13.12.10

Resoluções para 2011

Depois de um ano inteiro errando erros semelhantes, faço aqui minhas promessas para 2011

Para o ano, serei:

mais distraída
mais esquecida
mais indisciplinada
mais inadequada
mais irresponsável
mais inconsequente
mais ingênua
mais lenta

prometo também

chegar atrasada com mais frequência
gastar dinheiro com: manicure, massagem, limpeza de pele, roupas e sapatos.
fazer dieta pra ficar gostosa
ficar gostosa pra ser exibida
ser exibida pra dizer não
dizer não pra achar coragem
e ter coragem pra dizer sim

e espero que em 2011 eu consiga

estar mais indisponível
mas fazer novos amigos

ler todos os romances que sonho
mas passar no concurso dos sonhos

acordar cedo nos dias de folga
e sem sono nos dias de semana

ser ignorante
ser surpreendida
ser indiferente
economizar em: palavras, atos e pensamentos

mas, acima de tudo eu quero muito:

ser diferente
sendo eu mesma
ser feliz
do jeito que der e vier

6.12.10

lendo letras lentamente

e se ler fosse um simples ato de ver letras?
se a leitura se tornasse assim, como uma observação de um quadro na parede?
imagine que ler, não necessariamente trouxesse uma história, uma narração.
feche os olhos e imagine...
p
u
f
t
!!!!!!!!!!

a literatura
não é escrever historinhas

não é conceito de gente, de lugar, de

é tudo e nada
literatura
literalmente
cabe em
qualquer vazio

e enche todo coração
vai, fecha os olhos...


30.11.10

Chá

Se não escrevo aqui, tenho muitas razões.
Mas a maior delas é a falta de competência.
Tenho lido tanta gente boa
e me apaixonado por todas elas
- que tá difícil achar que sou digna de linhas e leitores.

É, tomei chá de sumiço.
Sem vontade de compromisso.
Chá dos bons, pra dormir e acordar com mais preguiça ainda.
Incrível.
Quanto mais faço, menos vontade de fazer.
Cansaço.
Deve ser mesmo esse fim de ano-banzo, uma coisa que sempre pega pra mim.

Um chá forte e sem açúcar.
Que esse ano foi quase de amargar
Planos que não saíram do papel
vários
Coisas que nem funcionaram
muitas

E um ranço de que nada andou
Um ano parado, focado no futuro - longe
que nunca chegou

um ano mudo
chegando ao fim
ufa pra mim!

E por isso tudo, não escrevi mais aqui.
Mas ponho agora esse rabisco
Que é pra manter o visgo
do hábito

E o bom do escrever:
botar pra fora o que não cabe
envelhecer
vaidade

vai
sai
chega de chá de sumiço
me acho talvez
uma vez
aqui
ali
na letra á ou na zê
escrever

linha
parágrafo
ponto final

28.11.10

Pérolas do Enzo I

- tia Bijú, quem é seu marido?
- eu (ainda) não sou casada, Enzo. Eu sou solteira.
- e com quem eu sou casado?
- você também é solteiro. Toda criança é solteira.
- o que é ser solteiro?
- é assim, não ter marido ou mulher; não ter uma casa com filhos...
pensativo.
- mas Enzo, você vai crescer e quando for adulto vai poder escolher se casar, ficar solteiro. Vai poder escolher o que quiser!
rapidamente.
- eu quero ficar solteiro mesmo!

........


- tia Bijú, quem casou com você?
- eu (ainda) não me casei, Enzo.
- você conhece o seu marido?
- eu (ainda, eu acho) não conheço ele. Mas quando eu conhecer, vou falar assim: "eu tenho um sobrinho que eu amo muito e se chama Enzo e ele é muito legal."
- e o que ele respondeu?

......

esperando suco de laranja.
Enzo, com a borda da mesa de vidro redonda tocando o queixinho. Ele não resiste, passa a língua no contorno do vidro me olhando.
- Enzo, não lambe o vidro porque ele pode ter uma lasquinha e cortar você!
- Mesmo o vidro com um corte CIRCULAR, tia Bijú? Ele corta mesmo assim?

.......

comendo maçã e fugindo da Sofia.
A Sofia grita 'dá' pedindo um pedaço.
- Bijú, dá um pedaço de maçã pra Sofia.
- Não.
- Ah, Enzo, dá sim, ela quer só uma mordida.
- Ah, não.
- Enzo. Dá um pedaço pra ela, vai. O que que custa?
- Sete reais.

3.11.10

Massinha

Sabe aquelas massinhas de modelar?
Aquelas pra crianças, que vêm em potinhos de plásticos em todas as cores imagináveis?
Que você faz bichos, plantas, pratos e talheres, pizzas de sabores mil?

Essas massinhas são incríveis com suas cores infinitas e a maleabilidade de se fazer tudo tudo que a imaginação deixar.
Você constrói e destrói castelos, florestas, um zoológico inteiro!

Mas, o único perigo é deixar a massinha fora do potinho.
Desabrigada, ela resseca, endurece, perde a cor.
E se você não se der conta de tudo isso a tempo, ela nunca mais volta a ser maleável para brincar.

É assim também meu coração.



