Mostrando postagens com marcador tôàtoa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tôàtoa. Mostrar todas as postagens

16.9.16

Hiato

Em menos de 24 horas estarei de volta em casa depois de 10 dias de sol e mar.
Há mais de dois anos, abandonei o espaço de escrever.
Hiatos na minha vida são muito comuns. Acho saudável sair das fases, mudar de rumos, inventar outras invenções. Escrever, nunca foi substituível para mim. Simplesmente, desisti de achar importante falar do que penso e sinto. 
Aliás, essa sensação de desimportância tem imperado na minha vida: em várias gradações e passando por muitas áreas, as coisa têm tido pouca importância. Um misto de desesperança com preguiça. 
Na praia, vejo crianças surfando claramente sem nenhum compromisso com o profissionalismo ou a prática de uma atividade física - estão ali, no mar, nas ondas, e de lá sairão famintos e cansados fim.
A cena de um mar salpicado de amadores divertidos me comove e peço a Iemenjá que olhe sobre todos nós - desses ingênuos moleques ratos de areia a seres como eu, que sentem tanto e fazem tão pouco. 
É hora de voltar. Resumir hiatos, chegar em casa. Sigo desistindo de dar importância a muitas coisas mas escrever ressurgiu assim, como os meninos surfistas depois de um caldo monumental do mar. Axé Iemanjá!

13.3.12

Fim do fim

E não, não dá alívio. Nem uma leveza, nada, nada.
De malas prontas, meu coração está apertado:
vou deixar minha casa pra trás e tempos difíceis também.

Sei, deveria pular de alegria, celebrar. Mas não sinto.
Tem uma chapa de chumbo no centro do peito.
Hiatos de prazer que não pareço merecer...

A leveza, pra mim, é sempre dura, impermeável.
Olho pro lado, pra dentro, suspiro:
sou intensa, medrosa e cheia de arestas.
O sopro de dias livres me assusta,
o coração vazio me entristece
a boca sussura - quando?
Quando, nessa vida, vou finalmente aprender
a simplesmente aceitar e ser?

31.12.11

2012 desarmado sorrindo

Certa feita, recebi um conselho que sigo sempre que me lembro:
um desconhecido ao saber da minha mudança para Nova York me disse:
"Smile. No matter how new yorkers treat you, give them back a good old smile".
Funcionou. Para todos os mal entendidos, grosserias e chatices da Grande Maçã, aplicava o golpe do velho e bom sorriso.

É que o sorriso desarma. Desmonta a armadura de medos e preconceitos.
Sorrir para alguém em silêncio é como um espelho de almas: da sua e do outro.

Não sou diferente: estou calejada, doída da vida.
Mas, ah! Quando alguém sorri para mim - como manter a guarda alta?

Acho que o sorriso assim, grátis, sem muito porquê, ficou raro porque estamos todos armados até os dentes: literalmente, esperando o próximo ataque que vai nos levar ao chão.
Um coração partido, uma resposta atravessada, não interessa o tamanho da dor - estamos todos cansados de doer!

Devemos, portanto, tirar proveito dessa canseira toda:
Vamos abaixar a guarda.
Descansar os braços, abrir o peito num grande suspiro: sorrir!
Não é igual a esquecer a dor.
Não, não é igual ser bonzinho.
Não é fazer de conta que

O sorriso que desarma é aquele que sabemos que é letal: mata o azedume, o rabugento, o implicante. Ele supera, domina, encanta num passe de mágica!
Você sabe muito bem de qual sorriso eu estou falando...

É o sorriso de sol no picolé supergelado!
É a nuvem que resfresca o ardido do meio dia no sol!
É o telefone tocar com aquela pessoa na linha!
Isso, é esse o sorriso.

Façamos de 2012 o ano desarmado por sorrisos.
Vai ser lindo.
(um sorriso em silêncio pra você!)










