1.4.10
Trânsito
Asa Sul é uma espécie de bairro do Plano Piloto, o famoso avião do desenho de Brasília.
A Praça dos 3 Poderes é como a cabine do piloto.
E Zebrinhas são os micro-ônibus que circulam somente no Plano. Sim, o Piloto.
Então, eu moro numa Superquadra da Asa Sul por onde passa a avenida L2. (o L vem de LESTE, e o 2, vem da sequência numérica: L1, L2, L3, L4... )
Superquadra é um jeito que o Niemeyer achou de renomear quarteirão. A gente não acha nada de super, é um quarteirão mesmo. Nós que moramos aqui só chamamos de quadra, tá bom demais.
Enfim, a minha quadra fica na beirinha da L2, onde passa o Zebrinha para o Congresso Nacional. Eu trabalho lá. Bem debaixo da bacia, a de cabeça pra cima - que é a Câmara dos Deputados. Esse formato é uma metáfora pra dizer que os deputados ouvem o povo. Não entendi. Mas foi assim que aprendi na escola. Ouvem quem? Da bacia? Ah sei...
Ouvindo ou não o povo da bacia, pago dois reais para pegar o Zebrinha que me deixa na porta do trabalho. Lindo: Economizo poluição no planeta e não me chateio para procurar uma vaga. Sim, num complexo de prédios como a Esplanada, o Niemeyer achou que todos nós iríamos a pé. Ou isso, ou nossos governadores continuam achando que a frota de ônibus da cidade já está de bom tamanho. Não, não está.
O Zebrinha da manhã me deixa no trabalho sem atraso. Já na volta, espero uma média de 15 minutos no ponto e chego em casa mais ou menos 20 minutos depois. Com sorte!
Ainda assim, isso é reclamar de barriga cheia.
A Helena, baiana de Porto Seguro, chegou em Brasília adolescente na década de 70 e foi trabalhar como empregada doméstica na casa da minha mãe. Desde essa época, mora no Setor P da Ceilândia.
Ceilândia é a maior cidade de Brasília. Quero dizer, do Distrito Federal, porque Brasília mesmo é só o tal avião. E nem é cidade, Ceilândia. É região administrativa; ou Cidade Satélite, caso o avião voasse no espaço sideral. O Niemeyer deve achar genial as tais Cidades Satélites. Vou convidá-lo para ir à casa da Helena num dia de semana, fim de expediente. De ônibus.
Do Setor P ao Plano são duas horas e meia em pé no ônibus entupido. A Helena está solteira, nunca teve filhos, é convertida da Igreja Evangélica e tem mais de 60 anos.
Para voltar para casa, ela passa pela mesma ladainha. Isso, piorando com o tempo. Ela tem 32 anos de serviço.
E o metrô não melhorou em nada esse trajeto. Até porque, quando chega na parada da Helena lá na Ceilândia, os carros do trem já estão lotados. Eu falei que o metrô anda a 50km por hora? Ah, tá...
Mas, graças aos nossos governadores, cada ano que passa há novas vias de acesso para a Ceilândia. O número de ônibus se mantém mais ou menos o mesmo. A Helena não acha que as vias de acesso melhoraram o trajeto casa-trabalho. Nem o Niemeyer. Mas ele já não acha nada faz tempo.
Já a Helena, tem certeza absoluta que a questão não é construir avenidas, mas melhorar o transporte público. Eu concordo.
Ela vem de ônibus, e eu vou de carro para chegar em casa mais cedo. De um modo ou de outro, somos mais de dois milhões de habitantes com o exato mesmo dilema: como deixar os carros em casa, chegar em tempo no compromisso, pagar o preço justo pelo transporte? Como manter a cidade verde, livre de poluição, circular em bicicletas, ter acesso a qualquer ponto do Distrito Federal num ônibus?
Isso não é mais problema do Niemeyer.
