Atom)