20.10.10

sobre o fim do começo

ps - as chuvas fazem Brasília verde-esmeralda.
O céu fica muito azul de dia, calor seco virando nuvem cinza de tarde.
Daí, um trovão forte vem e faz chover!
Bate um vento leve e frio, arrepia o corpo, deixa um sorriso no rosto...

6.10.10

Descanso

Férias merecidas e agora, de volta à labuta:
nada demais para escrever aqui (ainda).

Só apareci para dar uma certa satisfação.

Uma dica: estou afundada em bons livros. Isso sempre dá um caldo.

Até.

23.6.09

16 de Março de 2009



Parti de Brasília e encontrei o Vi no aeroporto de São Paulo. Estamos animados e eufóricos. Falamos ao mesmo tempo, entrecortamos assuntos sérios com risadas leves.
Despachamos as malas - sendo que as dele irão direto para Istambul, enquanto eu serei obrigada a pegar a minha mochila em Londres.
Jantamos Mac Donald's no saguão e já entramos para o check in.
De São Paulo a Londres, jantei, vi um filminho bobo e dormi.
Sinto sede no avião. É sempre assim. Mas um misto de medo, ansiedade e cansaço vencem. Durmo as longas horas até a aterrisagem.
Em Londres, o mais demorado é passar pela segurança. Filas enormes e silenciosas. Eu só faço o que mandam e respondam o que perguntam. Passamos pela fila do passaporte e pela segurança do próximo check in. Tudo fluido e sem maiores.
Mas, estou em Londres, difícil não pensar que a três meses, embarcava daqui para Brasília com o coração cheio!
Enfim, dentro de um outro avião, rumo a Istambul.
Mais sede, mais sono e medo. E mais uma vez, o sono ganha de todos.

Exaustos, aterrisamos em Istambul - Turquia.
Me vem uma alegria diferente de todas - há anos não vou a um lugar inédito, que nunca pisei antes.
O aeroporto está lotado, é bem sinalizado e tem vozes de todos os lugares: ouço francês e alemão com certeza, mas as outras tantas línguas orientais estão ali também - talvez árabe, hebraico, turco, grego...impossível dizer!

Encontramos nosso motorista de taxi e rapidamente chegamos a cidade em si - ruínas de muros Otomanos pontuam aqui e ali a estrada que chega a Antiga Constantinopla.
Me emociono profundamente, e não sei explicar exatamente porquê.

O Hotel fica bem atrás da Mesquita Azul, e como é noite, ela está particularmente bela: uma luz amarelada ilumina tudo. O clima está ameno, há um vento suave e frio.
No quarto, despejamos as mochilas, tomamos um banho rápido e seguimos para o nosso primeiro jantar, logo na esquina.
A melhor sopa de lentilhas que já experimentei vem seguida de uma espécie de manjar do coco muito suave, com uma bola de sorvete. Chá de hortelã para tudo. Tudo é bom. Tudo é perfeito.
Estou imensamente feliz.