Nem dos nossos governadores. Aliás, que governadores?
31.3.10
Número um
Se estico o braço direito, sou capaz de sentir o frio que entra pela janela da frente, com o quebra-vento aberto. Estou no fusca vermelho-telha e meu pai dirige na W-3 norte. É 1974, fim de tarde. De onde estou, vejo o céu de Brasília, anil e rosa. Rosa também é a cor da calça de brim do meu pai. Boca de sino e cintura baixa. A mão direita na direção, a esquerda segura o cigarro Hilton.
Ouço o barulho da seta - tec, tec, tec, tec, tec - e o Fusca estaciona em frente à concessionária Disbrave do início da Avenida. Antecipando, me apóio no banco da frente e ponho os pés sobre o assento: de longe, vejo minha mãe. Ela nos encontra num semi-sorriso, com um vestido de florzinhas miúdas e a barriga imensa de grávida. O mês tem que ser setembro, meu irmão nasce em novembro. Já dentro do carro, seguimos para nossa casa, na 105 norte. Dali, só me lembro do cheiro liso do chão preto e brilhante debaixo do bloco. E um gramadão imenso para quem tem dois anos. Da casa, lembro do chão em taco parquet num zigue-zague de tons e geometria. E o aroma da madeira espelhada de cera.
Aqui é minha primeira memória de Brasília: em cima, um infinito incrivelmente azul. debaixo dos meus pés, o chão firme do apartamento novinho. E dentro do Fusca vermelho-telha, afeto: minha mãe, meu pai, meu irmão e eu - souvenirs de amor da nova capital.
para meus pais.
28.3.10
cinquentona, brasília
25.3.10
Exaustão
21.3.10
Inspiração
20.3.10
Volta
19.3.10
Para minha leitora, Ju - sobre o convite da Sofia
Oi, Ju! Que bom que você gostou, mas o mérito é todo da Rafaela, a mãe da Sofia! Para eu te encaminhar as informações, preciso do seu contato! Me mande seu email por email!
fabiana1972@gmail.com
Aguardo! beijos, dinda da Sofia
17.3.10
Got it
VIRGO [August 23–September 22] The storm is your friend right now, Virgo. So are the deep, dark night and the last place you'd ever think of visiting and the most important thing you'd forgotten about. So be more willing than usual to marinate in the mysteries. The areas of life that are most crucial for you to deal with can't be fully understood using the concepts your rational mind favors. The feelings that will be most useful for you to explore are unlike those you're familiar with.
15.3.10
Desistindo
11.3.10
Trabalho, Amor e até flor!
Não no sentido chato
Mas no sentido budista - do esforço alegre
A gente trabalha pra manter as amizades
pra ganhar conhecimento, dinheiro
e com o amor não pode ser diferente
Amar é um trabalho árduo, diário, que muitas vezes não dá frutos
mas TODO SANTO DIA é dia de trabalhar pelo amor
acordar, escovar o dente...e trabalhar pelo amor
Ao lado do chefe chato, passando calor no trânsito, voltando sozinha da festa.
Sozinha, parece que o trabalho é só nosso:
que ninguém mais faz o que estamos fazendo.
Mas é uma impressão errada. Com atenção, dá pra ver que todo mundo
De uma forma ou de outra, de um jeito torto, de maneiras impossíveis e até irritantes
trabalham pelo amor, por um amor ou qualquer amor
Quando se tem um parceiro - também é dureza
trabalhamos juntos, mas ainda dá trabalho.
Estou começando a perceber que não é o fato de estar com um par ou estar solteira
É simplesmente uma questão de não esmorecer, de trabalhar a terra sorrindo,
Se chover, agradecer a água
E no sol, agredecer a luz
Há flor. Sempre.
Há flor debaixo da terra, ou debaixo da folha, ou até, na vontade da planta de ser flor!
Mas há flor.
Assim como há amor. Sempre. Em todo lugar.