24.10.10

O barco tailandês

Estamos de férias em família e na voadeira que percorre velozmente a beira mar, estamos Bruno, Enzo e eu. O menino do barco tira finas dos transeuntes da praia e me impressiona a capacidade da lanchinha se manter intacta com pouco atrito na água.
Na verdade, estamos voando baixinho!

A praia de cidade poderia ser Fortaleza, Maceió, Salvador, mas não é.
Em uma das pontas, há um antigo barco Tailandês.
Agora um ponto turístico, está meio ancorado, meio enterrado num estreito espaço de areia e rochas.
Não tem uma estrutura muito grande, parece até de brinquedo. Ou uma maquete agigantada.
É de um preto brilhante, com adornos na pintura em cores fortes: amarelo, verde, vermelho e frisos dourados. Há um desenho de dragão na proa, típicos desses que vemos em tudo que é tailandês.
Entramos por uma pequena escada e com o nosso peso, o barco se mexe lentamente. Levamos um susto, mas seguimos caminhando até a outra extremidade.

E eis que acontece: o barco se solta da areia, e pende para uma das pontas!
Lá dentro, tenho a nítida sensação de que a queda será enorme e os estragos mortais!
Sinto um medo profundo, um frio na barriga e a súbita perda da gravidade!
De onde estou na queda, sou capaz de ver o Bruno, mas o Enzo está totalmente fora do meu campo de visão.
O medo vira pânico. Não gritamos. Ouvimos o ranger da madeira e a rapidez com que o barco vira!
Estamos em queda livre de uma altura incalculável!

Com o coração batendo na boca, pronuncio uma única palavra:
NAMANDABU*
E a surpresa vem justamente do som: minha voz sai forte, alta, lúcida, firme, serena;
silencia todos os outros ruídos.
O barco suavemente para de se mexer. Como no retorno de um pêndulo de relógio, inicia a volta no sentido contrário ao da queda.
Só que agora lentamente, como que controlado por uma força muito maior, é posto de volta na areia. E estamos sãos e salvos.

*namo amida butsu na escola shin budista é a entoação do nome do buda Amida, a luz de compaixão e sabedoria que nos espera, nos guia e nos inspira pacientemente e com alegria até chegarmos ao nosso próprio estado búdico.*

ps - para meus companheiros de viagens: Enzo e Bruno


20.10.10

sobre o fim do começo

ps - as chuvas fazem Brasília verde-esmeralda.
O céu fica muito azul de dia, calor seco virando nuvem cinza de tarde.
Daí, um trovão forte vem e faz chover!
Bate um vento leve e frio, arrepia o corpo, deixa um sorriso no rosto...

16.10.10

Provas

Eu sou a prova de que ser inteligente não necessariamente paga bem
Eu sou a comprovação de que ser legal, carinhosa e leal não significa encontrar um parceiro apaixonado
Eu sou a prova de que o esforço e a dedicação não levam ao resultado sonhado
De que falar a verdade, gastar bem o dinheiro e tratar bem o outro ser humano não traz prêmio nenhum
A prova de que amigos e família que me amam não é alento na cama vazia à noite
Que um teto sob minha cabeça resolve um tanto, e complica um outro tanto bem mais difícil de explicar

Passei grande parte da vida acreditando que as coisas boas que me aconteceram (e me acontecem) são prêmios de boa conduta.
Errei feio: sou a prova cabal de que não há prêmios. Não há castigos.
Os eventos e as pessoas acontecem por motivos alheios à nossa vontade.
São frutos de um somatório de fatos e fins impossíveis de se somar a um único ato.

No final, não tenho qualquer controle do que é minha vida.
Mas é tão difícil aceitar isso, que prefiro fingir que todo controle que exerço sobre meus atos, comportamentos e ações serão necessariamente refletidos nos frutos que eu colherei.
Sim, eles influenciam e muito na tal colheita. Mas não é linear, não proporcional, não é medido nessa régua que eu tenho em mim.

Eu sou a prova de que há ordem no Universo. Mas não é a MINHA ordem. Nem qualquer outra que conheço.
Até aqui, a única aposta que faço com segurança é essa:

Os méritos que tenho são frutos de muito suor meu, mas também de um acúmulo de outras "sortes" que trouxe comigo nessa vida.
E os meus desejos e sonhos são sempre realizados com suor e resignação. Mas muitos, muitos mesmo, foram deixados pelo caminho.

Há provas de que tive sorte, também há as de azar.
Mas não há comprovação nenhuma de que minha felicidade depende só de mim.
Ainda assim, insisto em ser quem sou, em sonhar alto, em desejar o melhor e o bem.
Se não ajudar, pelo menos, não atrapalha.


ps - obrigada à torcida de plantão. cronômetro zerado: nova corrida começa!


14.10.10

medicina

VIRGO [August 23–September 22] "The art of medicine consists of amusing the patient while nature cures the disease," said Voltaire. With this in mind, let's evaluate your discomfort. Healing forces are going to be working their mojo to chip away at your problem. But it will still be wise for you to occupy yourself in activities that you think will expedite the fix. Doing so will minimize your anxieties, allowing nature to do what it does best.

6.10.10

Descanso

Férias merecidas e agora, de volta à labuta:
nada demais para escrever aqui (ainda).

Só apareci para dar uma certa satisfação.

Uma dica: estou afundada em bons livros. Isso sempre dá um caldo.

Até.