1.4.09

Boemia em Madri



E aí que o Vinícius falou com o Igor que deu um toque sobre um lugar. E a gente andou à beça o dia todo no Museu do Prado e num café da esquina um espanhol basco falou em inglês que o tal lugar seria bem caro. E então a Paula que é amiga do amigo acabou aparecendo e deu o endereço de um outro bar - JUANALOCA - fica no bairo La Latina, duas paradas de metrô que sai por um euro cada ida. Bueno, chegamos e a moça, além de linda, é super querida com outras cinco amigas lindas e super queridas. Ah, sim, e o moço sevilhano, lindo lindo lindo. E bebi três taças do vinho da casa pelo mesmo preço de três copos d'água e comi a melhor tortilla de batatas da minha vida porque tinha umas cebolas caramelas sensacionais. E até fumei um cigarro pra pertencer mais e mais e rir mais e mais até dar umas duas da manhã e o moço lindo pagar toda a conta da mesa e sairmos todos em direção ao LA PLAYA - que é bem pertinho, descendo um ladeira numa rua estreita e iluminada e cheia cheia cheia de gente. E no novo bar, você entra e já vai descendo uma escada que dá pra um porão todo espelhado com areia no chão. Mudei do vinho pra cerveza porque eles não servem nada além disso. E tinha tequila mas eu não tenho mais idade pra tal tipo de misturas. E bebi umas duas. Não, três. Enfim, o suficiente pra dar umas quatro da manhã e outra do grupo lembrar de sair pra dançar. Ah, boa porque com tanto álcool no sangue eu nem saberia chegar ao hotel. E o Vinicius apaixonado e eu com tanto moço ao meu redor que tava jurando que tinha uns 18. Tá, uns 21 anos. E pegamos três taxis pra caber todo mundo e paramos num lugar que tinha fila na porta. Alguém achou que era demais ficar no frio esperando entrar daí pegamos mais três taxis e chegamos num outro bar só que esse não tinha fila mas tinha fechado. Daí o moço lindo lindo lindo entrou só pra comprar cigarros nas incríveis maquininhas que vendem o produto por toda parte da cidade e então pegamos mais três taxis e seguimos para o terceiro destino só que dessa vez um taxi seguiu pra casa com a paixão do Vinicius dentro mas tudo bem. No último bar tinha uma fila igual ao primeiro e eu estava com uma vontade louca de fazer xixi desde o bar número um e daí fiz uma coisa super brasileira e molhei as plantinhas que nascem no meio-fio madrilenho. E o Vinicius fez o mesmo depois de mim. Entramos no bar com a Paula e o lindo lindo lindo e a outra amiga que não saiu na foto mas eu não me lembro porquê. Esse bar eu não sei o nome e também não bebi. Mas dancei dancei dancei e olhei muito pra todos os lados - porque tava super cheio de todas as gentes possíveis e o DJ tocava bem e tinha um pierrot que dançava num tablado. O Vinicius se apaixonou de novo e eu mais mil vezes. Quando quase chegou a manhã em Madri, pulamos num taxi só, o Vi e eu pra dormir e ir embora depois do almoço de paella mixta.

28.3.09

O sol do Saara


Manhã no acampamento no quase deserto do Saara.

O que dizer de Marrocos?
Nao acho adjetivos.
Senti a solidão da falta de comunicação, o vazio de não entender aquela gente, a cultura, o jeito de ver a vida.
Tudo tem uma beleza intensa, que não me convidaram a participar.
Meu pobre francês sofreu. Meus sorrisos foram praticamente em vão.
Ainda assim, adorei Marrakesh.
Talvez, exatamente por isso - porque entendi que há lugares que simplesmente nunca vou pertencer!
E pela exclusão, estou encontrando aos poucos aonde pertenço...

Volto em breve para casa. Quero escrever muito muito mais.

20.3.09

A Mesquita Azul




A imponência do edifício já me deu o tamanho da intenção.
Entramos pelo pátio lateral onde hoje funciona - claro - um bazar.
A frente da Mesquita tem uma larga entrada com uma escada que chega ao pátio principal. Ali, há uma espécie de púlpito que na verdade é um lugar para os homens lavarem os pés e as mãos antes de entrar na Mesquita. Mas nós, os não muçulmanos, devemos entrar pela porta do lado.
Mas ali, na porta, fomos parados - o minarete inicou o chamado para as preces daquela hora do dia. Nenhum infiél deve entrar a Mesquita. A voz sai das torres em volta do edificio numa gravação em árabe: um homem canta acapela em intervalos de silêncio o nome de Alah. Essa voz entra no peito. Dá pra ouvir com o coração. E a vontade é de segui-la, ver ao que ela convida.

Depois de aguardar por uma hora as preces terminarem, entramos. Eu cobri a cabeça com o meu cachecol - as mulheres devem entrar assim, sem exceções. Meu coração estremeceu por um instante. Mesmo abarrotada de turistas, pessoas ajoelhadas no imenso tapete veremelho se concentram em silêncio. Ajoelhados em direção `a Meca, o burburinho é menor que tudo - e a beleza só não é maior que Deus.
As abóbodas e paredes inteiras cobertas de azulejos - em torno de 20 mil - fazem um jogo de cor e textura, num lindíssimo elo entre arte e adoração.

Os grandes pilares e paredes só ganham esmero acima de nossas cabeças. Por isso, tem-se que olhar para cima o tempo todo como que mostrando que beleza estará sempre acima da compreensão humana. É mesmo coisa dos deuses.

Vitrais coloridíssimos filtram a pouca luz do fim do inverno que entra e a luz dos lustres muito baixos aonde se vê pequenas lâmpadas nos lugares de velas que ali iluminaram preces de séculos atrás.

Rodeada de gente de todos os lugares do mundo, ouvindo vozes em todas as línguas, minha vontade é de me ajoelhar. Olho ao lado e só então enxergo o lugar das mulheres: no canto, atrás de uma treliça de madeira. Ali no fundo, uma dezena de lenços coloridos se revezam abaixando e levantando o troco, ajoelhadas no chão. Imaginam o que pedem, para quem rezam essas mulheres que não seja pela própria liberdade, emancipação, escolha...

Com a cabeça coberta, jogo o corpo levemente para trás e olhando para o alto, penso em Deus.

15.3.09

Agora é tempo de espera

Ficarei quinze dias fora de casa mais uma vez.

Penso que todo o meu sentimento de paz espiritual, de serenidade interna,
tudo que vivi este último ano - de meditação e budismo
não valeram de nada
Eu continuo o mesmo ser ansioso, irritável, medroso
Que sempre fui

Viajo com a impressão de que nada me transformou até aqui
E fico triste

Porque vou buscar em outro lugar
Uma resposta

Eu busco inspiração, coragem, força e acima de tudo
Certezas
E com isso, ou contra isso
Não há nada que eu possa fazer agora
A não ser esperar
Que é o mesmo que ter esperança
Que é quase a mesma coisa que ter fé
E fé, é o que eu sempre tive de sobra

Não prometo, mas tentarei postar aqui durante minhas andanças.
Está tudo pronto.
Só falta ir.
Chegar.
Viver.
E voltar.

11.3.09

Turquia


Mesquita Azul, Istambul, Turquia

Foi mais ou menos uma foto como essa que vi quando eu tinha uns oito anos numa revista Geográfica Universal. Me causou um impacto inesquecível.
Istambul sempre ficou no canto dos meus sonhos - acho que mais ou menos junto com o sonho de ser astronauta, bailarina, mergulhadora, princesa, cantora pop, cientista, escritora, cineasta, maratonista, surfer girl - e vez ou outra vinha à tona em conversas, cenas de filmes, reportagens...

Prometi a mim mesma que iria visitá-la na minha lua de mel, uma viagem romântica a dois...

Até que a minha ficha caiu:
Estou envelhecendo cada vez mais rápido exatamente porque deixei de lado inúmeros sonhos e vontades - por circunstâncias, situações, imposições que eu mesma inventei!

Quem disse que eu tenho que estar em lua de mel COM ALGUÉM mais que eu mesma para ir à Turquia? Fui eu.
Quem inventou essa história de viagem romântica? Fui eu.
Ah, então eu acabo de inventar uma coisa nova:

Eu vou para Istambul agora - porque agora é a hora que tenho tempo e dinheiro e saúde. E AINDA SONHO.

Chego na antiga Constantinopla dia 16 de março. Vou com meu primo Vinicius, a melhor versão humana de mim mesma no sexo oposto. Ele é mais novo, mais viajado e mais bonito do que eu. Vai dar super certo.

Estou empolgada e até meio anestesiada.
Eu vou de encontro a um sonho muito muito antigo.
Num momento muito muito digamos, estranho da minha vida -
insatisfeita com a vida profissional, amorosa, sexual, financeira e espiritual (e todas as outras vidas que uma pessoa humana possa ter!)
- vou fugindo de um tanto de coisas que evito pensar
mas é difícil não pensar que esse passo é o melhor e o mais certo que eu poderia dar no momento!

Fugir para sonhar
É um medo diferente.
Mais ou menos igual ao que senti quando finalmente entendi o que é um compromisso espiritual.

Vou conhecer o meio do mundo, o lugar que dividiu impérios, que lutou contra todas as grande nações antigas. Com a sua identidade, mas que também abraçou as outras que ali se forçaram entrar; com a sua gente, apesar de receber hoje etnias e religiões de todo o mundo.

Eu sinto que desde sempre, o Oriente me chamava em segredo.
O Budismo abriu minha mente.
A Turquia vai abrir meus olhos, meus sentidos todos, para o outro lado do mundo.

10.3.09

All of the above!

VIRGO [August 23–September 22] One reason I've been put on this earth is to expose you to a kind of astrology that doesn't crush your free will, but instead clarifies your choices. In this horoscope, I'll crisply delineate your options so that you may decide upon a bold course of action that's most in tune with your highest values. Study the following query, then briskly flex your freedom of choice. Would you rather want someone to:
1) knock the wind out of one of your illusions, thereby exposing the truth about what you really want;
2) not exactly kick you in the butt, but more like pinch and spank you there, inspiring you to revise your ideas about what it means to be close to someone; or
3) spin you around in dizzying yet oddly pleasurable circles, shaking up your notions about how to keep intimacy both interestingly unpredictable and soothingly stable.

6.3.09

Despedida

Na praia, conversas picadas de gentes ao redor do meu silêncio:

- o cara me liga na quarta de cinzas do aeroporto pra me pedir desculpas? saaaaaaaaabeee...é muito egoíshhmo...

- vai lá no Bacalhau hoje, véi?
- não, eu fui na segunda que teve Furacão 2000 e o ingresso era grátis

- oiê Rafa. Poxa, me eshhqueceu total, né? tu tá onde? tu tá onde?

- aê, que fumar um bom?
- tem aê?
- já é

- aqui no Rio tudo é fácil, mano. Lá em Manaushh, um show do Belo sai tipo 100 reais! Aqui, 15 contos. Pô, muito fácil...


- e foi Moliere o responsável por criar o balé assim, com história, cenário, figurino.
- é, e ele morreu de artrite.

- eu tirei a maquiagem e fui chorando pro camarim...

- a Suélen não é mulher que se pendura em homem, não. Formou na faculdade, tem o emprego dela, qual é!

- aqui no Rio é assim - começa a usar uma coisa, todo mundo imita. Parece até que tão dando de graça em algum lugar...

5.3.09

Malandragem

Posto 9, Ipanema, 18h.
Esperando o farol da Vieira Souto para atravessar pra Vinícius.
Multidão na calçada, no trânsito, na praia.

Uma senhora do meu lado, canga, cadeira, havaianas, areia e maiô.
O telefone dela toca. Ela:
- Oi dona Glória eu tô aqui na Barra resolvendo unshh problemashh pra pagar o dinheiro da senhora, tá? Chego aí no máximo amanhã bem cedinho.

Ah, tá. Eu achei que a senhora estivesse no posto 9 tomando uma gelada e vendo o sol se por...

4.3.09

E o Anônimo disse ...

A velha e ridícula crise da classe média: SER OU NÃO SER? ter ou não ter, ir ou ficar...
Que maravilha, eu tenho um carro, pago um apartamento próprio, já morei em Nova Iorque, passei as festas de fim de ano na Inglaterra, e agora estou de férias no Rio de Janeiro, com uma puta crise existencial na praia de Ipanema, pensando em talvez estourar minha poupança numa viagem pra Turquia e pro Marrocos ou virar monja budista.
Olha ao teu redor garota, aliás pra cima e pra trás e me diz qual a dúvida das pessoas que moram nesse teu país, qual a perspectiva desse povo, qual a crise existencial desse povo.
vc já imaginou quantos desempregados estão por aí agora neste momento querendo muito uma chance de vida???
Tua crise existencial é crise de UMBIGO.
E quer saber, vou dar um tempo de vc e desse teu blogue, vc me cansa.


Ahh! Adoro, adoro, adoro!
Não tem coisa melhor que ser surpreendida por alguém. Mesmo quando esse alguém é um Anônimo leitor do meu blog!
Adoraria implorar pra ele(a) ficar, ler, comentar!
Mas se ele(a) vai parar de ler, nem adianta deixar recado.
Mas eu vivo pra isso - pra incomodar e ser incomodada.
Desculpem, mas agora eu tenho que ir viver minha crise classe média no posto 9...
eu sei, é difícil ter a vida que eu tenho.
Mas tudo pode piorar anônimo. Ou não.

3.3.09

O Vazio e o Silêncio

Por coincidência, li um post no blog do Samarone sobre a ausência de silêncio em diversos lugares - públicos ou não.
E hoje, a matéria do caderno Dois do Globo é sobre uma coletânea de artistas desde a década de 50 até a atualidade que expõem salas vazias em Paris. Um escândalo para os parisienses revoltados com a falta de vergonha da classe artítica porque onde já viu não por nada e ainda dizer que é arte um museu como o George Pompidou?

Interessante isso.
Porque o silêncio e o vazio incomodam pra valer. Parece que o lado de dentro da gente aumenta o som e a cor de tudo por dentro, se há vazio e silêncio lá fora. Que medo. Ouvir os pensamentos e enxergar os sentimentos em TECHNICOLOR.
Ver uma tela em branco, uma sala vazia. Um elevador sem música. Uma sala de espera sem TV.
Sem estímulos aqui fora, somos obrigados a encararmos os de dentro? Estes que não se calam nunca, mas a gente dá um MUTE no controle e finge que eles não estão aqui.
Tanto que vai meio apodrecendo e criando uma fina camada de mofo, visgo, teia. Vai deixando o sujeito cego e surdo. E começa a ver pra fora e pra dentro tudo meio distorcido, ecoando barulhos sem fim...

Eu acho, e isso é só uma desconfiança, que quanto maior o esforço para abrir os ouvidos e limpar os óculos e ver aqui de fora, maior é o filtro apodrecido que cresce silenciosamente dentro de nós.
Ver e ouvir o mundo e o outro deveriam ser um reflexo natural.
Mas passam pelo filtro visguento do medo que a gente tem de ouvir e ver o que há aqui dentro!
Daí, evitamos, vomitamos e interpretamos tudo lá fora. Parece mais fácil, mas uma hora, ao dobrar a esquina - puft! - o silêncio e o vazio se apresentam cara a cara. E o horror das mil cores e sons daqui de dentro se apresentam cruéis: pré-conceitos, fobias e desesperos. Sofrimentos gerados por nós mesmos e paridos para o mundo afora, culpa toda dessa louca ausência do silêncio e do vazio.

Estou assim - olhando o silêncio todos os dias. Ouvindo meu barulho de solidão e tristeza todas as manhãs de sol em Ipanema.
Calada por fora, acordo, leio, escrevo, ando até a praia. Por dentro, minha vida infinita se desdobra. Tanto que já há quase um silêncio e um tom preto e branco nas minhas idéias.

Estou esvaziando a mente? Ou enchendo o vazio externo de solidão?

2.3.09

Crise

Estou no Rio de Janeiro, vou à praia todos os dias, leio e durmo.
Mais do que descansada, penso na vida em silêncio.
Estar sozinha tem dessas coisas: você pensa na vida.

Concluí que não quero mais fazer o que faço.
Não quero mais ganhar dinheiro como ganho.
Não estou feliz profissionalmente.
E não sei o que fazer a respeito.
Essa pontada de angústia que me assola há um bom tempo, tem agora uma dimensão maior
talvez porque minha rotina seja sol e mar e ainda assim, penso no quão triste estou.
Ou porque ao invés de resolver a questão olhando no olho, decidi estar aqui na praia, e depois na Turquia, e depois Marrocos e depois Espanha.
E na volta, praticamente terei queimado minha poupança.
Mas minha frustração profissional continuará aqui no peito.
Porque estou fugindo de olhá-la nos olhos já faz tempo.

Simplesmente, eu não sei o que quero ser quando crescer.
E por isso, não sei qual próximo passo a dar.

Daí, quando penso nisso, a vontade de ser monja toma conta de mim.
Eu acho que é fuga. A saída mais prática pra não pensar em trabalho.
Eu, monja.
Me vejo facilmente entrando por esse caminho e não saindo nunca mais...

Mas, é comodismo? É preguiça de pensar numa solução profissional pra minha vida?

Ontem vi um Stand up do Chris Rock. Tem um pedaço que ele fala.
" Se você é uma dessas pessoas que tem um CARREIRA, não fique por aí falando dela ao redor das pessoas que têm somente um EMPREGO. Não faça os outros infelizes com a sua felicidade."
UGH. Bem na minha cara.

E hoje de manhã, o Vinícius me manda esse link.

http://www.youtube.com/watch?v=uy0HNWto0UY


Está me falantando tudo na vida.
E não está me faltando nada.

27.2.09

Ode ao Carnaval

Finalmente desabou sobre mim o intenso amor enrustido que eu tenho pelo Carnaval.
Com tanto tempo morando fora - quase sete anos - a minha ficha caiu nessa Quarta de Cinzas.
Eu amo mesmo Carnaval.
Samba, axé, independe.
Meu negócio é o vuco-vuco, a multidão, o pé na jaca, os tambores (Viva Salgueiro!) de todos os ritmos dessa festa!

Fica mais fácil sorrir. As pessoas são automaticamente iguais nas ruas e avenidas. A fantasia é a melhor desculpa para beijos e mais beijos!

Ah, o romance carnavalesco!

Numa progressão de alegria, Salvador em 2008, Rio em 2009 e para fechar a tríade - Olinda em 2010 - Se tudo der certo! -

No ano passado, Salvador foi a melhor salmora para meus cotovelos ainda doídos de um amor partido - a Pipoca e o baiano, minha gente, não deixa pedra sobre pedra. Voltei pra casa com os cotovelos curados e os pés doídos. Bem melhor!

No Rio deste ano, o estilo light e a beleza da Cidade Maravilhosa fizeram meu coração, agora duro - amolecer de mil paixões todos os dias! E haja sol e samba!
Não quero voltar pra casa. Ainda.
Só que a solidão dos dias aqui me dão saudades da intensidade das farras carnavalescas...dúvidas de uns dias de verão!

Acabou.
Ainda bem que 2010 já tá chegando com mais!


ps-um beijo grande para as malucas de plantão que me acompanharam nas avenidas!
e pros meus tios que sempre me acolhem com tanto carinho!

5.1.09

Tudo novo de novo

De volta à velha rotina, com mil idéias novas na cabeça.
Difícil, muito difícil...

Vou deixar esse blog pra lá um pouquinho...
Dia desses volto aqui.

Até

29.12.08

Seis

Estamos em Bristol e vamos mais ao sul hoje no fim do dia - Cornwall - para uma festa a fantasia a la James Bond! Estah frio, frio, frio.

Hoje eh dia 29 de dezembro. Nesse mesmo dia em julho, tudo mudou.
Seis meses.